Texto por: José Ricardo Botelho, Diretor-executivo & CEO da ALTA

 

À medida que nos aproximamos do final de 2020, consolida-se mais e mais a certeza de que uma das principais características da indústria da aviação civil é a resiliência. Desistir, mesmo com tantas dificuldades, não é uma opção para quem é deste setor.

Estamos encerrando um ano de imensos desafios para todos, mas que revelou a capacidade de empresas, poder público e seus gestores de gerar soluções criativas e factíveis. Na verdade, a crise, demonstrou que podemos fazer melhor e de maneira diferente.

A pandemia do novo coronavírus gerou o maior impacto global econômico e social desde a Segunda Guerra Mundial. Fronteiras fechadas e o medo da contaminação representaram uma ameaça real à indústria de aviação e às populações.

É por isso que, buscando uma forma harmonizada globalmente de enfrentar mais este desafio, a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), agência das Nações Unidas para a aviação, elaborou – junto com representantes da indústria aérea e autoridades de saúde – um guia de recomendações para a retomada do transporte aéreo, assumindo que saúde, segurança e proteção de viajantes e trabalhadores da aviação são prioridades absolutas.

Os protocolos que o Grupo de Trabalho de Recuperação da Aviação (CART) elaborou incluem todo o processo de viagem para garantir ao passageiro e à tripulação a confiança necessária para voar novamente.

Os resultados deste esforço já podem ser verificados: estudos produzidos pelo Departamento de Defesa Americano e outros, até o momento, demonstram que quando todos os protocolos são seguidos desde o momento em que o passageiro chega ao aeroporto, ao longo de sua experiência antes do embarque e durante o voo, até o momento do desembarque e da saída do terminal, o risco de contaminação é baixíssimo.

Na verdade, reduzido a níveis que indicam que os passageiros que chegam ao destino apresentam menor probabilidade de estarem infectados do que serem atingidos por um raio.

No Brasil, especificamente, tanto terminais sob administração da Infraero quanto aqueles concedidos à iniciativa privada, receberam reconhecimento de entidades internacionais quanto às medidas de biossegurança, o que se refletiu na percepção do viajante, como mostrou um levantamento realizados pelo Ministério da Infraestrutura (MInfra).

A Pesquisa de Percepção da Segurança Sanitária no Setor Aéreo, publicada em setembro, apontou que 53,1% dos entrevistados consideravam eficientes os protocolos sanitários adotados em aeroportos e aeronaves para evitar a contaminação. E um universo de 62,5% das pessoas consultadas reconheceu que voar ainda é a forma mais segura de viajar. Em nível global, este conceito sobe para 86% dos viajantes.

As companhias aéreas, submetidas às mais desafiadoras provas este ano, estão confiantes e focadas na retomada gradual do fluxo de passageiros a partir de 2021. Prova disto são os investimentos que estão sendo realizados nas frotas e na ampliação da malha aérea. Todos nós, por motivos óbvios, ansiamos pelas vacinas que nos imunizarão contra a Covid-19, mas as operadoras entendem que não é possível esperar que isto aconteça para planejar e executar. Por isso, a indústria aérea construiu em 2020 um plano robusto de enfrentamento da crise que permitiu ao setor como um todo continuar a operar, zelando pela saúde e segurança de trabalhadores e usuários, apesar da crise sanitária. Não podemos esperar para inovar e dar segurança para as pessoas.

Por isso, neste momento, a indústria se prepara para o maior e mais complexo exercício logístico de todos os tempos: abaladas pela Covid-19, que encolheu a demanda de passageiros, as companhias aéreas precisarão transportar bilhões de frascos de vacinas para todos os cantos do globo, numa missão sem precedentes, mesmo depois de precisarem reduzir equipes, rotas e aeronaves para sobreviver à crise que derrubou o tráfego aéreo global em cerca de 61% em 2020.

De acordo com a IATA, serão necessários cerca de 8 mil cargueiros Boeing 747, com capacidade de 110 toneladas, para o transporte aéreo, e levará um tempo para fornecer cerca de 14 bilhões de doses, quase duas doses para cada indivíduo no planeta.

Em uma demonstração de confiança na indústria e na tendência de recuperação, a Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA) realizará a única conferência do setor na região de forma presencial desde o início da pandemia. Será a CCMA & MRO 2020, a mais antiga e tradicional conferência de manutenção e compras técnicas da aviação, a ser realizada entre 6 e 8 de dezembro, na Riviera Maya, no México, um dos destinos que recebeu o selo Safe Travel do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), que assegura o alinhamento aos protocolos de biossegurança contra a Covid-19. O evento já tem confirmados 60 representantes de companhias aéreas e 200 representantes de empresas fornecedoras do setor.

Acreditamos que é nosso papel ser o exemplo de que é possível viajar de avião e visitar destinos maravilhosos da América Latina e do Caribe sem que isso represente riscos à saúde. A aviação é o motor de uma grande cadeia econômica da qual dependem milhões de empregos diretos e indiretos. Por este motivo, a pronta reativação do setor de viagens e turismo se traduzirá em uma recuperação econômica mais consistente e em benefícios socioeconômicos para a população.

 

José Ricardo Botelho

Diretor-executivo & CEO da ALTA

@ALTA_aeroBrasil

@jr_botelho2

 

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