Na manhã de ontem (29/10), madrugada no horário de Brasília, um Boeing 737 MAX 8 da Lion Air com apenas dois meses de uso se acidentou minutos após a decolagem.

O acidente vitimou os 181 passageiros e 8 tripulantes que estavam a bordo, entre eles dois pilotos e seis tripulantes de cabine.

 

O que aconteceu com o voo?

A aeronave faria o voo JT-610 de Jacarta para Pangkal Pinang, na Indonésia, e perdeu contato com o radar apenas 13 minutos após a decolagem.

O voo decolou às 06h20, e teria uma duração média de 1 hora entre as ilhas, voando acima do mar.

O piloto reportou aos controladores de tráfego aéreo e pediram para retornar ao aeroporto de origem, nas proximidades de Jacarta, mas a aeronave não realizou nenhuma manobra que demonstrasse uma tentativa de retornar ao aeroporto.

Com os dados de altitude e velocidade podemos observar uma queda acentuada da altitude do avião, ao mesmo tempo que a velocidade estava aumentando, o próprio voo já estava em uma janela de velocidade “confortável”, longe do que consideramos crítico para um estol.

Enquanto a velocidade se mantinha em uma boa janela, podemos observar uma continuidade na altitude da aeronave, e até mesmo a variação negativa de altitude em um momento em que este avião deveria estar em regime de subida para o seu nível de voo em cruzeiro.

 

Histórico de manutenção e problemas anteriores

Report dos erros no voo anterior.

Apesar de ser um avião novo, no dia anterior foi reportado um problema de divergências entre a velocidade e altitude mostradas no painel do lado do comandante, em comparação com o painel do Co-Piloto.

Vale ressaltar que a indicação de velocidade dos dois pilotos são provenientes de tubos de pitot diferentes, que medem a pressão estática e dinâmica e são capazes de informar altitude e velocidade relativa para os pilotos.

Esse problema foi informado no voo anterior pelo próprio avião aos pilotos, através de uma luz que aponta a diferença de pressão entre os tubos de pitot, inclusive relacionando esse problema com um sistema separado do profundor, que está integrado ao Fly-By-Wire e recebe esses dados “básicos” do voo. O erro do profundor foi no STS, Speed Trim System.

Procedimentos de manutenção gravados no Log Book desse 737 MAX 8.

No pernoite de oito horas de duração os mecânicos realizaram algumas verificações básicas para sanar esses problemas, tais como a limpeza do tubo de pitot esquerdo, aquele localizado do lado do comandante no cockpit e que estava apontando erro na medição de pressão, consequentemente gerando a leitura errada da velocidade e altitude para o comandante.

Além disso os pilotos também atuaram naquele sistema do profundor, limpando os plugues dos chicotes elétricos, lembrando que estes chicotes não atuam no comando do profundor. Ao final eles testaram todos os sistemas e verificaram o código de erros, isso duas vezes, pois é algo sério de resolver e como boa parte das coisas na aviação, necessita de redundância. Voar com um avião sem indicação de velocidade e altitude é algo complicado e perigoso.

Cockpit do 737 MAX da Malindo Air, subsidiária da Lion Air. Esses pilotos não estão envolvidos no acidente. Foto: Daniel Tay

Os mecânicos realizaram a conferência de mais alguns pontos na aeronave e autorizaram o voo seguinte, já que aparentemente não havia nenhum problema que comprometesse a segurança, aqueles que existiam foram sanados, e isso acontece em todos os dias na aviação, quando as equipes de manutenção trabalham para deixar todos os voos seguros, se não há condições de decolar em segurança então o avião fica em solo, e a companhia precisa procurar outro avião para fazer o voo ou cancelar o mesmo.

Os mecânicos seguiram os procedimentos do manual disponibilizado pela fabricante (Boeing), dificilmente eles serão acusados de algo, mas podem colaborar para uma melhora significativa na segurança do 737 MAX 8. Por ainda não ser possível saber a real situação da cabine de comando momentos antes do acidente, não podemos aferir se esse problema foi na fabricação da aeronave ou é um problema de projeto do avião, e aqui cabe ressaltar algumas diferenças que o 737 MAX tem em relação ao 737 NG, principalmente nos aviônicos.

 

Caixa Preta

Com certeza a caixa preta vai ser essencial para indicar as verdadeiras causas desse acidente, devido à pouca comunicação dos pilotos com a torre de controle sobre esse assunto, provavelmente tentando entender o que estava acontecendo a bordo.

Os investigadores já descobriram a posição da caixa preta, e estão realizando buscas no local. Um veículo submarino operado remotamente (ROV) foi implantado no local do acidente. Um equipamento de iluminação foi enviado para o local do acidente, a fim de permitir uma pesquisa durante as 24 horas do dia.

Vale ressaltar que a caixa preta tem uma bateria com duração limitada (30 dias), e precisa ser achada o mais rapidamente possível.

Em nota a Boeing disse que está pronta para fornecer assistência técnica para a investigação do acidente.

A Lion Air informou em comunicado que o piloto e o co-piloto eram experientes, com mais de 11 mil horas de voo entre eles.

 

Resgate

Os bombeiros já descartaram qualquer possibilidade de vivos neste acidente, até às 10h00 desta terça-feira (30/10, horário de Brasília) cerca de 10 corpos foram achados inteiros, e outros em partes separadas, o que aponta a violência do choque do avião com a água. No total 24 pessoas foram levadas para a identificação nos órgãos competentes.

Muitas estruturas da aeronave foram achadas retorcidas ou amaçadas.

As equipes de resgate trabalharam durante todo o dia no local, mas como informado anteriormente, a profundidade de 30 a 40 metros e a fragmentação da aeronave complica as buscas.

 

Em vídeo:

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