Recuperação do transporte aéreo de carga continua lenta em outubro

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA – International Air Transport Association) divulgou os resultados dos mercados globais de transporte aéreo de carga de outubro, mostrando que a demanda por carga aérea continua melhorando, mas em ritmo mais lento que o mês anterior e abaixo dos níveis de 2019.

A demanda global, medida em toneladas de carga por quilômetro (CTKs*), caiu 6,2% em outubro de 2020 em relação ao mesmo período do ano passado (-7,5% nas operações internacionais).

Esse resultado representa uma pequena melhoria em relação à queda de 7,8% registrada em setembro. Porém, o ritmo da recuperação em outubro foi menor que em setembro, com a demanda mês a mês subindo 4,1% (1,1% nas operações internacionais).

A capacidade global, medida em toneladas de carga disponível por quilômetro (ACTKs), diminuiu 22,6% em setembro (-24,8% nas operações internacionais) em relação ao ano passado, resultado quase quatro vezes maior do que a queda da demanda, indicando redução contínua e grave da capacidade.

Continuam as fortes variações regionais, com as transportadoras norte-americanas e africanas apresentando ganhos na demanda ano a ano (+6,2% e +2,2%, respectivamente), enquanto as outras regiões continuaram com resultados negativos em relação ao ano anterior.

A melhoria no desempenho está alinhada ao avanço nos principais indicadores econômicos. 

O novo componente de pedidos de exportação do PMI – Purchasing Managers Index, índice que mede a atividade econômica do setor de manufatura, ficou acima da marca de 50% pelo segundo mês consecutivo. Resultados acima de 50% indicam crescimento econômico. Este é um desenvolvimento significativo, pois o PMI apresentou crescimento negativo desde meados de 2018 até agosto de 2020;


O comércio global de produtos continuou apresentando tendência de alta nos últimos meses, de acordo com a Organização Mundial do Comércio. O aumento não será suficiente para evitar a queda anual de 9,2% em relação a 2019. Mas grande parte dessa perda será recuperada em 2021 com uma expectativa de crescimento anual de 7,2%;

O PMI composto global, que reflete mudanças na produção global, emprego, novos negócios, pedidos em atraso e preços, indica que a recuperação econômica continuará no 4º trimestre de 2020, apesar da nova onda do vírus da COVID-19 em muitos mercados

“A demanda por carga aérea está voltando – uma tendência que continua no quarto trimestre. O maior problema da carga aérea é a falta de capacidade, pois grande parte da frota de aeronaves de passageiros permanece parada. O final do ano é sempre a alta temporada da carga aérea que, neste ano, provavelmente será mais agitado com os clientes comprando pelo comércio eletrônico, considerando que 80% dessas compras são entregues por via aérea. Portanto, a redução da capacidade com as aeronaves paradas será particularmente difícil nos últimos meses de 2020. E a situação ficará ainda pior quando começarmos a planejar a capacidade para as entregas de vacinas”, disse Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da IATA.

Desempenho por região em outubro

As companhias aéreas da região Ásia-Pacífico tiveram queda de 11,6% na demanda por carga aérea internacional em outubro de 2020 em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse resultado foi melhor em relação à queda de 14,6% em setembro de 2020 e o segundo mês consecutivo de melhoria. A capacidade internacional permaneceu limitada na região, com queda de 28,7%. Porém, esse resultado foi melhor que a queda de 31,8% na capacidade do mês anterior. As companhias aéreas da região relataram a maior taxa de ocupação internacional, indicando um sólido apetite por serviços de carga aérea.

As transportadoras da América do Norte registraram aumento de 1,3% na demanda internacional em outubro em relação ao mesmo período de 2019; este é o segundo mês de crescimento em 10 meses. Este forte desempenho, em relação às outras regiões, foi resultado do comércio nas rotas Ásia-América do Norte, refletindo a crescente demanda do comércio eletrônico por produtos fabricados na Ásia e menores quedas da capacidade do que outras regiões. O mercado doméstico da região desacelerou ligeiramente em relação a setembro, mas permaneceu robusto. A capacidade internacional diminuiu 16,6%.

As transportadoras da Europa relataram queda de 11,9% na demanda de outubro em relação ao mesmo período de 2019. Este resultado foi um avanço em relação à queda de 15,6% registrada em setembro de 2020. A carga aérea na região não foi afetada pela nova onda do vírus da COVID-19. A capacidade internacional diminuiu 28%, uma melhoria em relação à queda de 32,6% no mês anterior.

As transportadoras do Oriente Médio relataram queda de 1,9% no volume de carga internacional em relação a outubro do ano passado, resultado sem alteração quando comparado a setembro. No entanto, o ritmo de recuperação em outubro foi mais lento do que em setembro com a demanda mensal melhorando 6,0% e 2,5%, respectivamente. O desempenho mais fraco foi resultado da queda de demanda nas rotas entre África e Oriente Médio. A capacidade internacional diminuiu 22,7%.

As transportadoras da América Latina apresentaram queda de 12,5% nos volumes de carga internacional em outubro em relação ao mesmo período do ano anterior. Esta foi uma melhoria significativa em relação à queda de 22,2% registrada em setembro de 2020. O ritmo de recuperação mês a mês foi o mais forte entre todas as regiões em outubro, com a demanda subindo 4%. O desempenho ano a ano melhor da região pode ser parcialmente atribuído ao fraco crescimento no mesmo período do ano passado. Porém, a melhoria das condições operacionais em alguns mercados importantes, incluindo o Brasil, e a recuperação da capacidade de carga também contribuíram para esse resultado. A capacidade internacional diminuiu 29,1% em relação à queda de 32,1% registrada em setembro.

As companhias aéreas da África apresentaram aumento de 2,8% na demanda de outubro em relação ao mesmo período de 2019, resultado inferior ao crescimento de 12,1% registrado em setembro. Apesar disso, a região ainda registrou o maior aumento na demanda internacional. A queda no desempenho pode ser atribuída à desaceleração no mercado entre a Ásia e a África, que apresentou desaceleração de 19 pontos percentuais da demanda na comparação ano a ano. A capacidade internacional diminuiu 20,8%.

 

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