Legion pod IRST F-16 F-15 USAF
Equipados com o pod Legion, os caças F-16 e F-15 conseguiram triangular a posição de um alvo e compartilhar dados através de datalink. Foto: USAF.

A Força Aérea dos EUA (USAF) concluiu no dia 07 de abril uma série de testes com um pod de sensor de busca e rastreamento por infravermelho (IRST) montado em caças F-15 e F-16, compartilhando dados através de datalink. 

Nas avaliações, que tiveram duração de duas semanas, as aeronaves de combate foram capazes de triangular a posição de um alvo utilizando apenas o Legion Pod, produzido pela Lockheed Martin, sem empregar o radar ou qualquer outro recurso de busca ativa. 

“A tecnologia IRST fornece um facilitador chave na cadeia de abate de longo alcance, bem como a capacidade de localizar alvos em um domínio multiespectral”, disse o Tenente-Coronel Jeremy Castor, gerente do programa de sensores do F-16 da Força de Teste Combinada do Programa de Voo Operacional.

Foto: USAF.

“Qualquer cenário de grande força inclui vários tipos de aeronaves, cada uma com diferentes pontos de vista do espaço de batalha. A capacidade de compartilhar dados fornece informações ao combatente que eles não conseguiriam de outra forma.”

Um F-15C Eagle e um F-16D Fighting Falcon de dois assentos, ambos equipados com o IRST21 montado no Legion Pod, utilizaram o datalink integrado do instrumento para compartilhar dados do alvo em tempo real. No F-15, o pod foi instalado no cabide central, enquanto que no F-16 foi carregado na estação 5R, na lateral direita da entrada de ar. 

Segundo a USAF, a interface comum do Legion Pod permite a integração em qualquer aeronave com pouquíssimo ou nenhum impacto no seu software principal. Essa versatilidade abre as portas para a integração com o mínimo de esforço em outros caças, como o F-15EX Eagle II, mais novo caça da Força Aérea dos EUA.

“Nosso próximo passo será explorar os recursos operacionalmente relevantes que o IRST com um datalink avançado fornece ao combatente”, disse Castor. “O objetivo final é fornecer esse recurso para qualquer aeronave que carregue um pod Legion, independentemente da plataforma.”

Foto: USAF.

O primeiro teste bem-sucedido entre dois F-15 com o IRST21 com enlace de dados integrado ocorreu no exercício Northern Edge, em abril de 2021. No caso do F-16, a primeira avaliação de sucesso com o mesmo sistema, entre duas aeronaves, ocorreu em dezembro de 2021 na Base Aérea de Eglin. 

A conclusão bem-sucedida deste teste entre o F-15 e F-16 no início do mês marcou um evento significativo no progresso contínuo do programa, destaca a USAF. 

O emprego do IRST fornece uma grande vantagem aos pilotos, já que pode detectar e rastrear qualquer aeronave (mesmos os caças stealth) de forma passiva através de seu espectro infravermelho (calor) sem emitir qualquer sinal, ao contrário da detecção por radares. Por outro lado, o IRST pode sofrer interferências pelas condições atmosféricas.

No passado os EUA empregaram sensores IRST em seus caças, como o F-14D Super Tomcat e F-4 Phantom II, mas não o instalaram no F-15 e F-16. Era previsto que o F-22 recebesse IRST também, o que não ocorreu. A tecnologia voltou no F-35 na forma do EOTS. A Rússia, por outro lado, nunca abandonou os sensores IR. Modelos europeus como o Rafale, Typhoon e Gripen E possuem IRST orgânico.