F-15 J JASDF Japão
Decolagem de um F-15J da JASDF.

A Força Aérea de Autodefesa do Japão (JASDF) foi acionada 1004 vezes durante o ano fiscal (FY) de 2021 para interceptar aeronaves estrangeiras, revelou o Ministério da Defesa Japonês na semana passada.

O número, divulgado pela pasta no dia 15/04, representa o segundo maior registrado, atrás apenas das 1168 interceptações realizadas em 2016. Se comparado com o FY 2020, a JASDF conduziu 279 interceptações a mais, indicando, também, um aumento das tensões regionais, observa o The Diplomat. 

O último anúncio de Tóquio ocorre em meio à tensões crescentes entre o Japão e alguns países vizinhos, como China e Rússia, por disputas territoriais. Os caças da JASDF foram acionados 722 vezes (72% do total) para interceptar aeronaves chinesas na área, um aumento de 264 vezes em relação ao ano fiscal de 2020 e o segundo maior total anual, de acordo com o Ministério. 

F-15J Eagle. Foto: Toshiro Aoki (www.jp-spotters.com)

A JASDF também enviou caças 266 vezes (26% do total) em resposta às aeronaves russas, oito a mais do que no ano fiscal anterior. Segundo a pasta, das aeronaves estrangeiras, apenas duas aeronaves russas violaram o espaço aéreo japonês, em setembro e março, ambas as vezes ao largo da principal ilha de Hokkaido, no norte do Japão. 

O ministro da Defesa, Nobuo Kishi, disse que Moscou manteve atividades intensas “mesmo em um momento em que a comunidade internacional está lidando com a agressão da Rússia na Ucrânia”, que começou no final de fevereiro.

Os incidentes restantes (2% do total) envolveram aeronaves de outros países, incluindo Taiwan.

Caças Mirage 2000 e F-CK-1 da Força Aérea Taiwanesa. Foto: Ministério da Defesa Taiwanês.

Falando sobre a China, Kishi citou as “atividades intensificadas de Pequim consideradas como coleta de inteligência” como um fator, acrescentando que esses voos se tornaram “diversificados e sofisticados”. “Na China, foram vistos movimentos para desenvolver rapidamente aeronaves não tripuladas”, afirmou em coletiva na última sexta-feira. 

A maior parte das interceptações envolveu a Força de Defesa Aérea do Norte da JASDF, que registrou 217 surtidas, e a Divisão Aérea Composta do Sudoeste com 652 acionamentos. Este último grupo supervisiona uma área que inclui as disputadas ilhas Senkaku/Diaoyu no Mar da China Oriental, que são controladas pelo Japão, mas também são contestadas por Pequim e Taipei.

O Ministro enfatizou que a JASDF realizou 12 surtidas para interceptar aeronaves da Aviação Naval Chinesa (PLANAF), detectadas enquanto cruzavam o Estreito de Miyako. Este é um caminho estratégico de entrada de Pequim no Pacífico Ocidental, localizado entre as ilhas de Okinawa e Miyako, no sul do Japão. Em contraste, a JASDF foi acionada em tais operações apenas quatro vezes durante o ano fiscal de 2020.

Variante do Shaanxi Y-9 usada para coleta de inteligência. Foto: Ministério da Defesa do Japão.

As aeronaves chinesas envolvidas eram principalmente aeronaves de coleta de inteligência Shaanxi Y-9, mas também incluíam drones.

Dados divulgados pelo Ministério japonês também mostram que dois bombardeiros Xian H-6, juntamente com dois bombardeiros russos Tu-95, foram vistos cruzando o Estreito de Tsushima (que conecta o Mar do Japão, o Mar Amarelo e o Mar da China Oriental) em 19 de novembro de 2021.

Bombardeiro estratégico russo Tu-95 Bear. Foto: Ministério da Defesa do Japão.

Esses bombardeiros ampliaram o escopo de suas atividades do Mar da China Oriental para o Oceano Pacífico nos últimos anos.