Foi lançado nesta quinta-feira (04/05), aproximadamente às 18h50 (horário de Brasília) do Centro Espacial da Guiana, em Kourou, capital da Guiana Francesa, o satélite geoestacionário brasileiro SGDC, que irá fornecer em breve um serviço de cobertura nacional de internet, além de fornecer capacidades de comunicação para o Governo Brasileiro.

O lançamento atrasou 1h20 além do horário previsto, que era para às 17h31 no horário de Brasília, para uma re-checagem dos sistemas do foguete e assim garantir um lançamento com segurança e com perfeito funcionamento de todas as etapas. O destaque desse satélite é ser o primeiro de comunicações que pertence 100% ao Governo Brasileiro, garantindo assim o total controle sobre a segurança das comunicações internas do governo.



A re-checagem foi composta por uma análise do sensor do tanque de hélio, que não estava enviando dados para o sistema de telemetria do foguete, e consequentemente os engenheiros não conseguiam ver a atual situação da pressão do tanque de hélio. O hélio é um gás inerte, que serve para preencher o tanque de combustível líquido enquanto o mesmo vai sendo queimado pelo motor.

Inicialmente o lançamento estava marcado para ocorrer no dia 21 de março, mas foi adiado devido a uma greve à paralisação geral de trabalhadores na Guiana Francesa.

Foto – Arianespace/Reprodução

O momento mais crítico do lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) foi rastreado no Brasil pelo Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), por meio da Estação de Natal (Telemedidas).

Um computador de bordo foi colocado dentro do foguete e enviou os dados por meio das antenas de Telemedidas para a Estação de Natal. Esses dados foram recepcionados e devolvidos, via satélite, para a estação na Guiana Francesa. As informações dos primeiros minutos foram transmitidas em tempo real. O restante dos dados foi encaminhado após o término do voo, quando encerrou a operação do CLBI.

Foto – Arianespace/Reprodução

Os momentos mais críticos estão no início do lançamento, ou seja, nos primeiros 7 minutos de voo, de acordo com a coordenadora da Interface CLBI, Maria Goretti Dantas, a fase propulsionada do voo é a mais crítica, e com maior probabilidade de anomalias e falhas graves.

“O CLBI compõe uma cadeia de rastreamento de veículos lançados à leste, juntamente com Galliot, na Guiana Francesa; Ascension, no Atlântico Sul; Libreville, no Gabão e Malindi, no Quênia; tornando-se imprescindível a participação operacional da Estação de Natal, por ser a única estação rastreadora durante a fase propulsada do veículo. Outra característica da Estação de Natal é a particularidade de ser a única estação da cadeia que opera com profissionais que não compõem a Agência Espacial Europeia”, disse Maria Goretti Dantas.

Foto – Força Aérea Brasileira/Divulgação

O êxito da operação foi, confirmado 25 minutos após o lançamento, e acompanhado em tempo real por autoridades que encabeçaram o projeto. O Presidente da República, Michel Temer, o Ministro da Defesa, Raul Jungmann, o Ministro de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Gilberto Kassab, o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, e o Presidente da Telebras, Antônio Loss, assistiram à decolagem e à trajetória do veículo lançador a partir de um telão nas dependências do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), em Brasília (DF).

Segundo o Presidente da República, o lançamento representa a entrada do Brasil em uma área de modernidade e avanço tecnológico, pois haverá a democratização do fenômeno digital. “Esta é uma vitória do Brasil”, disse Temer. O Comandante da Aeronáutica concorda; segundo o Tenente-Brigadeiro Rossato, o SGDC eleva a questão espacial brasileira a um novo e mais elevado patamar.

Foto – Força Aérea Brasileira/Divulgação

“O SGDC inaugura uma nova era na história das telecomunicações do Brasil, pois poderemos levar internet via satélite a 100% do território nacional, gerando benefícios sociais e econômicos. Estaremos iluminando o Brasil, com internet de banda larga, gerando inclusão social e digital em escolas, hospitais, postos de saúde e, principalmente, aumentando a competitividade do Brasil”, disse Antonio Loss, Presidente da Telebras.

Durante mais de dois anos, engenheiros da Visiona trabalharam lado a lado dos profissionais da ThalesAlenia, na França, no desenvolvimento e produção do satélite no âmbito do programa de absorção de tecnologia, adquirindo um conhecimento que será fundamental para o aumento do conteúdo nacional dos programas espaciais futuros.

Foto – Arianespace/Reprodução

O controle do satélite pelo Governo Brasileiro só será realizado no dia 16 de junho, quando finalizarão os testes básicos de funcionalidades. O satélite ainda entrará em órbita, visto que ele pode demorar até 12 dias depois do lançamento para alinhar na posição 75W.

O foguete Ariane 5, da Arianespace, também aproveitou para lançar conjuntamente o satélite coreano KOREASAT-7, que foi separando antes do satélite brasileiro da cápsula. O satélite sul-coreano também fornecerá acesso à internet, porém com capacidade bem menor do que o satélite brasileiro. Ambos os satélites foram fabricados pela Thales Alenia Space.

Esse é o 78º lançamento com sucesso realizado pelo foguete Ariane 5, e o 2º lançamento realizado neste ano, o foguete Ariane 5 é conhecido pela sua grande capacidade de carga e alta confiabilidade nos lançamentos. O primeiro lançamento de 2017 também teve um satélite Brasileiro, o SKY Brasil 1, que está sendo operado pela SKY para transmitir TV a Cabo para todo território nacional, expandindo os serviços da operadora.

 

O Satélite SGDC e sua tecnologia

Imagem – Força Aérea Brasileira/Reprodução

Posicionado a uma distância de 35786 quilômetros da superfície da Terra, o SGDC vai proporcionar três tipos de coberturas e terá uso dual (militar e civil). O satélite, adquirido pela Telebras, terá uma banda KA, que será utilizada para comunicações estratégicas do governo e implementação do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL); e uma banda X, de uso exclusivo das Forças Armadas, para prover a soberania em telecomunicações seguras para o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS).

Para uso civil (Banda Ka) o satélite tem capacidade de transferir até 58 e 59 gigabytes por segundo para localidades isoladas do Brasil, isso é equivalente a 45700 planos de internet com 2MB cada. No total o satélite tem 57 transponders na Banda KA e cinco na Banda X, o número de transponders não está ligado diretamente a capacidade do satélite, que será 70% direcionada para uso civil e 30% para uso militar. Cerca de 10% da capacidade civil será usada para integrar os sistemas de saúde do Brasil.

As dimensões do SGDC são bem impressionantes, no momento de lançamento do satélite ele pesava 5735 kg, com seus painéis solares abertos o satélite mede 37 metros, e tem 7,1 metros de altura, mesmo quando os painéis estão fechados.

Imagem – Força Aérea Brasileira/Reprodução

O satélite é capaz de cobrir todo o território nacional e parte do oceano atlântico igualmente 24 horas por dia, graças a sua posição geoestacionária, em que o satélite fica parado na mesma posição apontando para o mesmo alvo. A cobertura na Banda X é diferenciada e capaz de fornecer comunicação em toda a América do Sul para as Forças Armadas.

O projeto é uma parceria entre os Ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e envolve investimentos da ordem de R$ 2,1 bilhões, o governo já investiu R$ 2,046 bilhões no satélite, e ainda deverá pagar mais R$ 724 milhões em até dois anos. O tempo estimado de vida do satélite é de 18 anos, mas pode ser expandido caso haja condições de operação.

 

 

Centros de controle

Foto – Força Aérea Brasileira/Divulgação

O SGDC terá centros de controle em Brasília (DF), Salvador (BA) e Florianópolis (SC), através de um concessão de área feita pela Força Aérea Brasileira (FAB) de quase 70 mil m². Além disso terá outros centros em Campo Grande (MS) e Rio de Janeiro (RJ), para expandir a capacidade de comunicação do satélite com a rede em Terra.

O centro de operações no Rio de Janeiro (RJ), que servirá como backup, caso haja dificuldades operacionais da unidade da capital federal. O Centro de Operações Espaciais Principal (COPE-P), em Brasília (DF), abriga cerca de 100 profissionais, que irão se revezar em três turnos para dar suporte ao funcionamento do satélite 24 horas por dia. Lá foi instalada a antena responsável por esse contato; ela tem 18 metros de altura, 13 metros de diâmetro e pesa 42 toneladas (foto acima).

 

Uso militar

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Já a banda X equivale a 30% da capacidade de transmissão do SGDC, e opera em frequência diferenciada e com criptografia própria, de acesso apenas pelo Governo Brasileiro. Essa banda de transmissão vai servir à defesa do País, possibilitando comunicações militares e governamentais mais seguras.

Para o Ministro Jungmann, segurança nas comunicações é um fator decisivo na soberania e na independência do País. Ele também destaca que, apesar de depender de dotação orçamentária, já está sendo negociada a continuidade do projeto. “Existe uma decisão da Presidência da República de que esse projeto deve continuar. E ele vai continuar”, disse.

 

Bandas de internet banda larga

A Telebras irá leiloar 4 lotes de comunicação do satélite, o primeiro lote tem 21 Gbps de banda, os lotes 2 e 3 terão 12 Gbps, cada um deles, o lote 4 terá 11 Gbps e será de uso exclusivo da Telebras, para atender o Plano Nacional de Banda Larga e órgãos do governo.

 

A Visiona

Foto – AEB/Reprodução

É uma joint venture criada entre a Embraer e a Telebras, em 2012, a Visiona é responsável pela estruturação e integração do Programa SGDC, atuando entre outras atividades no aprimoramento de requisitos, seleção e gestão de fornecedores, validação de relatórios de engenharia, acompanhamento da produção e testes de sistema necessários ao sucesso da missão.

Com atuação internacional e presença nos mercados de serviços de sensoriamento remoto e telecomunicações por satélite, a Visiona deverá alavancar os conhecimentos adquiridos durante o programa SGDC para propor soluções incorporando o estado-da-arte em tecnologias de construção espacial e de aplicações para o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) e o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), buscando sempre o desenvolvimento da indústria nacional.

 

Veja o vídeo do momento do lançamento abaixo:

 

Veja o vídeo com o acompanhamento do lançamento aqui no Brasil:

 

Texto com informações da Força Aérea Brasileira, Visiona e Arianespace.