IATA pede que fronteiras sejam abertas e medidas de alívio continuem

Foto: Emirates

(Genebra) – A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA – International Air Transport Association) está pedindo aos governos que trabalhem juntos para encontrar urgentemente maneiras de restabelecer a conectividade global, reabrindo fronteiras, e continuar com as medidas de auxílio para apoiar as companhias aéreas durante a crise da COVID-19.

O apelo da IATA reflete a profunda frustração da indústria, pois as políticas governamentais, como fechamento de fronteiras, restrições de viagens e quarentenas, continuam a aniquilar a demanda por viagens. Isso ficou evidente em uma decepcionante “temporada de viagens de verão (no hemisfério norte)”, que apresentou melhorias mínimas em comparação com o período de maio a junho, já que quatro em cada cinco viajantes potenciais evitaram viajar, com base em comparações com o período do ano anterior.

• O tráfego total de julho de 2020 foi 79,8% abaixo dos níveis de 2019
• O tráfego internacional em julho de 2020 foi 91,9% abaixo dos níveis de 2019

“Proteger seus cidadãos deve ser a principal prioridade dos governos. Mas muitos governos estão lutando contra uma pandemia global isoladamente, com a visão de que o fechamento das fronteiras é a única solução. É hora de os governos trabalharem juntos para implementar medidas que permitirão a retomada da vida econômica e social, enquanto controlam a propagação do vírus”, disse Alexandre de Juniac, Diretor Geral e CEO da IATA.

Especificamente, a IATA pede aos governos que compreendam a gravidade da crise que o setor aéreo enfrenta e suas consequências para os seus cidadãos; e a IATA apela aos governos para darem atenção a estas questões-chave:

• Reabertura de fronteiras
• Medidas de alívio contínuas
• Liderança global

Reabertura de Fronteiras


O mundo permanece, em grande parte, fechado para viagens, apesar da disponibilidade de protocolos globais para permitir a retomada segura da aviação ( Take-off guidance) desenvolvidos por governos por meio da liderança da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Esta orientação cobre todos os aspectos da viagem do passageiro e recomenda medidas sanitárias para manter os viajantes seguros e reduzir o risco de importação da infecção.

“As companhias aéreas estão praticamente paradas há seis meses. E a situação não está melhorando. Na verdade, em muitos casos, ela está indo na direção oposta. Vemos governos substituindo o fechamento de fronteiras por quarentena para passageiros aéreos. Nenhuma das duas medidas retomará viagens ou empregos.”

“Pior, os governos estão mudando os requisitos de entrada com pouca notificação aos viajantes ou coordenação com seus parceiros comerciais. Essa incerteza destrói a demanda. Dez por cento da economia global é sustentada por viagens e turismo; os governos precisam fazer melhor para retomá-los”, disse de Juniac.

O pré-requisito para abrir fronteiras faz parte das orientações do Take-off guidance da OACI. Além disso, a IATA está propondo bolhas de viagens para mitigar riscos entre mercados específicos e prevê um uso muito mais amplo e estratégico dos testes de COVID-19 à medida que a tecnologia melhora a precisão, velocidade e escalabilidade.

“Nenhum governo quer importar a COVID-19. Da mesma forma, nenhum governo quer passar por dificuldades econômicas e impactos na saúde, associados ao desemprego em massa. Superar com sucesso esta crise requer uma gestão de risco cuidadosa com medidas eficazes.”

“Se as políticas governamentais se concentrarem em permitir uma retomada segura, a aviação está bem preparada para cumprir isso. A gestão de risco é uma disciplina bem desenvolvida da qual as companhias aéreas dependem para manter as viagens seguras e protegidas”, disse de Juniac.

A IATA propõe um plano de ação de três pontos para os governos reabrirem com segurança as fronteiras da seguinte forma:

1. Implementar as orientações do Take-off guidance da OACI universalmente.

2. Aproveitar o trabalho sólido da Força-Tarefa de Recuperação de Aviação (CART) do Conselho da OACI, desenvolvendo uma estrutura comum acordada para os estados usarem na coordenação da reabertura segura de suas fronteiras para a aviação.

3. Desenvolver medidas de teste de COVID-19 que permitirão a reabertura de fronteiras, reduzindo o risco de importação da COVID-19 em um nível aceitável para as autoridades de saúde pública com precisão, velocidade e escalabilidade que também atendam aos requisitos rigorosos para incorporação no processo de viagem.

“Como participante da CART da OACI, a IATA trabalhará com governos, especialistas médicos e fabricantes de testes para acelerar propostas especificamente focadas no uso de testes de COVID-19 para reconquistar a confiança, reabrir fronteiras, retomar a aviação, recuperar a demanda e os empregos. Há muito em jogo e não há tempo a perder”, disse de Juniac.

Medidas de alívio

Com exceção de alguns mercados domésticos, há poucas evidências de um início de recuperação da indústria. As companhias aéreas continuam perdendo bilhões de dólares e enfrentam decisões difíceis para redimensionar suas operações e força de trabalho para o futuro.

“Muitas companhias aéreas não terão meios financeiros para sobreviver a uma paralisação por tempo indeterminado que, para muitas, já ultrapassa seis meses. Nestes tempos extraordinários, os governos precisarão continuar com medidas financeiras e outras medidas de alívio na medida do possível.

É um investimento sólido na recuperação porque cada emprego salvo em uma companhia aérea apoia outros 24 na economia como um todo. E uma indústria de aviação em funcionamento será um vetor fundamental para que as economias recuperem seu poder total”, disse de Juniac.

A IATA pede aos governos que concentrem as medidas de ajuda em duas áreas:

Alívio financeiro: enfrentando uma perda na indústria de US$ 84,3 bilhões este ano, um corte de 50% nas receitas e altos custos fixos para manter aeronaves e mão de obra, a viabilidade financeira de muitas companhias aéreas está em xeque. A ajuda do governo tem sido uma tábua de salvação importante. Mas o alívio oferecido está se esgotando rapidamente. As medidas do governo para fornecer reservas financeiras adicionais contra falências serão críticas e não devem aumentar os níveis de dívida já altos.

Auxílio regulatório: O auxílio regulatório mais urgente é uma isenção global da regra de slot 80-20 “use-it-or-lose-it”. A grande incerteza do mercado significa que as companhias aéreas precisam de flexibilidade para ajustar os cronogramas para atender à demanda sem a pressão de serem penalizadas por não usar os slots alocados. As companhias aéreas não podem se dar ao luxo de voar aviões vazios quando a demanda do mercado cai. Da mesma forma, elas não podem deixar de obter receita quando as oportunidades surgem.

Muitos governos, incluindo China, Brasil, México, Cingapura, Austrália e Nova Zelândia concederam isenções para a temporada de inverno de 2020 (outubro de 2020 a março de 2021), reconhecendo as severas restrições nos cronogramas de planejamento durante este período de extrema interrupção.

Infelizmente, a Comissão Europeia (CE), a quem muitos governos recorrem para liderar as políticas de transporte aéreo, está subestimando a gravidade da crise e protelando:

A CE declarou que o tráfego será restaurado entre 75% e 85% dos níveis de fevereiro de 2020 (pré-COVID-19 na maioria dos mercados) para a temporada de inverno. Isso é muito mais otimista do que os cenários da indústria.

Além disso, a CE acredita que a concessão de uma isenção em meados de outubro dará um tempo suficiente para as companhias aéreas e os aeroportos preparem planos para aquele que já é o momento mais desafiador da história da aviação.

Dadas as circunstâncias extraordinárias, nas últimas semanas, tanto os aeroportos quanto as companhias aéreas têm pedido aos governos que forneçam esclarecimentos o mais cedo possível. Juntamente com coordenadores independentes de slots, eles acordaram em conjunto com as condições que permitem à CE progredir com celeridade.

“O atraso da Comissão Europeia em conceder uma isenção para toda a temporada, de inverno do Hemisfério Norte da regra 80-20 de slots, é ruim para todos. As companhias aéreas e os aeroportos vão enfrentar dificuldades enquanto a incerteza do consumidor só vai aumentar. Conforme a Comissão retorna de suas atividades de verão, conceder uma isenção para a temporada completa deve estar no topo da lista de prioridades da aviação”, disse de Juniac.

 

Via: IATA

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