(Reuters) – A Boeing deve enfrentar uma investigação antitruste da União Europeia de até cinco meses sobre a oferta pelo controle da divisão comercial da Embraer, disseram fontes familiarizadas com o assunto nesta segunda-feira.

O acordo, que marca a maior mudança no setor de aviação comercial em décadas, reformula o duopólio global dos jatos de passageiros e reforça as companhias ocidentais contra os grupos recém-chegados da China, Rússia e Japão.

A operação dá à Boeing uma posição no mercado de aviões menores, permitindo ao grupo norte-americano competir melhor com os jatos CSeries projetados pela canadense Bombardier e cujo programa foi comprado pela rival europeia Airbus.

A operação da Boeing avalia a unidade de aviação comercial da Embraer em 4,75 bilhões de dólares.

A Comissão Europeia, que estabeleceu o prazo de 4 de outubro para uma análise preliminar da transação, não respondeu a um pedido de comentário.

O agente da concorrência da UE iniciará uma investigação em grande escala após o final da análise, o que pode levar até cinco meses e aumenta a pressão sobre a Boeing para oferecer concessões para tratar de questões de concorrência.

A comissão recentemente questionou fornecedores e rivais sobre o negócio, indicando preocupações com a concentração no mercado. Eles foram questionados sobre o impacto do número reduzido de fabricantes de aviões, de sete para seis e de três para dois em vários segmentos, disse uma fonte com conhecimento direto do acordo.

A Boeing disse que estava envolvida com autoridades reguladoras em jurisdições relevantes e continua a trabalhar no processo de aprovações regulatórias.

Procurada pela Reuters, a Embraer não comentou de imediato.

As ações da fabricante brasileira de aviões recuavam 2,25%, a 19,08 reais, às 13h53, entre as maiores quedas do Ibovespa, que cedia 0,4%. Os papéis da Boeing cediam 0,29% em Nova York, a 378,28 dólares.

Analistas do BTG Pactual citaram que o prazo inicial para a análise do negócio da Boeing com a Embraer, que era para final deste ano, pode atrasar e, consequentemente, afetar o prazo para o dividendo especial esperado pelo acordo entre as empresas.

Analistas de aviação dizem que há sobreposição limitada no número de assentos entre a família 737 da Boeing e os jatos E2 da Embraer, que são menores. Há um pouco mais de sobreposição entre o portfólio da Airbus e o programa CSeries.