OTAN Rafale França
Foto: OTAN

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky criticou duramente a OTAN na tarde de ontem (04) após a Aliança anunciar que não criará uma zona de exclusão aérea (No Fly Zone) sobre a Ucrânia. O país enfrenta a Rússia em uma guerra há quase 10 dias. 

Na sexta-feira, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, afirmou em coletiva que o pedido ucraniano (e de outros Estados) para a criação de uma No Fly Zone sobre o país foi rejeitado. “Hoje, a liderança da Aliança deu luz verde para a continuação do bombardeio de cidades ucranianas, recusando-se a estabelecer uma zona de exclusão aérea”, criticou Zelensky em um vídeo divulgado pela presidência. 

C-17 e F-35 dos EUA na base aérea de Ämari, na Estônia. Foto: USAFE.

“Entendemos que os países da OTAN criaram uma história para si mesmos, segundo a qual o fechamento do espaço aéreo da Ucrânia provocaria uma agressão direta da Rússia contra a Otan”, acrescentou o presidente. 

Dmytro Kuleba, ministro de relações exteriores da Ucrânia, também criticou a decisão da OTAN. Em um vídeo publicado no Twitter, Kuleba diz que se a Aliança não agir com rapidez, eles compartilharão a culpa pela morte de civis ucranianos pelas ações “de pilotos russos cruéis”. 

A criação de uma zona de exclusão aérea pela OTAN implicaria no envio de caças da organização para dentro do espaço aéreo ucraniano. Lá, os aviões realizariam as chamadas Patrulhas Aéreas de Combate (CAP), armados com mísseis e fechando completamente o espaço aéreo para qualquer tráfego não permitido, tornando quase certo o embate entre caças russos e da Aliança.

Dessa forma, a OTAN estaria se envolvendo no conflito diretamente, fazendo com que a guerra deixasse o limite das fronteiras ucranianas, se estendendo para o resto da Europa. 

“Não fazemos parte deste conflito e temos a responsabilidade de garantir que ele não aumente e se espalhe além da Ucrânia”, disse Stoltenberg. “Entendemos o desespero, mas também acreditamos que, se fizéssemos isso [uma zona de exclusão aérea], acabaríamos com algo que poderia levar a uma guerra completa na Europa envolvendo muito mais países e muito mais sofrimento”.

Os EUA ainda reconhecem que a Rússia não conseguiu obter a superioridade aérea na Ucrânia, e que as forças armadas ucranianas mantêm capacidades de combate aéreo e defesa aérea. No entanto, a maior parte dos abates confirmados foram pelos mísseis antiaéreos e não por aviões de combate.

Além disso, um grande comboio russo com mais de 60 Km está parado às portas de Kiev há alguns dias. A falta de um bombardeio de aeronaves ucranianas contra um alvo tão grande também pode indicar que a Força Aérea já não tem mais condições de reagir de forma adequada. 

Também foi cogitada a transferência de caças MiG-29 Fulcrum da Polônia, Eslováquia e Bulgária para a Ucrânia. Todavia, os três países rejeitaram a ideia, o que também gerou críticas por parte do lado ucraniano. 

Na última quarta-feira, a Ucrânia afirmou ter derrubado dois caças Su-35S da Rússia em um combate aéreo com dois MiG-29, apoiados por um sistema antiaéreo S-300. Contudo, nenhuma prova desses abates foi apresentada até o momento. Por outro lado, a Rússia perdeu dois Su-25 Frogfoot, um Su-30 Flanker e um Su-34 Frogfoot apenas nas últimas 26 horas. 

Stoltenberg reforçou que as tropas enviadas para o leste europeu não entrarão em território ucraniano. A Aliança segue reforçando sua posição na fronteira com a Ucrânia, mantendo patrulhas aéreas com vários caças desdobrados em bases na região do Báltico e Mar Negro. A OTAN afirma que vai defender cada centímetro do seu território.