De acordo com uma publicação do site The Air Current, do jornalista Jon Ostrower, a Airbus disponibilizou para Neeleman e a nova companhia Moxy Airways, a qual ele é um dos proprietários, a opção de tanque extra no Airbus A220-300.

A informação foi compartilhada por Neeleman na última quinta-feira (12/09), durante a entrega do primeiro E195-E2 da Azul Linhas Aéreas.

De acordo com Neeleman, cerca de 20 aviões, dos 60 encomendados do modelo A220-300, tem a opção do tanque extra, que possibilita um alcance de até 7408 km para a aeronave.

Para Neeleman isso viabiliza os voos da Moxy Airways a partir da Flórida para a América do Sul, como citado em uma matéria da Aeroflap publicada na última semana. Além disso, a versão de longo alcance pode realizar voos da costa oeste para o Havaí, e outros destinos na Europa a partir da Costa Leste.

O tanque extra representa para o A220-300 um alcance adicional de 1200 km, aproximadamente, visto que a aeronave padrão tem um alcance de aproximadamente 6200 km.

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O A220-300 também se destaca por sua capacidade de transportar até 160 passageiros, e por ter a certificação ETOPS 180, necessária para voos transatlânticos. 

A Airbus ainda não apresentou uma versão de longo alcance do A220-300, mas depois dessa revelação, a empresa europeia deve revelar oficialmente esse avião nos próximos meses.

 

Como Neeleman escolhe as suas aeronaves?

David Neeleman.  Foto – TAP/Divulgação

David Neeleman explicou durante um Podcast do Airinsight, os motivos que levaram ele e sua equipe de investidores da nova companhia, a Moxy Airways, a escolher o Airbus A220. E nós já deixamos claro! Foram quase os mesmos motivos da JetBlue.

Para Neeleman, o maior motivo de encomendar um avião é o alcance do próprio equipamento, algo que define a flexibilidade da aeronave na frota, 

“Eu acho que é o alcance, o alcance é algo importante, é o primeiro motivo”, disse David Neeleman.

O alcance do A220-300 permite que a Moxy Airways faça voos entre Nova York e Boston para Londres, totalmente sem escalas. Além disso, o A220-300 é capaz de cumprir voos para a América do Sul, a partir de Miami.

“Estamos muito felizes com os E-Jets da Azul com os E-Jets. Mas é um avião que não dá para voos transcontinentais”, disse Neeleman.

Depois Neeleman deu um informação que poucos sabiam, mas ele negociou com as duas empresas, e teve a informação sobre a configuração das aeronaves. De acordo com ele o A220-300 é mais flexível em uma configuração de duas classes.

Isso devido ao A220-300 conseguir mudar de uma distribuição de assentos do tipo 3-2, típica de classe econômica, para uma distribuição 2-1, típica de Classe Executiva.

No Embraer a troca de 2-2 (Econômica) para 2-1 (Executiva), exige uma mudança nos bins entre as classes, de acordo com David Neeleman.

Esse diferencial permite que a Moxy altere a configuração de qualquer aeronave, para incorporar em poucas horas a mesma em operações transatlânticas.

Deste modo, a Moxy pode adaptar o interior da aeronave de acordo com a rota que ela deve cumprir durante alguns dias ou meses. Aqui está em jogo a flexibilidade da aeronave na frota, algumas rotas comportam a Classe Executiva, enquanto outras o mercado Low Cost é maior, e o atrativo são aviões com classe totalmente na Econômica.

Para a frota da Moxy, além da JetBlue, o A220-300 funciona como um A320neo, com a capacidade do Boeing 737 MAX 7 e consumo menor do que este, uma vantagem bastante grande em termos de custos operacionais.