Apesar de continuar negando uma possível canibalização de vendas do A319, ao assumir o setor de vendas do CS300, a Airbus poderá replicar a tentativa do sucesso através do CSeries, que é um avião mais eficiente com a mesma capacidade de assentos.

Isso tudo porque a Airbus não conseguiu muitas encomendas para o A319neo, que está em processo de certificação atualmente, apenas 51 unidades serão fabricadas se nenhum cliente se interessar pela aeronave nos próximos anos.

Mas tudo isso ocorre pois o avião da Airbus deixou de ser atrativo para o mercado, assim como o Boeing 737 MAX 7, que a Boeing precisou até mesmo mudar o tamanho do avião para adequar aos interesses das companhias aéreas.

Os aviões regionais cresceram de tamanho com a última geração, o E195 teve sua capacidade máxima alterada de 124 assentos para 146, a Bombardier seguiu a mesma filosofia e já projetou o CSeries como um avião maior, com configuração 2-3 na classe econômica e capacidade para até 160 assentos na versão CS300.

Mesmo crescendo de tamanho, a diferença de peso não é grande o suficiente. Um CS300 tem seu peso operacional de aproximadamente 37 toneladas, enquanto o A319neo pesa 47,1 toneladas.

Com aeronaves menores e mais econômicas, em comparação com o A319neo e o 737 MAX 7, as empresas de jatos regionais conseguiram um maior número de encomendas para esses aviões, além de maior interesse de companhias que ainda não operam com esses equipamentos.

Cerca de 1500 A319 foram vendidos, mas desde 2012, as vendas anuais do tipo raramente foram divididas em grandes encomendas. As companhias encomendaram apenas 51 aviões A319neo.

“Nós não vendemos nenhum A319 nos últimos cinco anos”, disse Tom Enders durante um briefing sobre o acordo da CSeries em 17 de outubro. “Eu acho que responde a essa pergunta”.

Mas a Airbus, como disse Tom Enders, pode emprestar seu poder de vendas global ao CSeries e “desbloquear o potencial total” de vendas do jato regional.

Ele ressaltou que o CSeries tem a capacidade de capturar um “pedaço importante” da demanda por cerca de 6000 aeronaves em seu setor nos próximos 20 anos.

“A Airbus possui uma posição única para fazer tudo isso acontecer”, disse Enders. “Nosso alcance e escala global nos ajudará a impulsionar a competitividade comercial”.

Foto – Bombardier

A aquisição permitirá que a Airbus se concentre em sua família de corredor único de maior capacidade, enquanto a CSeries “cobrirá a extremidade inferior”, disse Enders, e oferece um “espectro completo” aos clientes.

Mas enquanto as duas linhas de aeronave são distintas, ele sinalizou que o Airbus terá como objetivo aproximar os dois projetos.

A Airbus pode até mesmo no futuro desenvolver uma gama de aeronaves com único corredor mais harmonizadas, visto que atualmente a empresa já está trabalhando no A319neo e não planeja deixar o projeto de lado. A Airbus vai aproveitar o design e a tecnologia dos CSeries para trazer mais economia de custos a esse setor, por enquanto cada aeronave permanecerá com seu nome oficial.