SAAB Gripen F-39E FAB
F-39E Gripen- Foto/Divulgação: FAB

Enquanto o novo caça brasileiro realiza testes no Centro de Ensaios em Voo do Saab Gripen F-39E na Embraer (GFTC, do inglês Gripen Flight Test Centre), em Gavião Peixoto (SP), os pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) seguem a preparação na Suécia para pilotar o novo vetor da Aeronáutica.

A primeira fase do curso, chamada de Conversion Training, é realizada em Linköping e tem como foco ajustes dos equipamentos de voo do piloto e exercícios de exigência física extrema.

Em 2020, o Major Aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de provas da FAB, foi o primeiro a receber o treinamento do Gripen C/D e o de conversão para o Gripen E. A capacitação começou em agosto do ano pasado, e o treinamento prático com o caça seguirá, ao menos, até o fim do primeiro semestre de 2021.

Antes de subir no cockpit da aeronave, o piloto passou por uma série de exercícios teóricos e recebeu preparação do equipamento necessário.

Para se ter uma ideia, o primeiro dia do curso foi dedicado a ajustes no equipamento pessoal, como no macacão de voo, no equipamento anti-G, nas botas, na máscara de oxigênio e no capacete. Foi um processo meticuloso para garantir que tudo se encaixasse perfeitamente no piloto.

No dia seguinte, o cenário da preparação foi o Centro Fisiológico de Voo da Qinetics, localizado em Malmslätt, Linköping. Lá, ele passou por treinamento na centrífuga 9G, um dos requisitos fundamentais para a pilotagem do Gripen.

Antes da prática, o Capitão Johan Ekblad ensinou ao aviador como respirar e se preparar para suportar as enormes forças que colocariam seu corpo e mente em teste.

Após a aula teórica, o Major Abdon foi direcionado à centrífuga, acompanhado por especialistas e um médico. Nela, as forças G foram aumentadas aos poucos para que ele praticasse suas novas habilidades.

Quando atingiu 8G, o Major optou por aguentar até 30 segundos – um longo tempo para esse tipo de força -, e após alguns minutos de descanso, retomou para a última sessão, a de 9G. Nessa etapa ele permaneceu por 15 segundos, sem qualquer problema, sendo aprovado ao final do período – e aliviado por ter vivenciado esse teste.

“Foi a primeira vez que eu fiz esse tipo de treinamento. Foi muito importante porque aprendi e apliquei técnica correta para a manutenção dos 9Gs. Eu tenho certeza que isso será necessário durante a operação da aeronave”, disse o aviador.

O Major recebeu ainda uma instrução sobre os procedimentos de aterragem após uma ejeção. “Pude relembrar alguns procedimentos e aprender outros utilizados aqui na Suécia no caso de uma ejeção para um pouso seguro”, afirmou o piloto.

O segundo dia de curso foi concluído com um treinamento teórico e prático de sobrevivência no mar. Houve um simulado dentro de uma piscina, com ondas, tempestade e tempo noturno. Ele recebeu orientações diversas sobre todos os procedimentos necessários caso ocorra uma aterragem dentro da água.

O treinamento sobre hipóxia, ou seja, a falta de oxigênio, ocorreu no terceiro dia, com uma aula teórica de preparação para que o piloto pudesse aprender como seu corpo é afetado pela falta de oxigênio.

“A redução do oxigênio para o cérebro resulta em perda da realidade e deterioração da capacidade mental. Algumas tarefas muito fáceis devem ser realizadas durante um fornecimento decrescente de oxigênio.”

“As tarefas tornam-se cada vez mais difíceis de executar. Neste exercício o objetivo foi aprender sobre você e os sinais que seu corpo pode dar em caso de falta de oxigênio para que se tome as medidas necessárias a tempo”, explicou.

Após os três dias de intenso treinamento, o Major Abdon foi aprovado. “Todos os instrutores me receberam muito bem e transmitiram muito conhecimento sobre como operar a aeronave no dia a dia. A experiência é extremamente valiosa para mim como piloto e representante da Força Aérea Brasileira”, afirmou.

 

Via: Saab