melhor aeronave para comprar

Por Rafael Payão, diretor da Clear Prop Aeronaves.

Este artigo não tem a finalidade de descrever o passo a passo para a escolha de uma aeronave, até porque já existem inúmeras matérias sobre esse assunto. No entanto, vamos abordar um tema pouco explorado e que faz parte do processo de aquisição, o custo de manutenção, que é tão relevante que pode inclusive mudar a decisão de compra. Por exemplo, um King Air C90GTi de 2009 pode ter um total de gastos com manutenção mais baixo que um Baron G58 de 2007. Enfim, continue nessa leitura que revelaremos como um turboélice pode ser mais barato que um avião a pistão.

Qual melhor aeronave para comprar

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Parece óbvio dizer que é preciso levantar os custos da aeronave escolhida para comprar, de modo que se tenha previsibilidade financeira para os próximos anos, entretanto, ao se deparar no item manutenção, vários mitos surgem como “meu avião não gasta nem R$ 100 mil no ano”, ou, “avião mais novo sempre tem custo menor com manutenção”. Ainda, algumas empresas de consultoria e oficinas consideram toda a manutenção como um custo puramente variável, o que induz ao erro de interpretação (desconsidera os programas de manutenção existentes para alguns modelos). Para estes mitos que a empresa Clear Prop Aeronaves vem a mercado!

Primeiramente, importante esclarecer (ou relembrar) que toda aeronave possui um planejamento de manutenção com um conjunto de tarefas, onde cada uma pode ser controlada por horas de voo, tempo calendário ou por ciclos. Às vezes, as tarefas podem ter duas ou as três formas de controle simultaneamente onde o menor valor de vencimento se torna o controlador. Por exemplo, o teste de “chip detector” dos motores de um King Air B200 pode ser feito a cada 600 horas de voo ou uma vez ao ano, o que ocorrer primeiro; ou, a revisão de FCU de um JetProp que deve ser cumprida a cada 6.500 horas ou 6 anos. Claro que se o operador não tem costume voar tanto, tais tarefas acabam vencendo por data, portanto, são custos fixos.

Agora, vamos a um exemplo real de gastos. Considera que uma empresa esteja disposta a comprar um Baron G58 para manter em sua agenda por seis anos. Contudo, qual ano deste modelo é o que trará menor cadeia de custos, principalmente de manutenção?

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Bom, sabemos que a troca de alguns componentes mais caros – além do motor – acontece:

Tabela 1 – Troca de alguns componentes e seus intervalos

Componente

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Intervalo

Mangueiras de motor e combustível

5 anos

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Defletoras de motor

10 anos

Terminais de retração da bequilha

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2.000 horas

Troca eixos flexíveis de flaps

2.000 horas

Troca parafusos de asas

15 anos

Escovas motor trem de pouso

500 horas

 

E, algumas das tarefas mais caras:

Tabela 2 – Algumas inspeções mais caras e seus intervalos

Tarefa

Intervalo

Inspeção de magnetos

500 horas

Inspeção de alternadores

500 horas

Inspeção motor trem de pouso

500 horas

Revisão geral de trem de pouso (motor)

2.000 horas

Ensaio não destrutível de parafusos de asas

5 anos

Revisão geral de hélices

2.400 horas ou 6 anos

 

Para este caso, vamos considerar que todos os Baron G58 tenham voado 180 horas por ano durante toda sua vida e que manterá o mesmo ritmo por mais seis anos. Com isso, temos os seguintes gastos com manutenção prevista para os próximos seis anos:

Tabela 3 – Média de gastos com manutenção em seis anos do G58

Ano

Média em seis anos, voando 180 horas/ano.

2005

R$ 100.072,81 (média ao ano)

2007

R$ 66.145,61 (média ao ano)

2010

R$ 72.012,68 (média ao ano)

 

Na tabela acima, é apontado que um G58 de 2007 é o que trará menor total de gastos com manutenção nos próximos anos, porque as tarefas mais caras já foram cumpridas. Portanto, somente esta tabela conclui que nem sempre avião mais novo possui menor custo.

Por outro lado, ressaltando que o histórico do avião também importa, vamos mudar o total de horas voadas ao ano por toda a vida de 180 para 250 horas. Considerando que o novo proprietário manterá a mesma previsão de voos da tabela anterior, temos as previsões:

Tabela 4 – Média de gastos com manutenção em seis anos do G58 com maior uso

Ano

Média em seis anos, voando 180 horas/ano.

2005

R$ 69.649,97 (média ao ano)

2007

R$ 123.279,32 (média ao ano)

2010

R$ 100.253,61 (média ao ano)

 

Bom, imagino que ficou assustado, não? O queridinho da tabela 3 se tornou o vilão na tabela 4 e o avião mais velho se tornou o mais barato. É isso mesmo! Considerando aeronaves com maior histórico de uso, hoje (no ano de 2022), um G58 de 2005 é o que trará menor total gasto com manutenção em seis anos. Se estender além desse período, ele perde a vantagem.

Contudo, fica claro que não existe um número ou uma fórmula mágica que representa genericamente a média anual de gastos com manutenção do avião A ou B, a não ser é claro, se estivéssemos falando de programas de manutenção, mas, que só existem para poucos modelos à hélice e alguns “jatos” executivos.

O diretor da Clear Prop Aeronaves, Rafael Payão, ressalta que não somente o ano da aeronave, mas o histórico de uso é o determinante para a projeção de custos.

Exemplificando mais uma vez, vamos agora aumentar a projeção de gastos para sete anos. Um Baron G58 2007 com grande acumulado de horas voadas, conforme tabela 4, pode ter a projeção de gastos com manutenção por sete anos maior que um King Air C90GTi de 2009 que voou 140 horas ao ano por toda sua vida. Estamos falando de R$ 123.279,32 de média ao ano do Baron 2007, contra R$ 87.712,59 do C90GTi. Já um de 2010 se tornaria o vilão, conforme tabela 5.

Tabela 5 – Média de gastos com manutenção em seis anos do King Air C90GT e após.

Ano

Média em seis anos, voando 180 horas/ano.

2006

R$ 102.594,16 (média ao ano)

2009

R$ 87.712,59 (média ao ano)

2010

R$ 128.771,01 (média ao ano)

 

O C90GTi de 2009 é o mais barato da tabela acima, além da comparação feita anteriormente. Um dos motivos se deve ao modelo de 2010 ter que cumprir duas vezes as tarefas de manutenção que vencem a cada seis anos, por exemplo, enquanto que o 2009 fará apenas uma vez nesse período de sete anos.

Veja a tabela abaixo e note alguns dos intervalos de tarefas que custam mais.

Tabela 6 – Algumas Trocas e inspeções mais caras do C90GT e após.

Componente

Intervalo

Troca de mangueiras do trem de pouso

10 anos

Inspeção de seção quente (HSI)

1.800 horas

Revisão de “Starger/Generator”

1.000 horas

Revisão de hélices

4.000 horas ou 6 anos

Revisão de trem de pouso

8.000 ciclos ou 6 anos

Troca de parafusos de asas

15 anos

 

Importante destacar que para os valores de manutenção utilizados neste artigo não consideramos rateio para revisão geral de motores, panes e outros gastos inerentes. Também, consideramos que as aeronaves utilizadas nos exemplos cumpriram as tarefas exatamente no dia ou total de horas do vencimento.

Por fim, destacamos a importância do acompanhamento de um consultor durante o processo de aquisição de sua aeronave. Não é justo que o novo proprietário seja pego por uma cadeia de custos, injustamente. Contudo, sugerimos a confiança na Clear Prop em todo esse processo, porque temos “know-how” e focamos sempre na acurácia e na informação correta. Entre em contato para receber seu relatório de análise de compra de aeronave e para calcularmos sua projeção de custos para o período que deseja saber.

Encerramos esse artigo com um comunicado importante que vai mudar a forma de fazer negócio com aeronaves executivas no Brasil! Em breve, lançaremos um software online que calcula automaticamente o orçamento anual da aeronave que um usuário determinar, de forma gratuita. Basta acompanhar a @clearpropaeronaves no Instagram para ficar por dentro desta grande novidade no país.

Bons negócios e ótimos voos!

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