A Força Aérea dos EUA (USAF) e um grupo de investidores privados fecharam um contrato de US$ 60 milhões com a companhia Hermeus. O objetivo é financiar a companhia que promete desenvolver o primeiro avião hipersônico reutilizável, projeto que mais tarde deverá evoluir para uma aeronave de passageiros hipersônica, que inclusive poderia se tornar o próximo Força Aérea 1. 

Com o investimento milionário do Laboratório de Pesquisas da Força Aérea (AFRL) e da Diretoria de Transporte Aéreo Presidencial e Executivo do Centro de Gerenciamento do Ciclo de Vida da Força Aérea,, a Hermeus vai prosseguir no desenvolvimento do demonstrador de tecnologia Quarterhorse, uma aeronave não-tripulada que ultrapassará 5 vezes a velocidade do som (Mach 5). Para atingir essa velocidade, o avião usará o motor TBCC (Turbine-Based Combined Cycle), que tem como base o turbojato General-Electric J85, o mesmo usado no treinador supersônico T-38 Talon e no caça leve F-5 Freedom Fighter/Tiger II. 

Segundo o The Drive, o motor, desenvolvido e patenteado pela Hermeus, é central para as ambições da empresa e seu potencial alertou a Força Aérea. O TBCC combina um ramjet ou scramjet de alta velocidade com um motor a jato normal para garantir que a aeronave também possa funcionar em velocidades mais baixas.

A vantagem deste arranjo de propulsão é que a aeronave é capaz de decolar como qualquer outro jato, usando a infraestrutura aeroportuária existente, acelerar a altas velocidades supersônicas ou hipersônicas para o voo de cruzeiro e, em seguida, desacelerar de volta para pousar em seu destino normalmente. 

Com o Quarterhorse, que deverá se tornar a aeronave mais rápida da história, a Hermeus realizará uma série de testes, ensaios e demonstrações para que, no futuro, seja capaz de desenvolver uma aeronave hipersônica capaz de transportar até 20 passageiros. O Quarterhorse terá cerca de 12 metros de comprimento, 3 metros de envergadura e deverá realizar um primeiro voo de testes em 18 meses. 

Os termos contratuais da USAF definem que a Hermeus deverá testar em voo um sistema de propulsão hipersônico reutilizável e, em seguida, desenvolver, construir e testar as três aeronaves-conceito Quarterhorse e testar um sistema de propulsão hipersônica reutilizável em escala real. Após o período de três anos de atuação, a Força Aérea avaliará o progresso da Hermeus, a maturidade da tecnologia hipersônica e o alinhamento com as prioridades da instituição. 

Além disso, a empresa deve “fornecer um guia de integração de carga útil para futuros testes de voo hipersônico com o Quarterhorse” e dados à Força Aérea que podem ser usados ​​em futuros esforços de jogos de guerra. Ou seja, a USAF pretende empregar o Quarterhorse para estudos e avaliações de aplicação militar da tecnologia hipersônica. Atualmente a USAF está trabalhando para desenvolver o AGM-183A ARRW (Air-Launched Rapid Response Weapon), uma contrapartida ao Kh-47M2 Kinzhal da Rússia. 

Computação gráfica da aeronave de passageiros hipersônica da Hermeus.

Em 2020, a AFWERX, uma incubadora de tecnologia da USAF que trabalha em parcerias com empresas privadas, já havia concedido um contrato de US$ 1.5 milhão à Hermeus para a realização de estudos para um avião presidencial hipersônico. 

“Quando se trata de tecnologia, muitas vezes ouvimos o termo ‘mudança de jogo’”, disse a Major-General Heather Pringle, Comandante do AFRL. “No entanto, aeronaves hipersônicas e sistemas de propulsão são verdadeiramente revolucionários e irão revolucionar a forma como viajamos, assim como os automóveis fizeram no século passado. Estamos entusiasmados por fazer parte deste esforço e por ajudar a impulsionar esta importante tecnologia.” 

“Estamos transformando a Força Aérea e Espacial em um ‘investidor’ em estágio inicial que alavanca o capital privado, acelera a comercialização de tecnologia e aumenta o número de empresas parceiras do Departamento da Força Aérea”, disse o Coronel Nathan Diller, diretor da AFWERX . “Tem sido ótimo trabalhar com a equipe para ajudar a identificar empresas inovadoras com recursos avançados.”

Hermeus/Divulgação.

“Um de nossos objetivos ao apoiar empresas como a Hermeus é expandir a Base Industrial de Defesa para a fabricação de aeronaves e o desenvolvimento de propulsão hipersônica”, acrescentou o General-Brigadeiro Jason Lindsey, Diretor Executivo do Programa de Transporte Aéreo Presidencial e Executivo. 

“Em última análise, queremos ter opções no mercado de aeronaves comerciais para plataformas que podem ser modificadas para missões duradouras da Força Aérea, como transporte de líder sênior, bem como mobilidade, ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) e possivelmente outros conjuntos de missão.”

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