Embraer Brasilia sistema Antimíssil SAAB
Foto: SAAB

Já imaginou um avião civil utilizando um sistema para se proteger de mísseis? Pensando nisso, um Embraer Brasilia se tornou uma espécie de laboratório voador para testar um sistema de proteção antimíssil exclusivo para aeronaves civis. 

Geralmente utilizado em aeronaves militares, o sistema antimíssil denominado Flares é um sistema de defesa contramedidas voltado para mísseis guiados por calor. Com isso, o sistema de proteção produz dezenas de rajadas e bolas de fogo para dispersar e confundir os mísseis inimigos, o uso deste sistema lembra um show pirotécnico com fogos de artifício.

Neste sentido, em 2007,  a  SAAB em colaboração com a sua subsidiária sul-africana Avitronics e a Chemring Countermeasures, desenvolveram um sistema de autoproteção voltado para aeronaves civis chamado CAMPS (Civil Aircraft Missile Protection System ou Sistema de Proteção de Mísseis de Aeronaves Civis), podendo também compreender aviões executivos e de missões especiais. 

Basicamente, o CAMPS serve para proteger contra mísseis antiaéreos infravermelhos e sistemas antiaéreos portáteis, mais conhecidos como MANPADS, em voos de baixa altitude (cerca de 15.000 pés ou 4.600 metros).  

Embraer Brasilia sistema Antimíssil SAAB
Foto: SAAB/Naturelink

Para o teste do sistema de proteção, a SAAB contou com a colaboração da extinta operadora de voos regionais fretados Naturelink. A companhia da África do Sul cedeu um Embraer 120 para a instalação do CAMPS e equipamentos militares da SAAB. Os voos com o sistema especial ocorreram em março de 2007 no Overberg Test Range, famosa instalação de testes de armas da África do Sul que conta com uma plataforma de lançamento de foguetes. 

Embraer Brasilia sistema Antimíssil SAAB
Foto: SAAB/Naturelink

O projeto CAMPS foi criado para proporcionar uma maior segurança operacional para as aeronaves civis ao utilizar um sistema antimíssil. Curiosamente, a operadora de cargas FedEx solicitou recentemente o uso desta mesma tecnologia para proteger as suas aeronaves. 

Graças aos demonstrativos bem sucedidos na ocasião, a SAAB passou a comercializar a novidade em 2008 para os operadores civis. 

 

Embraer EMB 120 Brasilia 

Embraer Brasilia sistema Antimíssil SAAB
Foto: Gabriel Benevides/Aeroflap

Sendo uma das principais aeronaves que alavancaram o legado da Embraer no mercado regional antes dos anos 2000, o EMB 120 Brasilia é um avião turboélice bimotor que fez parte de diversas companhias não só no Brasil, mas no mundo todo. 

Sendo a segunda aeronave pressurizada produzida pela Embraer, o desenvolvimento do EMB 120 Brasilia teve como base o turboélice executivo EMB-121 Xingu, entretanto, a Embraer necessitava de uma aeronave com maior capacidade de transporte de passageiros, assegurando ao Brasilia a capacidade de transportar até 30 passageiros. 

Com o seu primeiro voo em 1983,  o Embraer Brasilia teve 352  unidades produzidas durante 18 anos, com a última unidade entregue em 2001. Além disso, Araguaia foi o primeiro nome comercial do EMB 120, mas a Embraer acabou mudando para Brasilia (sem acento agudo) para facilitar a pronúncia do avião no exterior. 

Dado o tamanho sucesso da aeronave durante a década de 1990, o Embraer Brasilia chegou a ser o avião regional com o maior número de operadores no mundo, operando por 26 companhias em 14 países, em especial, no Brasil e nos Estados Unidos. 

No Brasil, a Força Aérea Brasileira detém a maior frota em atividade do EMB 120 com as versões militares de transporte C-97 e VC-97, incluindo também alguns operadores civis, como a Rico Táxi Aéreo. 

Embraer Brasilia sistema Antimíssil SAAB
Foto: Gabriel Benevides/Aeroflap

Por fim, o Embraer 120 Brasilia foi a aeronave precursora para o desenvolvimento da primeira família de aeronaves a jato da Embraer, mais conhecido como ERJ (Embraer Regional Jetliners) com as variantes civis ERJ-13, ERJ-140, ERJ-145 e ERJ-145XR, aviões responsáveis pelo estrondoso sucesso no mercado regional norte-americano, garantindo também o sucesso da família E-jet.