Nesta segunda parte iremos falar da introdução da Pan Am na era jato, o seu ápice de bons serviços e fama, até a próximo de uma das suas crises que foi o principal motivo da sua falência.

 

(Como sugestão de maior “aproveitamento” desse artigo sugerimos a música “New York, New York” de Frank Sinatra como trilha sonora)

 

Imagine-se voando em uma aeronave que balançava, tinha um barulho de hélice alto no interior da cabine e que muitas vezes o avião por voar em altitude mais baixa enfrentava  algumas severas turbulências.

Voar entre os Nova York e Paris poderia durar até 12 horas, com 2 ou 3 escalas durante o percurso, até que a partir do dia 26 de outubro de 1958 a mesma rota era feita em apenas 6 horas e meia, e a depender dos ventos em até menos tempo. Isso dentro de um avião bem menos barulhento, que não balançava e também não enfrentava tanta turbulência como antes. Sim, as viagens transatlânticas como conhecemos atualmente teve muito da Pan Am para o seu sucesso.

 

De Havilland Comet em uma foto de 1949.

Juan Trippe resolveu cair de cabeça num segmento que ainda dava os seus primeiros passos nos anos 50, infelizmente com o De Havilland Comet e suas operadoras a história foi um pouco mais triste, já que, devido ao design de suas janelas (que eram quadradas), o avião se desintegrava em pleno ar se tornando uma verdadeira bola de fogo, que finalmente chegava ao solo ceifando a vida de todos a bordo.

Logo em seguida veio o Caravelle, uma aeronave que também fez história, mas tinha um curto alcance e não levava o mesmo número de passageiros que os mesmos aviões a pistão, os quais cobriam as rotas intercontinentais.

 

A era jato já tinha chegado ao mundo e foi um sucesso para empresa, ser comissária de bordo da Pan Am era como ser modelo de uma grande grife para as mulheres, e como ser um piloto veterano da guerra para os pilotos homens. A empresa tinha carisma e o amor de todos por onde passava com um serviço de extrema qualidade e pontualidade.

Douglas DC-8 da PAN AM, naquela época o principal concorrente do Boeing 707.

Meu avô teve a oportunidade de voar em meados dos anos 60 para Miami, procedente do Rio de Janeiro, a bordo de um Boeing 707 da Pan Am na classe econômica, ele conta que todas as comissárias eram sorridentes, bonitas e simpáticas, o serviço de bordo era um verdadeiro banquete e todos a bordo ou eram executivos viajando a trabalho, ou pessoas de classe média alta carioca/paulista indo de férias para o exterior. Ele também chegou a viajar na Braniff, concorrente da empresa que voava para o Brasil, mas segundo ele o serviço não tinha o mesmo nível de qualidade.

 

Boeing 747-100 da Pan Am

Por volta dos anos 60 os aeroportos andavam saturados com tantos voos, que chegavam e saiam levando pessoas para todos os lugares a todo momento, a Pan Am via uma solução para isso com a construção de um avião de dimensões maiores, capaz de levar mais pessoas e carga simultaneamente sem precisar mobilizar a todo momento pessoal em solo.

Foi então que Trippe resolveu pressionar a Boeing para construir o ícone da aviação mundial, o Jumbo, a companhia ajudou no projeto do maior avião comercial do mundo daquele século o fabuloso 747.

Foi o primeiro wide-body (avião com dois corredores) e avião de dois andares construído. O poder da empresa era tão grande que mesma influenciou em 1977 a construção de uma variante do Jumbo o 747-SP que consistia de um 747-100 mais curto com alcance maior e também um leme maior, o que rendeu a ele o apelido de Baby-Jumbo.

 

Infelizmente a crise do petróleo chegou e fez o preço do combustível subir de uma forma nunca antes vista, isso fez com que a grande frota, inclusive com mais de 40 aeronaves 747 além de outros tipos de aviões, pousarem e decolarem com um baixo índice de ocupação de passageiros. Também no ano de 1977 a empresa sentiu o terrível sabor de uma tragédia, quando um dos seus 747 se chocou na pista com outro 747, mas esse da KLM, no aeroporto de Tenerife na Espanha que resultou na morte de 583 pessoas e fazendo desse o pior acidente aéreo da história da aviação mundial até os dias atuais.

Por volta dos anos 1980 a Pan Am comprou as rotas da National Airlines e teve acesso ao mercado doméstico norte americano, no entanto,  devido a uma mudança no regulamento do governo meses mais tarde a empresa acabou pagando milhões em algo que saiu quase de graça anteriormente.

*Foto Acima – Simulação do acidente onde o KLM decolava enquanto o avião da Pan Am taxiava, o trem de pousou do KLM se chocou com o deck superior do outro avião enquanto o mesmo puxava totalmente seu leme para cima. O acidente foi motivado por um forte nevoeiro combinado com um erro de comunicação da torre de controle, esse mal entendido ceifou a vida de todos a bordo do KLM, e de 380 pessoas no Jumbo da Pan Am.

No final da década de 70 e início da década de 80 o declínio da empresa só fazia aumentar, para corrigir isso ela começou a reduzir gastos, vendeu participação em outras empresas,e também as rotas para Ásia, Austrália e Pacífico foram vendidas. Infelizmente no dia 21 de dezembro de 1988 a empresa sofre mais um colapso, um Boeing 747 sofre um atentado terrorista com uma bomba a bordo e caiu sobre a cidade escocesa de Lockerbie, matando 270 pessoas tanto em solo quanto a bordo.

Foi um golpe do qual a Pan Am não esperava receber, isso acelerou ainda mais o processo de sofrimento de todos aqueles que trabalhavam e admiravam a empresa.

 

O processo de falência continua na Parte 3…

 

 

Veja abaixo alguns vídeo da década de 1970 e 1980:

Comercial promocional do Boeing 747, o maior avião de passageiros do mundo naquela época.

 

Boeing 747-100 (primeira versão) decolando.

 

Serviço de bordo e demonstração do 747.

 

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Igor Danin
Estudante , sou da Aeroflap desde novembro de 2013 e acompanhei o crescimento e sucesso da página desde o início antes de me tornar adm, e agora que faço parte da equipe cresço junto com o site.