Boeing USAF E-4B KC-46 REVO
Sobre uma cordilheira coberta de neve no sul da Califórnia, um KC-46 abastece um E-4B. Foto: Christian Turner/USAF.

A Força Aérea dos EUA (USAF) segue desenvolvendo as capacidades do seu mais novo avião-tanque, o KC-46 Pegasus, apesar de seus constantes problemas. No dia 04 de abril, um KC-46A realizou ensaios de reabastecimento em voo (REVO) com um E-4B Nightwatch, uma aeronave muito mais conhecida por seu infame apelido: Avião do Fim do Mundo. 

As aeronaves se reuniram sobre uma cordilheira coberta de neve no sul da Califórnia, protagonizando um raro encontro de duas gerações de aviões militares norte-americanos.  

Pilotos do 418º Esquadrão de Testes em Voo da Base Aérea de Edwards (principal centro para voos de testes e experimentais da USAF) pilotaram o KC-46, enquanto o E-4B foi conduzido pela sua própria tripulação do 595º Grupo de Comando e Controle, da Base Aérea de Offutt. 

Foto: Christian Turner/USAF.

São belas imagens, mas este não o primeiro encontro entre o veterano E-4B e o moderno KC-46. Os primeiros testes conjuntos entre as duas aeronaves ocorreram em 2021, também em Edwards. 

Baseado no 767, o KC-46A Pegasus está sendo desenvolvido desde 2011 como uma solução parcial para a antiga frota de reabastecedores da USAF, composta por dois modelos, o KC-10 Extender e o KC-135 Stratotanker. 

Apesar de ser mais moderno, o KC-46 tem passado por uma série problemas, alguns graves, que o impedem de atingir sua capacidade plena. O pior deles está no Sistema de Visão Remota (RVS), um conjunto de câmeras que é fundamental para missão do Pegasus: abastecer outros aviões. 

 

O RVS tem apresentado falhas que tornam a operação insegura, como distorções na visão. Os problemas são tão complicados que a USAF ordenou à Boeing que o sistema fosse completamente redesenhado. Este, somado a outros problemas, fez a companhia ter um prejuízo bilionário em 2020.

Em 2021 a fabricante do jato recebeu uma multa de US$ 402 milhões pelas falhas do avião. Ainda assim a USAF segue investindo firme no KC-46, e não vai desistir do contrato, apesar dos problemas. Recentemente a aeronave fez seu primeiro REVO com aviões estrangeiros.

Por outro lado, enquanto o KC-46 segue entrando nas fileiras o E-4B já está quase dando tchau. 

O Nightwatch entrou em serviço com a versão E-4A em meados de 1970. A USAF recebeu o primeiro E-4B em 1980 e desde então vem atualizando o modelo, que tem como base o Jumbo 747-200. 

E-4B sendo reabastecido por um KC-10 Extender. Foto: USAF.

Sua função é servir como um posto de comando e controle aerotransportado para líderes de governo e estado maior no caso de uma guerra nuclear, e por isso recebe o apelido de Avião do Apocalipse. Você pode ler mais sobre as capacidades únicas do E-4B e aeronaves similares neste artigo especial produzido pelo Portal Aeroflap. 

O E-4B é o avião com maior custo por hora de voo em serviço nos EUA, custando quase US$ 160.000 por cada hora voada. Mas a USAF já estuda um substituto através do projeto Survivable Airborne Operations Center (SAOC).

A Força Aérea insiste que, para atender os requisitos da missão, o novo Nightwatch precisa ser um quadrimotor. Embora os detalhes desses requisitos permaneçam confidenciais, é provável que o Boeing 747 seja a única opção, considerando o número de motores que a USAF quer, sem falar no tamanho do interior necessário.