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maturidade setor aéreo

Por Rogerio Benevides

Certamente, em futuro próximo teremos novos modelos de negócio sendo implantados, a possibilidade de exploração comercial dos aeroportos privados e os ativos aeroportuários estatais sendo objeto de novos modelos de gestão, de forma a permitir investimentos mais significativos e agressivos que requerem retorno de mais longo prazo

O setor aéreo, por definição, tem características bem especiais. É intensivo em capital e tecnologia, seu crescimento está atrelado às variáveis macroeconômicas, exige um nível de capacitação elevado dos seus profissionais, possui poucos atores em cada segmento, seus resultados estão associados a fatores endógenos e exógenos, alguns fora do domínio dos seus participantes.

Tais características, ao longo dos tempos, acabaram por influir nos modelos de negócio do setor, sendo caracterizado por um “blend” de capital privado e público, em função do tipo de atividade, seja relacionado com atividades aéreas ou aeroportuárias. Se olharmos algumas décadas atrás, em muitos países tivemos as famosas empresas de bandeira, apoiadas pelo poder público, tais como: Air France, AliItalia, Aerolíneas Argentinas, JAL, entre outras. Neste grupo, a nossa própria VARIG, em alguns períodos, teve um apoio estatal tão forte, que poderia até qualificá-la bem perto deste grupo de empresas.

Olhando para um outro ator essencial do setor, os aeroportos, até de maneira mais clara, os Estados foram os grandes investidores para a consolidação de uma infraestrutura que permitisse o início e a consolidação do transporte aéreo em nível nacional e internacional. No caso do Brasil, com foco na integração nacional pelo modal aéreo, tivemos investimento estatal por meio da ARSA, da TASA e da INFRAERO, dentre outras empresas, cumprindo este papel.

De maneira mais detalhada, tendo como foco o histórico mais recente dos operadores aéreos, podemos notar que o mercado brasileiro, após a implementação da liberdade tarifária e de rotas a partir do início da década de 2000 e da criação da ANAC, adquiriu uma robustez invejável, com um volume de pax transportados (emb+desemb) maior que 200 milhões/ano e ainda com um enorme potencial de crescimento.

Além do crescimento do volume de passageiros, esta nova realidade permitiu uma queda constante da tarifa média ao longo dos últimos anos, bem como a utilização intensiva do “yield management”, o que permitiu aumentar a parcela da população brasileira com acesso ao modal aéreo. Percebe-se, ainda, um “Load Factor” comparável aos mercados dos países mais desenvolvidos.

Do lado dos operadores aeroportuários, neste momento em que estamos ultrapassando a Pandemia, podemos observar a robustez do modelo de concessões aeroportuárias implementado pelo governo federal. A pronta resposta do setor para realizar o reequilíbrio dos contratos de concessão sinalizou de maneira extremamente positiva para os investidores deste segmento.

Maturidade no setor

Todo esse contexto, demonstra que o setor tem atingido uma maturidade tanto no que se refere aos seus operadores como aos seus usuários. Atualmente, temos a certeza de que, em relação aos operadores aéreos, não existe mais a necessidade de uma tutela do Estado. As liberdades e a robustez do conjunto de usuários vão sempre atrair “players” competentes para realizar as operações aéreas.

No âmbito aeroportuário, ainda temos a figura da outorga e das concessões. Contudo, os receios de deixar uma infraestrutura crítica sob a responsabilidade de entes privados já se foi, e hoje temos operadores aeroportuários reconhecidos pelo compromisso com a qualidade, eficiência e segurança da infraestrutura que administram. Certamente, em futuro próximo teremos novos modelos de negócio sendo implantados, a possibilidade de exploração comercial dos aeroportos privados e os ativos aeroportuários estatais sendo objeto de novos modelos de gestão, de forma a permitir investimentos mais significativos e agressivos que requerem retorno de mais longo prazo, sejam por meio de autorização ou mesmo de privatização plena.

Adicionalmente, em tempos de retomada, não podemos deixar de reconhecer que mesmo durante o período pandêmico, o Brasil implementou mudanças muito significativas. No campo regulatório tivemos as ações constantes do Voo Simples, que dentro de um espírito de simplificação das atividades do setor, resultou na possibilidade de táxi aéreo (135) realizar operações agendadas-regulares, na regulamentação da utilização de aeronaves (91) de maneira compartilhada, na possibilidade de operadores aéreos prestarem serviços de manutenção com maior flexibilidade, dentre outros avanços. No campo operacional tivemos mudanças tecnológicas e sanitárias nos aeroportos, empresas aéreas e no próprio comportamento do mercado e da sociedade como um todo. Sem mencionar o sucesso do maior leilão de aeroportos em número de ativos.

Todos estes aspectos seguramente induzirão ao surgimento de novas oportunidades de negócios para os atuais “players”, operadores aeroportuários e aéreos, ou para novos. Certamente teremos um crescimento setorial elevado nos próximos anos, não só para retornar aos níveis alcançados antes da pandemia, mas para ultrapassá-los, consolidando a importância do transporte aéreo para um país de dimensões continentais. E esse crescimento estará apoiado em uma regulação madura e sendo aprimorada, oferecendo condições desafiantes para novos negócios. Enfim, agora é hora de trabalhar firme para chegar a 200 cidades servidas pelo transporte aéreo regular e ultrapassar os 250 milhões de pax/ano (emb+desemb). “Apertem os cintos e boa viagem a todos nós, pois já vamos decolar …”

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