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O Boeing 737 MAX, é uma mistura de admiração pelo equipamento que foi construído em termos de tecnologia e avanço, visto a geração anterior, como também em críticas, pelos erros cometidos pela equipe de engenheiros da Boeing, algo facilmente evitável.

Assim como seu antecessor o 737 NG, o MAX também se tornou um popular avião na frota de grandes empresas. Mas desde a suspensão de voos com a aeronave as companhias se perguntam: Ainda será possível voar com ele?

O 737 MAX é uma aeronave de corredor único (narrow-body) e tem uma grande eficiência de combustível, muito versátil graças à sua união de tecnologia e estrutura das asas e atinge perfeitamente o ponto ideal com o número de passageiros.

As atualizações recentes no design da aeronave, inclusive o winglet desenvolvido com moderna tecnologia, reduziram o arrasto e realçaram ainda mais o desempenho do 737 MAX, principalmente em rotas de longa distância. A aeronave traz um novo motor, o LEAP-1B da CFM International, que reduz a queima de combustível e as emissões de CO2 em até 13%.

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Em termos de alcance, o 737 MAX 8 possui uma capacidade para voar mais de 3500 milhas náuticas (6510 km). Ele por exemplo é (ou era) o titular nos voos internacionais da GOL no Brasil, a rota mais longa já feita por um 737 no mundo é de Brasília (BSB) para Orlando (MCO).

Com tudo isso, a Boeing conseguiu conquistar uma enorme carteira de clientes, porém apareceram dois grandes problemas para a fabricante: Acidentes com a Lion Air e Ethiopian Airlines.

Esses dois acidentes até então sem muito conhecimento aprofundado não tinham vínculos e nem pontos em comum além de ter sido com o mesmo modelo de aeronave: O 737 MAX 8.


Após algum tempo de investigação e estudos para saber como uma aeronave tão nova, tão avançada e capaz de realizar grandes rotas com uma eficiência elevada teria acontecido dois acidentes de grandes proporções.

As investigações em conjunto com a Boeing revelaram que o 737 MAX tem um sistema defeituoso chamado MCAS, que é um sistema automatizado que impede o avião de ter o nariz elevado de forma que possa causar um estol, que é a perda de sustentação da aeronave.

O sistema MCAS conta com o auxílio de um par de sensores no nariz do avião, que medem o ângulo de ataque conforme a sua razão de subida, chamado AoA. O sensor emite resultado falho gerando uma informação errada para o computador do MCAS, o próprio software construído de forma errada interpreta o dado de uma força que resulta em um comando errado, forçando o nariz do avião para baixo.

Além do problema de computatorização e sensores, ainda há o problema de design da aeronave. Relatórios dos acidentes indicaram também que erros no design na aeronave contribuíram aos acidentes. A Boeing teve de mexer bastante na estrutura do novo 737, especialmente por conta dos motores que são maiores e ficariam mais próximo do chão se não houvesse alterações.

Por conta disso, a Boeing teve de mexer na altura, na estrutura das asas para suportar um motor maior e mais pesado, além de mexer também no centro de gravidade. Com um motor maior consequentemente aumentaria a força com que esse motor iria operar e gerar empuxo. 

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Sabemos dos problemas, mas e agora? O que é necessário fazer para que o 737 MAX volte a ser um avião seguro?

A Boeing necessita fazer a atualização dos softwares do MCAS e dos sensores que captam o ângulo de ataque, isso exigirá uma correção para as aeronaves existentes atualmente em solo e a implementação de uma correção em todos os novos aviões que saem da linha de produção.

Além das correções visíveis dos novos projetos, a Boeing precisa refazer o treinamento para os pilotos. O treinamento de adaptação do NG pro MAX exigiu poucas alterações já que é a mesma categoria com acréscimo de algumas informações. Agora esse treinamento terá de ser mais profundo, e passar por simuladores com situações onde exigirá nível técnico e conhecimento para interpretar os sinais dados pela aeronave.

Em resumo, o novo treinamento, ao invés de ser uma extensão da carteira do 737 NG, é uma nova experiência de treinamento, e a transição de pilotos do NG para o MAX será mais demorada.

E claro, não se podemos esquecer do novo marketing sobre o 737 MAX, para mostrar a todos os clientes afetados e até mesmo os futuros clientes que o avião se tornou seguro novamente e promete cumprir com eficaz o que prometeu nas vendas.

Talvez a parte mais difícil dessa renovação seja a reconquista da confiança dos passageiros, que viram os dois acidentes ocorrerem com uma aeronave que opera praticamente em todos os aeroportos.

Mostrar aos operadores que o avião foi totalmente corrigido, além de mostrar aos passageiros que não precisam ter medo e evitar de voar em determinada companhia aérea por ela utilizar os 737 MAX em sua frota, é o desafio para a Boeing no futuro, após corrigir os problemas da aeronave.

 

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