Acidente que culminou na aposentadoria do Concorde completa 20 anos neste sábado

Em uma tarde de verão europeu do dia 25 de julho do ano de 2000, um acidente que mudaria para sempre a história da aviação e de um icônico avião.

Um dos envolvidos no acidente? O já conhecido mundialmente o Douglas DC-10-30 que pertencia a Continental Airlines, atualmente United. Para ser mais especifico um dos causadores desse acidente foi o de matrícula N13067, estava com o voo operado de Paris para Chicago. A aeronave decolou pela pista 26 do Charles de Gaulle, rumo aos EUA, até então uma decolagem cotidiana.

Apenas 5 minutos após a decolagem do DC-10, alinhava-se na pista de decolagem o Concorde da Air France de matrícula F-BTSC com cerca de 100 passageiros a bordo. O voo, que levava seus turistas para um cruzeiro de luxo, teria duração de 3 horas e 45 minutos, porém, não durou mais 80 segundos.

Durante a corrida para decolagem, o Concorde passou por cima e um objeto até então não identificado. Estourou um dos pneus e consequentemente por ter os motores e os tanques de combustíveis próximo do trem de pouso, a borracha deteriorada se despedaçou e atingiu um dos tanques. Uma labareda enorme de fogo consumia todo o motor, para quem via o cenário era como um filme de terror e dificilmente o Concorde conseguiria pousar em segurança.

 

O motor Rolls-Royce Olympus 793 de número 2 já havia sido perdido, e o de número 1 não tinha potência o suficiente para levar o avião de volta ao aeroporto. O imponente supersônico a essa altura já tinha perdido quase toda a sustentação, a pequena cidade de Gonesse era quase um alvo do avião.

Mas em um último ato de heroísmo o experiente comandante Cristyan conseguiu levar o avião a um grande campo, porém quase incontrolável devido ao fogo ter cortado boa parte dos controles de direção. O Concorde colidiu com um hotel vitimando 4 pessoas em solo e todos seus ocupantes tendo como maioria alemães e os 9 tripulantes, a apenas 10 km da cabeceira do Aeroporto.

Destroços do Concorde.

O relatório do acidente apontou que durante a corrida de decolagem, o Concorde teve seu pneu esquerdo furado por um pedaço do DC-10, que havia decolado minutos antes, jogando pedaços de borrachas em direção ao tanque de combustível causando uma explosão no motor da aeronave.


No dia seguinte ao acidente, foi emitida uma diretiva para que todos os 13 aviões Concorde operados por linhas aéreas permanecessem no chão, todos os aviões supersônicos ficaram até o dia 11 de setembro de 2001 sem voar. As investigações do acidente apontaram falhas que ao longo desse tempo foram corrigidas, porém o futuro não conspirou a favor do supersônico, no mesmo dia a aviação enfrentava um dos piores se não o pior dia da história da aviação mundial. 

Local onde o comandante tentou o pouso com o Concorde.

Mais de 10 anos se passaram e em 6 de dezembro de 2010 a corte francesa decidiu condenar a Continental a pagar US$ 200 mil dólares aos parentes das vítimas, condenou também o mecânico soldador (responsável pelos últimos reparos do DC-10) John Taylor a 15 meses de prisão, porem em 29 de novembro de 2012 o tribunal francês decidiu inocentar a companhia norte-americana de qualquer relação com o acidente.

Apenas duas companhias aéreas o operaram: British Airways e Air France. As duas empresas que foram obrigadas pelos seus governos a operar o modelo para servir de vitrine para outras cias aéreas afim de que mais unidades do avião fossem vendias, afinal Reino Unido e França foram os financiadores do projeto.

 

Os últimos anos do Concorde

Concorde sobre o Rio de Janeiro. Foto: Encarte promocional da Air France/Escaneado pela Equipe do Portal Aeroflap

Esse acidente ocorrido em 2000 com certeza foi uma das determinantes para a aposentadoria do Concorde. No entanto, uma outra sequência de fatores fez com que o primeiro avião supersônico fosse aposentando rapidamente.

O atentado terrorista ao World Trade Center e a tentativa em outros centros políticos dos EUA, causou uma crise na aviação mundial nunca vista na história, até os dias atuais da crise da Covid-19.

O resultado do atentado terrorista foi uma nova escalada do preço do petróleo, quase tão similar a da década de 70, quando o Concorde perdeu várias encomendas. A alta no preço do petróleo logicamente aumentou o custo de realização dos voos com a aeronave, e operar com o Concorde passou a ser um “prejuízo”.

Concorde da British Airways em rara foto da aeronave voando a Mach 2.0

Além disso, alguns dos aviões em atividade tinham cerca de 20 anos de uso, na época do acidente, e exigiam um maior cuidado com a manutenção, outro custo extra.

Com a aproximação de novos aviões mais eficientes, como o Boeing 777-300ER, e com mais espaço para luxos, como o Airbus A380, a Air France e a British Airways foram aos poucos desativando o avião supersônico.

Depois disso, o Concorde voou apenas até 2003, sendo assim definitivamente aposentado pela British Airways no dia 24 de outubro, quando passageiros tiveram a oportunidade de voar pela última vez em um avião supersônico comercial.

 

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