Um vídeo publicado no Twitter na quarta-feira (27) mostra um incrível treinamento entre um F-5F Tiger II e um MiG-29 Fulcrum, ambos da Força Aérea Iraniana (IRIAF). Nas imagens, o caça de origem estadunidense dispara um foguete usado como alvo para um míssil ar-ar R-73 disparado da aeronave russa. 

Não se sabe exatamente quando o vídeo foi gravado e nem se o exercício com as duas aeronaves foi uma demonstração para o público. De qualquer forma, tudo ocorre em baixa altura, algo muito incomum para esse tipo de operação. 

Nas imagens, o F-5F de dois assentos e o MiG-29 voam em formação, com o caça russo voando logo atrás e à esquerda do jato americano. Ainda em ala, o F-5 dispara um foguete-alvo a partir do trilho de lançamento da ponta da asa esquerda.

O foguete voa em linha reta enquanto o F-5 inicia uma curva de dispersão para a direita. Assim que o Tiger II sai do quadro, o MiG-29 dispara um míssil ar-ar de curto alcance Vympel R-73, que atinge o alvo quatro segundos depois, gerando uma bola de fogo e fumaça. 

Apesar de ter sido previamente identificado como um míssil, o artefato que o F-5 disparou é, na verdade, um foguete-alvo TDU-11/B. Trata-se de um alvo aéreo desenvolvido pela USAF a partir do foguete de ataque ao solo Zuni, de 127mm.

Para treinar seus pilotos no uso de mísseis ar-ar guiados por calor – no caso o AIM-9 Sidewinder – a Força Aérea dos EUA modificou o Zuni, que recebeu uma cabeça iluminativa e um par de flares para aumentar sua assinatura de calor e facilitar a detecção pelo sensor infravermelho do míssil. 

O próprio AIM-9 foi desenvolvido com base no foguete Zuni, o que permite que o TDU-11 possa ser disparado a partir do trilho de lançamento da ponta da asa do F-5. Isso está previsto, inclusive, no manual do caça (clique aqui para baixar o documento completo).

De qualquer forma, o TDU-11 não impõe um “grande desafio” ao R-73 ao voar reto. O míssil russo, chamado de AA-11 Archer pela OTAN, está em uso desde a década de 1980 e até hoje é reconhecido pela sua alta manobrabilidade.

O R-73 também foi um dos primeiros mísseis que poderia ser usado em conjunto com a Mira Integrada no Capacete (HMS), trazendo uma grande vantagem ao piloto durante o combate aéreo de curta distância (dogfight), algo que ficou especialmente evidente para os norte-americanos quando passaram a treinar com os pilotos de MiG-29G da Alemanha após a reunificação do país. Os caçadores poderiam travar um míssil no alvo apenas olhando para a aeronave. 

Míssil ar-ar R-73 na asa de um MiG-29 húngaro. Foto: KGyST via Wikimedia (CC BY 3.0)

Isto fez com que os EUA e o resto da Europa investissem no desenvolvimento de mísseis muito mais manobráveis, com capacidades off-boresight cada vez maiores e que pudessem ser escravizados aos capacetes com display integrado (HMD), algo que mais tarde deu origem ao ASRAAM, AIM-9X e IRIS-T. 

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