China Rússia CR929
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A Rússia voltou a discordar sobre o andamento do projeto CR929, lançado pela estatal russa UAC e a outra estatal, mas da China, a COMAC.

O vice-primeiro-ministro da Rússia, Yury Borisov, declarou que após algumas discordâncias, a Rússia deve reduzir a sua participação no projeto, ou até se retirar totalmente do desenvolvimento. Essa ameaça da Rússia de se retirar do projeto já ocorreu antes, quando a COMAC queria assumir todas as vendas para a China, sem participação da UAC.

“Temos esse projeto com a China, não está indo do jeito que gostaríamos. À medida que a China se torna um gigante industrial, está cada vez menos interessada em nossos serviços”, disse Borisov, segundo a agência de notícias estatal russa TASS. 

Os chineses têm mais exigências do que nós temos hoje. Nosso envolvimento [no projeto CR929] fica cada vez menor. Não quero prognosticar o futuro deste projeto – vamos nos retirar dele ou não. Até agora está acontecendo”, disse Borisov. 

Vale ressaltar que nos últimos dias os russos declararam que os dois países estavam procurando desenvolver um CR929 com componentes orientais, sem dependência de indústrias europeias ou norte-americanas. O movimento é para evitar que sanções afetem a produção ou utilização do novo widebody.

Um dos principais componentes é o motor russo PD-35, desenvolvido com base no motor de nova geração Aviadvigatel PD-14. Sem este propulsor, a China teria que desenvolver tecnologias para criar um motor totalmente inédito, e eficiente, para uso da aviação comercial.

Os chineses já fabricam motores, contudo, geralmente estes são versões de uso militar baseadas em tecnologias da Rússia, desenvolvidas na época da União Soviética ou na década de 90.

A Rússia também está desenvolvendo diversos componentes estruturais em materiais compósitos, assim como no caso do MC-21, enquanto a China trabalha nos aviônicos e no interior da aeronave. Sem participação da Rússia, os chineses precisariam desenvolver também esses componentes, utilizando sua experiência no C919.

Anteriormente a CRAIC anunciou que o novo conceito do CR929 se aproxima do tamanho do A330-900neo, e também vai precisar de um motor ainda mais potente, com 78000 lbs de empuxo, antes a UAC estimava um motor de 71000 lbs para a aeronave.

Apesar do tamanho maior, a estimativa de autonomia permanece a mesma (para o CR929-600), de 12000 km. De acordo com a CRAIC isso é suficiente para cumprir a maioria das rotas de longa distância, incluindo os voos da Ásia para os Estados Unidos.

A família de aeronaves incluirá versões com a fuselagem esticada (CR929-700) e com a fuselagem menor (CR929-500).

A aeronave terá 63,25 m (208 pés) de comprimento. Isso é apenas 45 cm mais curto que o A330-900neo, apesar disso a largura da fuselagem é de quase 6 metros, maior que a concorrência e equiparável ao A350, uma aeronave de categoria superior.