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Aproximação do Irã com urânio enriquecido fez Israel dar mais capacidades ao seus F-35. Foto: Força Aérea Israelense.

Em face às ameaças nucleares do Irã, Israel fez drásticas melhorias no caça stealth F-35 Lightning II, modelo mais moderno de sua frota. Com as atualizações, os aviões receberam mais capacidade de combustível e integração com uma nova bomba inteligente de uma tonelada. 

Fora os EUA, Israel é o único país que possui um F-35 especialmente para testes e desenvolvimento de atualizações. Isso permitiu que o caça “invisível” ao radar recebesse os upgrades locais. 

F-35 adir testes Israel
F-35I Adir de testes. Foto: IAF

Segundo o Jerusalem Post, Israel deu mais autonomia para seus F-35I ‘Adir’ (como o modelo é chamado localmente), permitindo que realizem um ataque no Irã sem ter que reabastecer em voo (REVO).

Israel possui uma veterana frota de aviões-tanque Boeing KC-707 Re’em que tem apresentado baixa disponibilidade nos últimos anos. O país já adquiriu novos KC-46 Pegasus, mas estes só devem chegar nos próximos anos. Sem a necessidade de um REVO, o planejamento e execução de um possível ataque no Irã ficaria mais flexível. 

Além do aumento da autonomia, os israelenses adicionaram uma bomba de 1000 quilos ao leque de armas do F-35I.

JDAM Bomba Israel
Tripulante de um F-15I Ra’am checa uma bomba GBU-31(V)3/B (kit JDAM montada na bomba anti-bunker BLU-109). Foto: IAF.

Não se tem detalhes do armamento, mas se sabe que é inteligente (guiado), estando na mesma faixa de peso que as bombas GBU-24 Paveway III e GBU-31 JDAM, esta última já usada por Israel. A bomba poderá ser transportada dentro do compartimento de armas do caça. 

Também não há detalhes sobre como a Força Aérea de Israel (IAF) aumentou a autonomia de seus caças stealth. No entanto, esta não é uma ideia nova, como observa o The War ZoneA Lockheed Martin, fabricante da aeronave, já havia proposto tanques externos para o F-35, com capacidades para 600, 480 e 460 galões de combustível.

Logicamente os tanques aumentariam a assinatura radar do caça, mas em compensação, aumentariam em cerca de 40% a capacidade total de combustível. Também é possível que eles possam ser descartados junto com seus cabides antes de entrar no espaço aéreo iraniano, caso sejam usados ​​para tal missão. 

Outra possibilidade é que a IAF tenha desenvolvido tanques de combustível conformais (CFT) para o F-35. Presentes em caças famosos como o F-15 e F-16 (inclusive os usados por Israel), os CFT são montados na fuselagem da aeronave, diminuindo o arrasto aerodinâmico e permitindo que um armamento ou sensor seja carregado ao invés de um tanque externo. 

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O F-16I Sufa da Força Aérea Israelense possui tanques de combustível conformais, montados sobre a fuselagem. Foto: IAF.

Além disso, a Lockheed Martin ainda produz o F-35 com os cabides e pontos duros com encanamento para receber tanques externos. Isso sugere que a introdução dessa capacidade, inclusive na variante F-35I específica de Israel, pode não ser muito trabalhosa.

As preocupações de Israel são motivadas pelo movimento do Irã em direção ao urânio cada vez mais enriquecido, necessário para a construção de armas nucleares funcionais. Por conta disso, a IAF tem realizado uma série de exercícios aéreos, que são vistos muito mais como ensaios para um hipotético ataque contra uma instalação nuclear iraniana. 

De qualquer forma, Israel é muito sigiloso no que tange a seus desenvolvimentos de armas internas. Sendo assim, é bastante provável que os detalhes destas atualizações no F-35 só sejam revelados no futuro.