A autoridade de segurança da aviação civil na Itália concluiu um incidente que ocorreu em 2017 com uma aeronave da Alitalia, observando algumas novas recomendações.

Na ocasião um Airbus A320 da Alitalia, de matrícula EI-DTB, estava realizando o voo AZ9041, de Milão (Malpensa) para Roma (Fiumicino). O problema ocorreu especificamente durante a decolagem da aeronave, sendo que a mesma foi abortada pela tripulação .

A investigação apontou que a cauda da aeronave raspou na pista, durante a decolagem, e a partir desse ponto, os investigadores partiram para descobrir a causa do problema.

Inicialmente poderia ser somente um tailstrike, no entanto um outro erro estava ocorrendo no voo.

Esta operação recebeu um total de 103 passageiros e 6 tripulantes a bordo, no entanto, os tripulantes não observaram a distribuição de peso a bordo. Muitos dos passageiros ficaram na parte traseira do avião, causando um desequilíbrio sério de peso na aeronave.

De acordo com a ANSV, as condições que contribuíram para o incidente foram:

– A esporadicidade dos voos multi-trecho realizados pela companhia;
– A falta de procedimentos para controle de distribuição de carga devido à troca insuficiente de informações entre os manipuladores e despacho, também devido à inadequação do módulo utilizado para a comunicação sobre a carga para voos de várias etapas;
– A falta de verificações visuais da distribuição de passageiros a bordo antes da decolagem, em comparação com a planilha de carga;
– A falta de percepção por parte da tripulação de cabine da criticidade da distribuição de passageiros para a segurança do voo;

A ANSV informou que a aeronave não sofreu nenhum dano estrutural, mas foi constatada uma superfície desgastada de cerca de 1,80 metros por 30cm na parte inferior da fuselagem.

Os dados baixados das caixas pretas não mostraram nenhuma anomalia ou erro por parte dos pilotos, nem forneceram qualquer evidência de mau funcionamento da aeronave.

Após essa questão, os investigadores partiram para uma análise de campo.

A ANSV analisou 171 passageiros que partiram de Hamburgo, dos quais 68 com destino a Milão e 103 com destino a Roma.

O despachante em Hamburgo atribuiu as filas de assento 1-12 aos passageiros de Milão e as filas de assento 13 e à os últimos assentos para os passageiros de Roma. Além disso, as bagagens e cargas com destino a Milão foram colocadas no porão traseiro, para facilitar o serviço de solo.

O despachante errou ao não utilizar um software de balanceamento de carga, que não deixaria ocorrer esse tipo de distribuição de peso em uma operação multi-trecho.

Nessa distribuição de peso, quando a tripulação aplicava empuxo para decolagem, a aeronave ficava desequilibrada o suficiente para que a cauda raspasse na superfície da pista.

A tripulação rejeitou imediatamente a decolagem após o tailstrike, a velocidade máxima alcançada em solo foi de 42 nós, bem abaixo do necessário para a decolagem.

 

Com informações de The Aviation Herald.