O NTSB, National Transportation Safety Board, divulgou uma atualização do acidente com o cargueiro Boeing 767-300ER (N1217A) da Atlas Air, que caiu em fevereiro enquanto estava em procedimento de aproximação para pouso em Houston, nos EUA.

Essa atualização não aborda as causas do acidente, mas descreve o que ocorreu durante os minutos finais do voo.

Com relatado na primeira matéria sobre o assunto, os pilotos do Boeing 767 estavam a todo momento em contato com o controle de tráfego aéreo, para guiar o procedimento de aproximação do aeroporto e contornar uma forte tempestade que ocorria nas proximidades de Houston.

Quando o avião estava a 13800 pés, um controlador de tráfego aéreo informou sobre a tempestade, que variava entre leve e pesada, dependendo da localidade. Os pilotos queriam evitar o mau tempo e optaram por realizar uma curva rumo ao oeste (aqui eles não descreveram a coordenada alvo dos pilotos), essa opção foi dada pelo controlador.

O controlador de voo aprovou a mudança, desde que os pilotos descessem rapidamente para 3000 pés. O piloto realizou um primeiro passo da descida, para 8500 pés, com a proa de 270º, depois ele manteve alterou a rota e desceu para 6200 pés entrando em uma zona de forte turbulência, variando em poucos pés a altitude.

A velocidade se manteve estável durante a turbulência, em aproximadamente 230 nós, então os motores aceleraram até a potência máxima e os pilotos inclinaram o nariz do avião em cerca de 4º, depois disso o avião começou uma rápida descida com 430 kt de pico de velocidade. Uma reação do profundor para inclinar o nariz da aeronave negativamente foi detectada.

O vídeo abaixo mostra esse momento em que o avião parece estar em queda livre.


O NTSB também divulgou que o comandante do voo tinha cerca de 11 mil horas de voo, e o co-piloto tinha cerca de 5000 horas de voo, todos com experiência de voo no 767.

A aeronave foi fabricada em 1992 e acumulou 91.063h de tempo de voo e 23.316 ciclos de uso.

Nenhum dado sobre falhas foi divulgado pelo NTSB, somente que o aviso de estol não soou na cabine de comando, demonstrando que não houve a presença de estol durante o voo.

Vale ressaltar que esse acidente não tem nenhuma relação com os dois últimos acidentes do 737 MAX, os sistemas das aeronaves são totalmente diferentes e não é possível afirmar no momento se o voo da Atlas Air foi afetado por um windshear, assim como no acidente da Aeromexico em 2018.

Nenhuma hipótese foi descartada, incluindo uma possível tentativa de suicídio de algum dos tripulantes.

Os três tripulantes faleceram neste acidente.