F-2000A Typhoon da Força Aérea Italiana em Beast Mode. A aeronave carrega quatro mísseis AIM-120, dois mísseis IRIS-T, duas bombas GBU-48 Enhanced Paveway II, de 454kg, dois tanques de combustível subalares e um casulo Litening. Foto: Força Aérea Italiana.

A Força Aérea Italiana (Aeronautica Militare – AMI) publicou em seu Twitter uma foto de um de seus caças multifunção Eurofighter Typhoon em configuração Beast Mode durante um treinamento.

Na foto, a aeronave do 4º Stormo (4ª Ala) da Base Aérea de Grosseto está armada com uma impressionante carga de quatro mísseis guiados por radar ativo AIM-120 AMRAAM, dois mísseis guiados por calor IRIS-T, quatro bombas GBU-48 Enhanced Paveway II, dois tanques subalares e um pod Litening para identificação de alvos e guiagem de bombas.

A GBU-48 é uma nova versão da GBU-16 Paveway II de 454kg (1000 libras). Enquanto a 16 é guiada somente por laser, a 48 pode ser guiada tanto por laser quanto por GPS, aumentando as capacidades de emprego. 

De acordo com o The Aviationist, algo que chama atenção, além das novas bombas, é o fato da AMI estar cada vez mais adotando configurações Swing Role em seus F-2000A, como são designados os Typhoons na Itália (os biplaces são chamados de TF-2000A).

Swing Role é a capacidade de um caça multifunção trocar rapidamente de papel em uma missão, podendo realizar um enfrentamento ar-ar ou um ataque ao solo de acordo com as rápidas mudanças de necessidade no momento do combate. 

Segundo o site, inicialmente, a AMI não planejava empregar seus Typhoons em missões ar-solo, deixando essas para seus caças-bombardeiros A-11B Ghibli (AMX) e Panavia Tornado. 

Em 2016, durante sua participação no exercício multinacional Red Flag, nos Estados Unidos, três caças italianos já eram Tranche 2, com upgrades da série P1E(B) e com as últimas atualizações no software, o que permitiu que os aviões carregassem um pod Litening e duas bombas guiadas por laser GBU-16 Paveway II, a fim de validar táticas em desenvolvimento desde 2015, quando os Tranche 2 iniciaram os Testes e Avaliações Operacionais. 

Na época, a AMI afirmou que que as capacidades de Swing Role estavam sendo desenvolvidas apenas para dar suporte às vendas da aeronave, auxiliando a indústria a promover o caça em regiões específicas (no caso o Kuwait, que adquiriu 28 caças em 2016). 

Após a Red Flag, um grupo de pilotos experientes foi destinado à nova função e as tripulações que já estavam qualificadas para dupla função participaram de um curso TLP (Programa de Liderança Tática) na Base Aérea de Albacete, voando na missão Swing Role.

“A superioridade aérea continua sendo nossa principal missão”, disse o Coronel Pederzolli, comandante do 4º Stormo, ao portal durante uma entrevista em 2016.

No entanto, no ano passado, usando os lançamentos de software que incorporam um potencial ar-superfície significativo, começamos a voar missões Swing Role com o objetivo de obter uma capacidade secundária ar-solo limitada.”

No início desse mês, a AMI publicou imagens de dois Typhoons do 36º Stormo retornando à base após uma missão de treinamento em configuração Swing Role.

Entre março de 2019 e agosto de 2020, a AMI enviou Typhoons ao Kuwait para realizar missões de reconhecimento em apoio à Operação Inherent Resolve, combatendo o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Empregando o pod RecceLite II (versão de reconhecimento do Litening), os caças voaram mais de 2000 horas no Oriente Médio, um marco na evolução multifunção dos F-2000A. 

A integração da moderna GBU-48 e o incremento das capacidades Swing Role do Typhoon é uma evolução para a AMI, seguindo os passos da Força Aérea Real — pioneira no uso ar-solo do caça de 4.5 Geração, tendo empregado o míssil de cruzeiro Storm Shadow recentemente — e da Força Aérea Alemã, que já havia integrado a bomba em seus caças.

Typhoon FGR.4 da RAF com mísseis ar-ar ASRAAM e Meteor, mísseis ar-solo Brimstone e bombas Paveway IV. Foto: RAF.