No último ano, muito foi dito sobre o 50º aniversário do avião que mudou o mundo – o “jumbo” 747 da Boeing. Mas essa revolução do jumbo não começou a valer até que o modelo carregasse seus primeiros passageiros pagando os bilhetes – um marco histórico que ocorreu há 50 anos nesta semana.

O voo comercial de estreia do Boeing 747 foi com a falecida Pan Am, de Nova York para Londres.

Esse voo histórico partiu da cidade dos EUA nas primeiras horas do dia 22 de janeiro de 1970, chegando a Londres cerca de 7h20min depois. Mas esse primeiro voo estava longe de ser tranquilo – e a interrupção não teve nada a ver com o tamanho da aeronave.

O Boeing 747 passou da prancheta de projeto para a realidade em um período de tempo extremamente curto.

A primeira encomenda foi realizada pela Pan Am, em 1966, quando o primeiro avião ainda estava no papel, e longe da linha de montagem. Desde então a equipe da Boeing teria 28 meses para desenvolver esse avião, em uma época de poucos computadores e CNCs, esse era um imenso marco para a fabricante.

A primeira aeronave ficou pronta em 1968, e o primeiro voo foi realizado em 1969, com atrasos, mas uma frota de testes de cinco aviões 747-100 garantiu que a Boeing conseguisse cumprir o cronograma.

Boeing 747 reinou durante muitos anos como o maior avião do mundo. Na imagem abaixo podemos ter uma comparação dele com o Boeing 707, um dos principais jatos utilizados pelas companhias naquela década.

Ansiosa por continuar com os preparativos para a entrada em serviço, a Boeing entregou os dois primeiros 747 na Pan Am e dois na TWA em dezembro de 1969, enquanto as companhias se preparavam para a introdução iminente de uma aeronave que iria mais do que dobrar a sua oferta em voos de longa distância.


No dia 12 de janeiro de 1970, pouco antes do voo inaugural, uma aeronave N735PA operou um voo de teste de Nova York para Londres, com 362 passageiros a bordo.

Em uma reportagem intitulada “O 747 chegou”, a FlightGlobal escreveu na época: “O voo de prova desta semana foi feito com uma aeronave que ainda não incorpora as modificações do motor. O 747 chegou cerca de três horas atrasado, depois que um motor precisou ser trocado antes da decolagem.”

Esta foi uma prévia do que estava por vir, pois “problemas no motor e mau tempo” resultaram no cancelamento do restante da turnê européia para cinco capitais, e o 747 partiu no dia seguinte, cerca de 23 horas depois, rumo a Nova York.

Mas não foram as preocupações dos motores que se tornaram algo comuns até a estreia do 747. Pelo contrário, foi a conclusão bem-sucedida da demonstração de evacuação da aeronave.

As primeiras tentativas em 15 de janeiro de 1970 na base de treinamento 747 da Pan Am em Roswell, Novo México, levantaram problemas com a iluminação de emergência e implantações de slides e exigiram algumas correções rápidas. O sucesso ocorreu seis dias depois, em 21 de janeiro, e a Pan Am na pressa, decidiu que o 747 entraria em ação no mesmo dia.

A Pan Am ofereceu sua aeronave de teste, N735PA, para o voo inaugural do 747, o PA2 de Nova York para Londres. Essa aeronave foi renomeada como Clipper Young America pela esposa do presidente Richard Nixon, em uma cerimônia em Washington Dulles, na semana anterior.

Comandando o voo inaugural histórico, estava o chefe da divisão atlântica da Pan Am, capitão Weeks, assistido pelo capitão John Nolan.

Cerimônia de primeiro voo do 747 da Pan Am.

Quando os 22 tripulantes do jato ficaram convencidos de que os 345 passageiros estavam dentro do avião e o Young America estava pronto para partir, ele voltou ao portão de embarque às 19h30.

Tudo estava com um curto atraso de 30 minutos, mas piorou quando os mecânicos identificaram um problema no motor Número 4, um Pratt & Whitney JT9D.

A Pan Am recebeu seus dois primeiros 747 no Everett em dezembro de 1969

Depois que a investigação identificou possíveis danos internos ao motor, a Pam An decidiu substituir o jato do voo inaugural por outro 747, de matrícula N736PA, o Clipper Victor, possibilitando a decolagem do voo às 01h52 do dia 22 de janeiro.

Infelizmente, esse avião do primeiro voo (N736PA) ganharia notoriedade de maneira trágica sete anos depois, quando estava envolvida em uma colisão com outro 747 em Tenerife, que continua sendo o pior acidente aéreo do mundo.

Mesmo com o início conturbado por uma certificação rápida, o Boeing 747 ganhou nos anos seguintes um imenso destaque na aviação mundial, e até hoje é um avião notável, apesar do “fim de vida”.

Ao longo de 1970 outras 13 companhias passaram a operar o Boeing 747. Em uma época que a demanda por serviços aéreos era menor isso com certeza era um destaque.

O 1000º  Boeing 747 foi fabricado em 1993, e desde então a fabricante já entregou mais de 1555 aeronaves em suas seis versões.

 

Fonte – FlightGlobal

Texto – Por FlightGlobal com alterações do Portal Aeroflap

 

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