Sem acordo com sindicatos, LATAM Brasil pode demitir mais de 8000 funcionários

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Foto - Airbus/Divulgação

A LATAM Brasil atingiu um impasse com o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) nesta última semana, o que pode fazer a companhia infelizmente demitir forçadamente, e sem acordo trabalhista, cerca de 2700 pilotos e comissários.

Entre as negociações, a LATAM propôs uma flexibilização da convenção coletiva de trabalho, implementando novas regras para a remuneração dos tripulantes.

O sindicato, considerando a já atual redução de até 50% nos salários, se opôs ao acordo, ao mesmo tempo que não quer fechar nada envolvendo demissões de tripulantes, mesmo sabendo da complicada situação da companhia neste momento.

“Estamos descrentes sobre a real intenção da empresa em buscar o consenso na medida em que propõe uma redução permanente no salário para uma situação que é temporária”, disse o presidente do SNA, Ondino Dutra, ao O Globo.

Em nota a LATAM Brasil disse: “A Latam informa que segue em negociação com o sindicato dos aeronautas”. O sindicato confirmou essa informação, na entrevista do O Globo, mas diz que poucas evoluções nas negociações com a LATAM.

De acordo com Ondino, além da proposta de redução de 50% na remuneração até o fim de 2021 para os que ficam na companhia, a LATAM precisa que seu programa de demissão voluntária atinja pelo menos 2700 pilotos e comissários, para não considerar a realização de demissões involuntárias.

Os tripulantes que aceitarem a demissão voluntária terão a preferência de retorno à companhia, quando a demanda se normalizar.


Nesta ocasião, a LATAM reduz seu quadro em 2700 tripulantes, e fica com 4965 deles para restaurar os seus voos.

“A categoria tem demonstrado vontade em buscar um acordo para a proposta de redução temporária dos salários e com isso garantir a manutenção dos empregos nos próximos 18 meses”, disse Dutra.

A GOL já firmou um acordo com o SNA nesse sentido, de reduzir os salários porém manter os empregos, e a Azul segue na mesma linha, e deverá fechar nessa semana um acordo com o SNA para os seus tripulantes.

Já Ondino acusa a LATAM de tentar mudar a remuneração mesmo após 2021, e que, nos moldes da lei, isto não é possível, e abre chances de outras companhias solicitarem o mesmo procedimento.

Além disso, a LATAM Brasil segue negociando com outro sindicato, o dos aeroviários, que trabalham nos serviços de solo, onde planeja demitir até 5529 funcionários a partir de 1º de julho, totalizando o desligamento de mais de 8000 funcionários, quando contabilizamos os tripulantes.

As negociações prosseguem, mas assim como em outras companhias, as demissões são quase inevitáveis.

 

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