Governo dos EUA indica que Boeing não informou sobre alterações no projeto do 737 MAX

Boeing 737 MAX
Foto - Divulgação

Depois de meses da Boeing explicando à Senadores e Deputados Federais dos EUA sobre o processo de certificação do 737 MAX, um relatório do Inspetor-Geral (IG) do Departamento de Transportes dos EUA (DOT) foi finalmente concluído.

Este relatório detalha que a Boeing fez alterações nos sistemas de voo do 737 MAX, porém ocultou detalhes da FAA (Administração Federal de Aviação), para evitar perder o processo de treinamento simplificado na transição de pilotos do NG para o MAX.

A Boeing ressaltou que o sistema MCAS existia no 737 MAX, mas apenas como algo que garante a estabilidade da aeronave. A fabricante, no entanto, não informou sobre as limitações de pilotagem que o MCAS pode trazer ao avião.

O relatório de 52 páginas do Gabinete do Inspetor-Geral (IG) do Departamento de Transportes dos EUA, datado de 29 de junho e divulgado nesta quarta-feira, expôs erros cometidos tanto pela fabricante de aviões quanto pela FAA no desenvolvimento e certificação das aeronaves mais vendidas da Boeing.

O relatório geral detalha as atividades desde a fase inicial do processo de certificação em janeiro de 2012 até o segundo acidente e detalha as alegações de “pressão indevida” da gerência da Boeing nos trabalhadores que lidam com a certificação de segurança. 

Este relatório por diversas vezes apontou também que a Boeing pressionava a FAA, no sentido de delegar à própria Boeing mais tarefas do processo de certificação. Desta forma, a própria Boeing analisava partes do projeto que ao mesmo tempo desenvolvia.

A Boeing manteve a FAA no escuro com mudanças significativas no MCAS, segundo o relatório. Em seguida, a FAA realizou sua primeira revisão detalhada do sistema em janeiro de 2019, três meses após o primeiro acidente na Indonésia. A revisão resultou em documentação que nunca foi finalizada, afirmou o relatório.


Cerca de três meses após a primeira revisão ser lançada, outro acidente ocorreu com o 737 MAX, em março de 2019. Este acidente causou a paralisação completa de toda a frota mundial deste avião.

Uma análise da FAA de dezembro de 2018 determinou um risco de cerca de 15 acidentes ao longo de toda a vida útil do 737 MAX, se a correção do software não fosse implementada. A Boeing, no entanto, não tomou uma atitude para impedir o 737 MAX de voar até a correção ser lançada.

A FAA detalha que a antes do primeiro acidente, a Boeing já reconhecia os erros de desenvolvimento do MCAS, e trabalhava para corrigir estes erros. Até o atual momento a Boeing não conseguiu certificar a nova versão do software do MCAS, mas nesta semana a fabricante está realizando vários voos de certificação, finalizando todo esse processo que custou 346 vidas.

 

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