(Reuters) – O capitão de um avião acidentado da Ethiopian Airlines não treinou em um novo simulador do Boeing 737 MAX 8, disse um colega do piloto, antes de assumir o voo que levou à queda da aeronave no último dia 10 de março.

Yared Getachew, de 29 anos, deveria fazer um treinamento de atualização no final de março, disse seu colega à Reuters, dois meses depois de a Ethiopian receber um dos primeiros simuladores do 737 MAX.

O desastre de 10 de março, ocorrido depois da queda de um MAX 8 na Indonésia em outubro, desencadeou um dos maiores inquéritos da história da aviação, focado na segurança de um novo sistema automatizado e em descobrir se as tripulações o entenderam devidamente.

Nos dois casos, os pilotos perderam o controle pouco depois da decolagem e se esforçaram em vão para impedir que os aviões despencassem.

O MAX, que estreou dois anos atrás, tem um novo sistema automatizado chamado MCAS (Sistema de Aumento de Características de Manobras). Ele foi pensado para evitar a perda de sustentação, que pode fazer a aeronave entrar em condição de estol.

“A Boeing não enviou manuais sobre o MCAS”, disse o piloto da Ethiopian Airlines à Reuters no saguão de um hotel, recusando-se a informar o nome porque as tripulações foram orientadas a não falar em público.

“Na verdade, sabemos mais sobre o sistema MCAS pela mídia do que pela Boeing”.

Alvo de um escrutínio inédito, e com sua frota de MAX inativa em todo o mundo, a maior fabricante de aviões do mundo disse que as empresas aéreas receberam orientações sobre como reagir à ativação do programa do MCAS, e também prometeu uma atualização rápida.

A Ethiopian Airlines disse nesta quinta-feira que seus pilotos completaram o treinamento sobre as diferenças entre a aeronave 737 NG anterior e a versão 737 MAX recomendado pela Boeing e aprovado pela Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA).

Eles também foram informados sobre uma diretriz de emergência após o acidente na Indonésia, que foi incorporada a manuais e procedimentos, disse a empresa no Twitter. O simulador do 737 MAX não foi concebido para replicar problemas do sistema MCAS, acrescentou.

“Pedimos que todos os envolvidos evitem fazer tais comentários desinformados, incorretos, irresponsáveis e enganadores durante o período da investigação do acidente”, disse a companhia aérea.