Sukhoi Su-27UB Ucrânia
Sukhoi Su-27UB da Força Aérea Ucraniana. Foto: Chris Lofting via Wikimedia.

As tensões diplomáticas entre Ucrânia e Rússia estão, a cada dia que passa, se intensificando. Nas últimas semanas o ex-país soviético aprimorou as negociações para ingressar na aliança militar OTAN, composta por diversos países europeus. Por outro lado, a Rússia concentra cada vez mais tropas na fronteira da Ucrânia, e não está aberta a negociações.

Um país vizinho da Ucrânia, a Polônia, declarou hoje (13) através do ministro das Relações Exteriores da Polônia, Zbigniew Rau, que teme uma escalada nas tensões militares entre os dois países.

“Parece que o risco de guerra na área da OSCE é agora maior do que nunca nos últimos 30 anos”, disse Rau durante um evento em Viena que reuniu líderes de 57 nações, a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Zbigniew Rau foi eleito o presidente da OSCE.

Atualmente cerca de 100 mil soldados russos estão deslocados para a região da fronteira leste da Ucrânia. Ao norte está a Bielorrússia, temida pelos países europeus por ser um parceiro da Rússia na área militar.

Quatro caças furtivos russos Su-57. Foto: Ministério da Defesa da Rússia

Além disso, constantes exercícios militares no espaço aéreo da Rússia estão ocorrendo nas últimas semanas, também nas proximidades da fronteira com a Ucrânia. Enquanto isso, a Rússia nega que esteja interessada em invadir a Ucrânia, mesmo com diversas movimentações militares.

O embaixador dos EUA, Michael Carpenter, disse após conversas com a Rússia em Viena que o Ocidente deveria se preparar para uma possível escalada nas tensões com Moscou. 

“O rufar da guerra está soando alto, e a retórica ficou bastante estridente”, disse ele a repórteres, concordando com Rau que não há diálogo atualmente, apesar da Rússia dizer o contrário.

A Rússia disse que o diálogo continua, mas está chegando a um beco sem saída ao tentar persuadir o Ocidente a impedir a Ucrânia de ingressar na Otan e reverter décadas de expansão da aliança na Europa – exigências que os Estados Unidos chamaram de “não-iniciantes”. Militares estão se reunindo rotineiramente com Vladimir Putin, para evitar uma escalada no conflito.

Foto: Vladimir Rodionov/AFP

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse: “Acredito que a única maneira de os russos confirmarem sua falta de intenção de resolver os problemas pela força é continuar a discussão nos formatos estabelecidos, em particular na OSCE”.

O embaixador Lukashevich disse à OSCE que, a menos que Moscou receba uma resposta construtiva, “seremos forçados a tirar conclusões apropriadas e tomar todas as medidas necessárias para garantir o equilíbrio estratégico e eliminar ameaças inaceitáveis ​​à nossa segurança nacional”.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, ainda completou ressaltando que a OTAN já engloba 14 ex-países soviéticos, dos 28 que compõe a aliança militar, e tal movimentação ameaça a Rússia pela proximidade da OTAN com a fronteira. Caso entrasse na OTAN, a Ucrânia ampliaria a área de fronteira da aliança com a Rússia de forma significativa, sendo o único país ao sul da Rússia com tal influência.

A Rússia quer nitidamente impedir que a Ucrânia se filie à OTAN, de acordo com o próprio governo.

O Governo Russo disse que decidirá sobre seus próximos passos após as negociações desta semana e ameaçou “medidas técnico-militares” não especificadas, se suas exigências forem rejeitadas.

Em dezembro a Rússia interceptou, utilizando Caças Su-27 Flanker, aeronaves caças Rafale e Mirage 2000D, e um avião-tanque KC-135 Stratotanker da Força do Ar e Espaço da França que sobrevoavam em missão da OTAN o Mar Negro. Não houve nenhuma violação do espaço aéreo da Rússia.

Pouco antes a Rússia acusou a OTAN de colocar um voo comercial do país em perigo, após uma aeronave de reconhecimento voar perto de um avião da estatal Aeroflot. Este foi mais um capítulo de incômodo das forças de defesa da Rússia com a OTAN em 2021 nos céus.

 

Com informações de Reuters.

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