A Siemens vem desenvolvendo sua unidade de motores elétricos para uso aeronáutico há vários anos, e atingiu um satisfatório nível de desenvolvimento das suas unidades motrizes, colocando a fabricante como uma das maiores nesse ramo.

Mas toda essa ambição da empresa foi desfeita recentemente, ao vender sua divisão de motores aeronáuticos elétricos e híbridos para a tradicional Rolls-Royce, que iniciou recentemente um projeto nessa área.

Foto - Siemens/Divulgação
Motor elétrico da Siemens que pesa 50kg (sem hélice) e fornece 260 KW.

A compra deverá ser concluída até o final de 2019, e inclui uma equipe de 180 engenheiros especializados na Alemanha e Hungria.

“Acreditamos que a propulsão elétrica pura, ou totalmente elétrica, irá alimentar aeronaves menores no futuro previsível, enquanto as aeronaves maiores dependerão de soluções elétricas híbridas que combinem a eletrificação com as evoluções da turbina a gás”, disse o diretor de tecnologia da RR, Paul Stein.

 

Colaboração entre a Rolls-Royce, Siemens e Airbus

Anteriormente, em 2017, as três empresas fecharam um acordo para desenvolver propulsores elétricos para aeronaves experimentais e até mesmo projetos futuros.

A aeronave de testes se chamará E-Fan X, com base no nome E-Fan, já utilizado pela Airbus em um protótipo que se aposentou neste ano, com capacidade para dois passageiros e autonomia de voo de 45 minutos, usando somente propulsão elétrica.

O E-Fan X será baseado na estrutura do BAe 146, serão três motores convencionais e um motor elétrico com potência de 2MW, aproximadamente 2680 cavalos-vapor. Para isso a Airbus precisa adaptar a estrutura para receber o motor elétrico. O primeiro voo desse protótipo deverá ser realizado até 2021.

A intenção das três empresas é clara, colocar em prova um motor elétrico de alta potência, para saber qual é o comportamento térmico do motor, bem como a propulsão gerada em uma altitude de cruzeiro simples, para o voo regional. A Airbus, juntamente com a Siemens, já aprendeu bastante com os conceitos Cri-Cri Elétrico, e-Genius, E-Star e o E-Fan, mas todos esses aviões usaram motores à hélice de baixa potência.

Outros efeitos podem ser observados em motores elétricos de alta potência, um campo magnético é formado, e a Airbus quer analisar como isso altera o comportamento do sistema elétrico de um avião, considere que atualmente uma aeronave da fabricante europeia é bem dependente do fly-by-wire.

Na época as responsabilidades foram divididas da seguinte forma:

– A Airbus seria responsável pela integração geral, bem como pela arquitetura de controle do sistema de propulsão híbrido-elétrico e as baterias, também cuida da integração com os controles de voo.

– A Rolls-Royce seria responsável pelo motor turbo-eixo, o gerador de dois megawatts e a eletrônica. Juntamente com a Airbus, a Rolls-Royce também trabalha na adaptação do fan à nacele existente e ao motor elétrico da Siemens.

– A Siemens fornece os motores elétricos de dois megawatts e sua unidade de controle eletrônico de potência, bem como o inversor, conversor DC/DC e o sistema de distribuição de energia.

Com essa venda da Siemens, a Rolls-Royce deve ser responsável pelas funções de propulsor elétrico.