Governo argentino unifica as empresas aéreas Aerolíneas e Austral

Aerolíneas Argentinas
Foto - Aerolíneas Argentinas

Nesta semana, o governo argentino anunciou a fusão das companhias estatais Aerolíneas Argentinas e Austral. Anteriormente, ambas as companhias aéreas pertenciam ao mesmo grupo, e sua fusão poderia ser um acordo concluído até o final do ano.

Pablo Ceriani, presidente do Grupo Aerolíneas, disse que a fusão traria uma eficiência operacional mais significativa para ambas as companhias. Além disso, a nova companhia aérea terá um crescimento mais profundo e economizará milhões de dólares ao abrir novos mercados. 

Com as duas companhias aéreas sob uma marca, o Grupo Aerolíneas espera uma economia de quase US$ 30 milhões e ganhos diretos de US$ 42 milhões, disse a agência de notícias argentina Télam

Ceriani acrescentou que não faz sentido ter uma duplicação de estruturas. A Aerolíneas Argentinas possui uma frota de 54 aeronaves composta por dez Airbus A330 e 44 Boeings 737. Enquanto isso, a Austral possui uma frota de 26 Embraer ERJ-190. 

Em maio de 2020, a Aerolíneas Argentinas atendia 37 destinos domésticos e 24 destinos internacionais em 16 países. O Austral possui principalmente destinos domésticos, embora se conecte com alguns países vizinhos, como Uruguai, Brasil e Chile. 

Na realidade, as duas companhias aéreas já estão entrelaçadas, elas trabalham no mesmo mapa de rotas e compartilham alguns destinos com a Austral operando nas baixas temporadas. Portanto à primeira vista, não deve haver muita diferença se as duas companhias aéreas se tornarem uma.

Após a notícia, os pilotos da Austral levantaram se pronunciaram em inconformidade contra a decisão tomada. A União Piloto do Austral (UALA) declarou-se em um “estado de alerta”. “Sob argumentos falaciosos e insustentáveis ​​de economia e produtividade, o governo do Grupo Aerolíneas quer sacrificar uma companhia aérea capitalizada com potencial de mercado.”  Disse a união.


A Austral Líneas Aéreas está voando há mais de 60 anos, e o sindicato acredita que é mais uma parte da solução do que um problema. A Aerolíneas Argentinas completa 70 anos este ano.

“O Grupo Aerolíneas exige um plano com consenso político e sob um esquema de apoio federal. Não precisamos de um plano improvisado que resulte em uma maquiagem cara e falaciosa”, acrescentou a Austral.   

Os jornais argentinos não estão muito felizes com a fusão, eles ressaltam que unificar as duas companhias aéreas criará pouca economia. Atualmente, a Aerolíneas Argentinas possui 11.900 funcionários e um custo salarial anual superior a US$ 50 milhões. O jornal La Nación disse que a companhia aérea recebeu aproximadamente US$ 450 milhões do governo argentino este ano. 

Pablo Ceriani anunciou que a companhia aérea lançará dois novos negócios após a crise. Por um lado, criará uma operação de carga com base na experiência de seus voos para Xangai. Além disso, a Aerolíneas Argentinas lançará um serviço de MRO para outras companhias aéreas. 

“É necessário operar com a máxima eficiência. Conseguimos fazer isso em algumas áreas, mas mantemos ineficiências em outras. Temos arrastado alguns problemas há tantos anos”, disse a companhia aérea em comunicado. 

A companhia aérea também disse que as empresas que não conseguem se adaptar ao estado atual, e iriam desaparecer. “Certamente, este poderia ser o destino da Aerolíneas Argentinas se não estivermos prontos para a tarefa”, finalizou.

 

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