F-22A Raptor interceptando um Tu-95MS.

A Força Aérea dos EUA (USAF) interceptou e acompanhou mais de 60 aeronaves russas na Zona de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ) do Alasca em 2020, o maior número desde a queda da União Soviética e o fim da Guerra Fria, em 1991. 

A grande quantidade de interceptações tem causado uma certa pressão nas unidades da USAF estacionadas na região. 

“Certamente vimos um aumento na atividade russa. Interceptamos mais de 60 aeronaves no ano passado. Nós monitoramos mais do que isso”, disse o Tenente-General David Krumm da Base Conjunta Elmendorf-Richardson, Alasca, durante um fórum online organizado pela Associação da Força Aérea.

Em 2015, o portal Anchorage News reportou uma média de dez interceptações de bombardeiros Tu-95 na ADIZ – uma região com 200 milhas náuticas que passa pelo território dos EUA e no espaço aéreo internacional – ao ano. Além do clássico bombardeiro russo, aeronaves de inteligência e patrulha marítima também eram acompanhadas por caças da USAF. 

Em resposta as incursões russas, a Força Aérea envia caças F-22A Raptor, aviões de controle e alerta antecipado E-3 Sentry e reabastecedores KC-135 Stratotanker para escoltar os aviões russos.

Os voos acontecem enquanto as potências mundiais disputam influência no Ártico, um ponto crescente de atividades domésticas e militares, segundo o portal Air Force Times.

F-22A interceptando um Tu-95 em maio de 2019. Foto: NORAD.

“Embora haja uma pressão sobre nossas unidades, elas estão administrando isso de maneira muito, muito eficaz”, disse Krumm, que atua como chefe da filial Alasca do Comando Norte dos EUA (NORTHCOM), na região de controle do Alasca do NORAD e na 11ª Força Aérea sob comando das Forças Aéreas do Pacífico.

Normalmente a USAF envia caças stealth F-22 Raptor da Base de Elmendorf-Richardson, mas Krumm indicou que a Força Aérea pode estar aberta para despachar outros tipos de jatos no futuro para que os Raptors possam ser concentrados em treinamentos e em missões mais complexas.
 
Caças F-16 Fighting Falcon da Base Aérea de Eielson, também no Alasca, podem oferecer uma alternativa bem mais barata, todavia, são aeronaves aggressor, usadas em treinamentos representando o papel de inimigo. A base também é sede de um esquadrão de caças F-35A Lightning II.

Um F-16C do 18] Esquadrão Aggresor sobrevoando a Base Aérea de Eielson. Foto: Staff Sgt. Christopher Boitz/USAF.

“O F-22 é o nosso caça de superioridade aérea de linha de frente. Há um custo. Não sei ainda todas as opções que vamos buscar”, completou o General. 

O chefe do NORTHCOM e do NORAD, General Glen VanHerck, alertou os legisladores da Câmara em 14 de abril que os EUA devem ser capazes de detectar e responder a todas as ameaças em potencial, enquanto a Rússia aprimora suas frotas de bombardeiros e outras aeronaves de longo alcance. 

O Departamento de Defesa está considerando suas opções para modernizar uma rede de satélites, radares e outros sensores e ativos que ajudariam os militares a detectar atividades suspeitas com mais antecedência, colaborando com o resto da para lidar com eles.

Aspectos dessa rede serão testados no próximo exercício Northern Edge. Tecnologias como o novo jato de combate F-15EX Eagle II, satélites de internet Starlink da SpaceX, inovações do Air Force Rapid Capabilities Office e novos bloqueadores de sinal eletrônico também serão testadas no exercício que começou nesse mês. 

O aumento nas interceptações pode afetar o cenário que os participantes enfrentam no Northern Edge, relatou anteriormente o Air Force Times.

“Estamos analisando o que a guerra moderna poderia ser no futuro, e isso inclui cenários como a incursão russa no espaço aéreo americano”, disse o Tenente-Coronel Michael Boyer, principal planejador da Northern Edge, aos repórteres no dia 31 de março.

“Obviamente, vemos muito interesse e valor no interesse de nossa nação no Ártico e queremos ter certeza de que eles são protegidos e preservados de maneira adequada.”

F-22A interceptando um Tu-95 em maio de 2019. Foto: NORAD.