COMAC C919 China
Foto - COMAC/Reprodução

Os Estados Unidos estão analisando a exportação de um importante produto do país para a China, os motores CFM LEAP-1C, para a estatal chinesa COMAC, fabricante do C919 que utiliza os motores CFM.

O motor CFM Leap-1C, de projeto norte-americano e com colaboração da empresa francesa Safran, que faz parte da Joint-Venture juntamente com a GE, é classificado pelos EUA como um produto de tecnologia 

A GE recebeu licenças para vender o motor para a China a partir de 2014, e atualmente mantém essa licença de exportar o produto, porém, a mesma está sendo avaliada pelos Estados Unidos, visto a quantidade de componentes chineses no C919, bem como o desenvolvimento do avião por uma empresa estatal.

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A restrição, e se ela entrará em vigor, pode ser aplicada no dia 29 de fevereiro, quando acontecerá uma reunião do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

Nos bastidores citam a possibilidade da China utilizar o Leap-1C em projetos de engenharia reversa, com aplicação até militar, bem como nas quase 700 vendas do C919 para clientes chineses, algo que afeta levemente a Boeing, que tem como concorrente o 737 MAX.

 

Início do problema

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Um estudo divulgado em um relatório da CrowdStrike, em outubro de 2019, apontou uma espionagem industrial da China, contra empresas dos EUA e Europa ligadas à Boeing e Airbus.

O relatório da CrowdStrike aponta que os dados foram obtidos por IPs roubados, derivado de uma atuação do Ministério da Segurança do Estado da China (MSS). A lógica é simples, o C919 tem componentes ocidentais, fornecidos por empresas dos EUA e Europa, logo eles utilizaram uma “brecha” no sistema dessas empresas para conseguir dados de outros aviões, da Airbus e Boeing.

Empresas envolvidas no projeto do C919.

O relatório aponta que essas tecnologias foram tomadas pela China entre 2010 e 2015, em um caso que envolve as empresas Ametek, Capstone Turbine, GE, Honeywell e Safran.

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O caso foi descoberto porque a China tentou realizar uma invasão ao servidor da Anthem, descobrindo assim os hackers que utilizavam IPs falsos para acessar o sistema indevidamente. Vários hackers foram presos nos EUA e na Europa, de acordo com o governo.

Mas até esse momento o estrago já era bastante grande, alguns dados da Crowdstrike apontam que a China teve acesso a toda tecnologia de produção do novíssimo motor CFM Leap-1C, além de detalhes técnicos que possibilitaria a concepção e produção de um motor nacional de nova geração. Essa é a tecnologia mais avançada de uma aeronave atualmente.

 

Restrições e o futuro do projeto C919

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Aeronave Comac C919

Sem os motores Leap-1C, a COMAC pode ter que achar uma outra solução no mercado, visto que os dois principais produtos para aviões de nova geração (Leap e Pure Power) são fabricados por empresas norte-americanas (GE e Pratt & Whitney).

A opção mais clara, em caso da restrição de venda, é pelo motor PD-14, e isso pode atrasar ainda mais ou até mesmo inviabilizar o projeto do C919.

Enquanto isso, a estatal COMAC sofre de falta de Know How para desenvolver o C919, que já teve sua primeira entrega adiada inúmeras vezes, e agora está prevista para 2021. A empresa utiliza mais protótipos que o comum, em comparação com a certificação do Airbus A320neo, e deve gastar um bom tempo para desenvolver sua nova aeronave, até a mesma entrar em serviço.

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A COMAC também enfrenta uma dificuldade para aumentar sua produção de aeronaves mantendo a qualidade, provando que no mercado de aviação um simples roubo de tecnologia não garante liderança imediata para uma empresa.