Lixeiro Espacial: A aposta da agência espacial europeia para limpar a órbita terrestre

Lixeiro Espacial da Agência Espacial Europeia

A exploração espacial é uma grande façanha da humanidade, desde os anos 50 voltamos os olhos para o desconhecido do universo e já demos importantes passos, como o primeiro satélite em órbita Sputnik-1, o primeiro homem no espaço Yuri Gagarin, a cadela Laika, e as missões Apollo, destacando aqui a Apollo 11 que levou o homem à Lua, entre outras missões espaciais.

Outros projetos espaciais também aconteceram como as Voyagers, que até hoje vagam pelo universo em busca de respostas, ou em missões para planetas do nossos sistema solar, com um espacial olhar para marte.

Contudo, com tanto tempo de exploração não é só as conquistas que devem ser observadas, mas também os impactos disso, um deles é o acumulo de lixo espacial e o que fazer para resolver essa questão.

O assunto já é pauta para o desenvolvimento de tecnologias que possam recolher essas objetos que viajam com velocidade de 29.000 Km/h.

O lixo espacial é um problema, dependendo da sua quantidade. A colisão com outros satélites artificiais pode provocar danos diversos, e prejudicar o fornecimento de serviços na Terra, ou até mesmo a vida na Estação Especial Internacional (ISS).

Aqui vale ressaltar o seguinte, existem objetos mais próximos da Terra (os que preocupam mais) e os mais distantes, em uma área bem afastada do planeta.

 

Robô coletor de lixo, o lixeiro espacial

Estima-se que há cerca de 3.000 satélites desativados estão neste momento orbitando o nosso planeta, sem contar dezenas de outras peças de foguetes já lançados e isso pode ser prejudicial, não apenas no aspecto econômico, mas também de vidas.

Detritos espaciais ao longo dos anos

Vale lembrar que a 420 km, em órbita baixa, está localizada a Estação Espacial Internacional, que viaja com uma velocidade superior a 27.000 km/h. Felizmente a ISS tem a capacidade de manobrar para se livrar de impactos com peças. Caso tenha um risco eminente de choque, sempre há uma nave em de prontidão alerta para ser ocupada pelos astronautas, e possibilitar o retorno à Terra.

Estação Espacial Internacionais Fonte: Boeing

Pensando em uma forma de resolver isso, a Agência Espacial Europeia (ESA) tem planos de lançar o robô ClearSpace-1, esse equipamento é experimental, tem quatro braços que vão agarrar um satélite desativado e lançá-lo de volta ao planeta.

Esse ainda é um teste, visto que antes de criar algo certo e eficaz devemos fazer vários testes para que tudo aconteça como o esperado.

O lançamento da ClearSpace está previsto para 2025, o projeto é liderado pela Suíça, mas tem a contribuição de outras nações.

Em um comunicado a agência espacial europeia disse:

“Este é o momento certo para essa missão”, disse Luc Piguet, fundador e CEO da ClearSpace. “A questão dos detritos espaciais é mais urgente do que nunca. Hoje temos cerca de 2.000 satélites em funcionamento no espaço e mais de 3000 que estão fora de atividade.”

Arte do ClearSpace-1-

“E nos próximos anos o número de satélites aumentará em uma ordem de magnitude, com múltiplas megaconstelações compostas por centenas ou mesmo milhares de satélites planejados para a órbita terrestre baixa para fornecer serviços de monitoramento e telecomunicações de baixa latência e ampla cobertura. A necessidade é clara para um ‘caminhão de reboque’ para remover os satélites com falha desta região de alto tráfego. ”

Até que se tenha algo concreto e idealizado, muitas análises feitas por agências espaciais. Os EUA, por exemplo, têm a US Surveillance Network, um sistema que analisa objetos maiores que uma bola de tênis, flutuando ao redor do planeta. De acordo com os cientistas é estimado que existam 100 milhões de fragmentos com mais de 1mm em órbita.

 

Outras soluções

Existem outras maneiras para solucionar o número de satélites desativados que para um prazo limitado pode ser eficaz, e a iniciativa vem de uma empresa privada espacial que tem ganhado cada vez mais espaço na órbita terrestre, a SpaceX, do bilionário, Elon Musk.

Starlink SpaceX

A empresa de Musk lança semanalmente 60 satélites starlinks para compor sua constelação de satélites que irão prover internet rápida em nível global.

Hoje já são mais de 1000 satélites da empresa norte-americana, no entanto, esse número deve chegar a 12.000 para que o serviço global de internet tenha efeito.

Os próprios foguetes Falcon 9 que lançam os satélites pousam na Terra (apenas o primeiro estágio). Estes podem ser utilizados atualmente em até 10 lançamentos, antes do descarte final.

 

Mas qual a solução da SpaceX?

Os satélites Starlink assim que desativados ligam seus propulsores e queimam na atmosfera terrestre, ou seja, os equipamentos da empresa são programados para se autodestruírem.

Satélites Starlink com o visual do Planeta Terra. Foto: SpaceX

Uma outra solução criada pela SpaceX foi a diminuição do brilho causado pela reflexão do sol nos Starlink. Esse brilho estava atrapalhando as visualizações astronômicas aqui da Terra.

Retorno do primeiro estágio de um Falcon 9 da SpaceX

 

Fontes de apoio: Space.com/BBC/ ESA