Um assunto recorrente aqui na Aeroflap é sobre as novas aeronaves supersônicas, a Boom está entre as protagonistas, junto com um projeto da NASA denominado X-Planes. E mais uma atualização desse projeto foi lançado pela Boom Technology, de acordo com eles já existe a tecnologia para reduzir drasticamente os efeitos do choque supersônico, que acontece quando a aeronave passa da velocidade subsônica para a supersônica, em Mach 1.

O estrondo já estava sendo estudado há anos pela NASA para viabilizar uma aeronave comercial que fosse capaz de fazer voos no continente em velocidade supersônica, assim seria possível fazer rotas como Paris – Moscou em velocidade supersônica, bem como Mumbai – Tóquio e Nova York – Los Angeles, ampliando o leque de aplicação das aeronaves supersônicas.

É importante diminuir os efeitos desse estrondo pois no continente ele pode causar danos estruturais nas construções, mesmo se a aeronave estiver em uma grande altitude. Além disso o ruído contínuo de jatos supersônicos pode incomodar moradores que se situam nos arredores de aeroportos, em cidades.

Assim uma emenda ao projeto de reautorização da FAA ao uso de novas aeronaves supersônicas no continente, será submetida ao Senado americano em 2018, e se tornar legislação, exigiria que a agência estabelecesse um padrão de crescimento do uso economicamente viável e tecnicamente prático até meados de 2020.

Esse restabelecimento pode permitir também que as aeronaves de testes realizem voos supersônicos continentais durante o período de testes, que deve se estender até meados da próxima década, esse longo tempo é necessário pois a NASA e as empresas precisam entender ao máximo as tecnologias implementadas, para conseguir aproveitar totalmente as otimizações no design, controle (fly-by-wire) e nos motores.

Enquanto isso a Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO) não planeja fazer movimentações para diminuir a limitação de voo para aviões supersônicos antes de 2025, mesmo que isso atrapalhasse o crescimento da nova tecnologia. 

Foto – NASA

A NASA planeja voar com um avião demonstrador de voo pequeno já em 2021, aproveitando para verificar na realidade os resultados da sua pesquisa com os X-Planes. Esse prazo é compatível com a evolução da ICAO, mas a FAA quer sair na frente estimulando a produção de novos conceitos.

A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão também está olhando para um avião de pequeno tamanho que voaria na primeira metade da década de 2020 como um precursor de uma aeronave supersônica pequena, e desenvolvida nacional ou internacionalmente que poderia entrar em serviço por volta de 2040. O instituto de pesquisa russo TsAGI também está propondo a construção de um avião para testes.

O objetivo geral é conseguir reduzir o ruído no solo de 105 PLdB, como registrado pelo Concorde, para 75 PLdB, com as novas tecnologias. A preocupação geral de todos os desenvolvedores é saber qual será o limite de barulho em solo, com isso já é possível ter uma meta geral para os projetos, de modo que haja mais consistência entre as Agências Regulamentadoras e as empresas.

“Nós temos dados de todos esses estudos sobre um limite adequado para o boom sônico, e não é em qualquer dado perto de 75 dB ou menor”, disse ele. “É potencialmente maior do que isso.” A Boom não fez um estudo claro, mas Eli Dourado disse que as pesquisas da NASA sugerem que um nível “significativamente maior” de 80-93 PLdB é aceitável, considerando o ruído contínuo das aeronaves em uma zona aeroportuária.

 

As melhorias para diminuir o ruído

Foto – Boom

Boom, enquanto isso, está começando uma segunda rodada de testes em túnel de vento de baixa velocidade, com uma configuração de seu avião supersônico “Baby Boom” XB-1. A aeronave, que deverá voar pela primeira vez em 2018, está no túnel subsônico do Instituto Nacional de Pesquisa Aviação da Universidade Estadual de Wichita.

As principais mudanças incluem a adição de uma entrada dorsal para o centro do motor General Electric J85-21. Foram substituídas as entradas auxiliares, que ficam dentro das entradas do lado da fuselagem para os outros dois motores do XB-1. A entrada dorsal é retangular e inclinada bruscamente para auxiliar a compressão da ingestão em velocidade acima de Mach 1.

O estabilizador vertical também foi revisado, e agora é mais alto, com uma proporção reduzida. A ponta final da aeronave agora é reta. A asa também foi refinada com pequenas mudanças no perfil, na ponta e nas bordas. A fuselagem também parece ter sido estendida, a raiz da asa agora está um pouco atrás do cockpit.

 

O Baby Boom

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O protótipo, apelidado de Baby BOOM, tem capacidade para 2 tripulantes, tem uma curta envergadura de 5 metros, formada por uma asa em forma de delta, seu comprimento é de 20 metros e tem as mesmas capacidades da aeronave maior, isso inclui também a velocidade.

O XB-1 tem previsão para ter seu primeiro voo em 2017, ele fará testes na velocidade subsônica em Denver, no Colorado. Por conta das características do voo supersônico, e isso inclui o tradicional estrondo quando a aeronave supera o MACH 1, os outros voos serão realizados na Base da Força Aérea de Edwards, que fica no sul da Califórnia.

O protótipo também inova ao ter um motor que não necessita de pós queima na saída do motor e, portanto, é mais econômico durante o voo. Esse motor faz parte de uma nova geração da General Electric (GE).

 

O BOOM – original

Projeção do BOOM em Heatrow/Londres.

Este poderá transportar até 45 passageiros, o tem velocidade máxima de Mach 2.2 (2335 km/h), 0.2 a mais que o Concorde e 1.4 a mais do que uma aeronave convencional de última geração, como o Boeing 787. Ele mantém a mesma envergadura reduzida, com apenas 18 metros, e tem comprimento de 52 metros.

A previsão para o primeiro voo da aeronave original é para 2023, após a conclusão do desenvolvimento de tecnologia no XB-1.

Richard Branson está apoiando o projeto com sua empresa Virgin Galactic, que também realiza projetos de voo para o espaço. Além de apoiar na fase de projeto, Branson também já encomendou 10 aeronaves BOOM.

A Boom disse que há um interesse firme de empresas para até comprar 76 aeronaves, um aumento de três vezes em relação há alguns meses. Além da Virgin Atlantic, que assinou para até 10 aeronaves, mais quatro operadores não identificados estão colaborando com o projeto. “Eles estão colocando dinheiro real contra esses compromissos e uma quantidade significativa de dinheiro. Não são apenas “cartas de intenções”, disse Blake Scholl, fundador e CEO da Boom.

 

Via – Aviation Week

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