Portugal vai receber reformas no Aeroporto de Lisboa, além de outro aeródromo “alternativo”

A ANA Aeroportos assinou nesta terça-feira (08/01) um compromisso com a VINCI Airports, e o governo português sobre os princípios fundamentais para a extensão da capacidade aeroportuária na Região de Lisboa, que vão resultar na expansão do Aeroporto de Lisboa e a construção do Aeroporto de Montijo.

O evento decorreu na Base Aérea Militar do Montijo, na presença do primeiro-ministro português António Costa, do ministro do Planeamento e Infraestruturas Pedro Marques e do presidente e CEO da VINCI, Xavier Huillard.

A ampliação do Aeroporto de Lisboa será vital para resolver um grave problema de infraestrutura, que afeta até mesmo os voos da TAP.

Serão mais 40 balcões de check-in, além de 22 posições de estacionamento de aeronaves, algo que será possível através da ampliação do pátio e a desativação da pista 17/35. Isso possibilitará que o local também receba o Airbus A380.

Além disso o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, vai receber mais locais para o recebimento das bagagens despachadas, e melhorar os espaços de embarque, como raio-x e imigração.

O valor total investido nessa ampliação é de 650 milhões de euros, e o aeroporto será capaz de operar 48 pousos e decolagens por hora com essa obra.

 

Montijo

Já o Aeroporto de Montijo será construído no regime de “concessão”, onde a empresa VINCI Airports, em parceria com a ANA, vão desativar a Base Aérea do local e transformar em um aeroporto “alternativo” para o de Lisboa.

A concessionária deve fixar as metas de investimento e também as taxas aeroportuárias. O prazo de concessão é até 2062, ou seja, 40 anos após a inauguração do local.

A intenção da TAP, no entanto, é ficar sozinha do Aeroporto Humberto Delgado, e deslocar outras companhias para o Aeroporto de Montijo, desta forma a capacidade de tráfego de passageiros no local é liberada. Em 2017 o Aeroporto de Lisboa movimentou 26,6 milhões de passageiros.

“A nossa visão é muito clara: é ilegal subir as tarifas na Portela para pagar o Montijo, se isso acontecer vamos recorrer aos tribunais, a gente vai às últimas consequências contra isso”, disse o presidente da TAP, Antonoaldo Neves, em uma entrevista realizada em setembro de 2018.

A maior beneficiada das reformas no Humberto Delgado será a TAP, seguida pela Hi-Fly, única companhia portuguesa que opera com o Airbus A380.

De qualquer forma o Aeroporto de Montijo não será tão grande como Lisboa, ele terá uma pista de 2400 metros de comprimento, e 36 posições para o estacionamento de aeronaves. Além disso haverá 11 aparelhos de raio-x na área de embarque, e 20 balcões de check-in. Esses números são menores do que alguns aeroportos brasileiros, como o Aeroporto de Brasília, que movimenta em média 18 milhões de passageiros por ano.

O estimado é que o local atinja a sua capacidade máxima, de 20 milhões de passageiros e 24 pousos e decolagens por hora, no fim da concessão. A construção do terminal custará 500 milhões de euros.

As obras serão iniciadas ainda em 2019, após a entrega do estudo de impacto ambiental e a aprovação do mesmo. A previsão é inaugurar o Aeroporto de Montijo em 2022.

A Força Aérea de Portugal estima que precisará de até 3 anos para mover parte da Base Aérea de Montijo para outro local, apesar de algumas aeronaves como helicópteros continuarem no mesmo ambiente das aeronaves civis, devido à compatibilidade na operação.