A GRU Airport, em conjunto com o DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) e a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), divulgou nesta terça-feira uma nova tecnologia implementada no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

O novo procedimento foi implementado dentro do projeto Agile GRU, e permite a partir deste mês a operação de pousos e decolagens simultaneamente, utilizando as duas pistas do Aeroporto de Guarulhos em qualquer cabeceira (09R, 09L, 27R, 29L).

O procedimento de aproximação foi estudado amplamente por uma equipe do Aeroporto de Guarulhos e do DECEA com base no Aeroporto de São Francisco, localizado na Califórnia, EUA, devido à algumas semelhanças no sistema de pistas dos dois aeroportos, sendo que em São Francisco a separação das cabeceiras é de 230 metros, e em Guarulhos de 375 metros.

Apesar desse novo sistema permitir pouso e decolagem simultaneamente, ele não permite decolagens simultâneas ou pousos simultâneos, como no Aeroporto de São Francisco ou Brasília (mas este com maior separação entre cabeceiras).

O Projeto Agile GRU é resultado do trabalho conjunto entre o DECEA, o Aeroporto de São Paulo (GRU Airport), a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO), a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) e a International Air Transport Association (IATA), com apoio da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

A Infraero é responsável pela torre de controle e será responsável no dia-a-dia pelos procedimentos de pousos e decolagens simultâneos, o que dará mais rapidez e eficiência.

Duzentos e vinte e sete controladores de tráfego aéreo (ATCO) da Torre de Controle do Aeroporto de Guarulhos (TWR-GRU) e do Controle de Aproximação São Paulo (APP-SP) passaram por treinamento nos Laboratórios de Simulação no ICEA, totalizando uma carga de 4820 horas de exercícios.

O treinamento foi praticado no Simulador de Torre de Controle 3D, contemplando vários cenários que retrataram diversas situações bem próximas ao controle de tráfego aéreo real “A equipe foi devidamente capacitada, por meio do método de simulação em tempo real, para que estivessem preparados para os novos procedimentos, garantindo a segurança das operações”, explica Marcus Vinicius do Amaral Gurgel, superintendente de gestão de navegação aérea da Infraero.

Em uma pergunta do Portal Aeroflap, um representante do DECEA disse que não houve qualquer alteração à nível de hardware do sistema de controle de tráfego aéreo, nem da torre de controle do aeroporto muito menos do Controle de Aproximação (APP-SP).

A ABEAR explicou, em uma pergunta do Portal Aeroflap, que os tripulantes da companhia estão sendo treinados para este procedimento a mais de 2 anos, e que isso é de extrema importância para esse procedimento virar uma cultura na operação do aeroporto visto que o DECEA precisou alterar diversos procedimentos de chegada e saída, e também os procedimentos de arremetida.

Os procedimentos de arremetida tiveram uma limitação para assegurar a manutenção de um devido espaço entre aeronaves, tanto na horizontal quanto na vertical, ou seja, há limitações de altitude para um avião que arremete durante o pouso enquanto outro avião está decolando em procedimento de subida.

“Foi um trabalho muito discutido e debatido. Assim, todos os envolvidos atuaram para chegar à decisão final, resultando na otimização do uso de recursos e na previsibilidade das operações, o que melhora a relação entre eficiência e custos”, disse o superintendente de Gestão da Navegação Aérea da INFRAERO, Marcus Gurgel.

O Agile GRU deve ficar operacional em 75% do tempo durante um ano, visto que neste período o Aeroporto de Guarulhos registra condições de realizar aproximações sem a ajuda de instrumentos. O novo sistema deve oferecer um menor tempo de espera em voo e no solo, redução do consumo de combustível e da emissão de CO², assim como operações mais previsíveis com melhoria da pontualidade das chegadas e partidas.

O DECEA considera uma condição visual quando há mais de 5000 metros de visibilidade horizontal, e com teto de até 1500 pés, na aviação dizemos que o teto é a altura das nuvens em relação ao solo.

 

Aumento da capacidade de operação

“O projeto, de fato, otimiza nossas operações e nos permite seguir investindo em infraestrutura para atender a demanda de passageiros. Em breve, por exemplo, teremos o sétimo pátio de aeronaves. Em 2020 já poderemos receber até 60 movimentos por hora, sendo que hoje esse número é de 55 por hora. Ou seja, traremos para o passageiro, mais fluidez, dinâmica, agilidade, sem esquecer, claro, da segurança”, disse o Diretor de Operações de GRU Airport, Comandante Miguel Dau.

Anteriormente o Aeroporto de Guarulhos já tinha implementado uma separação entre aeronaves de 3 milhas náuticas durante o procedimento de aproximação para pouso, como forma de diminuir o tempo entre um pouso e outro.

O espaço aumenta para 5 milhas náuticas em caso de avião grande seguindo na frente, por exemplo, um Airbus A380 seguindo para pouso com um A320 atrás também seguindo para pouso. Esse procedimento é para evitar um incidente por esteira de turbulência, que pode afetar o voo estável do avião em um momento tão crítico como na aproximação para pouso.

O aeroporto de Guarulhos registra por dia 830 operações de pousos e decolagens (média), e recebe quase 40 milhões de passageiros por ano.

Abaixo temos uma pequena demonstração de como funciona essa operação. Perceba que enquanto o avião da LATAM está decolando pela 09L-29R, um Boeing 737-700 da GOL pousa pela 09R-29L enquanto a aeronave da LATAM está iniciando a sua aceleração.

 

O vídeo abaixo do DECEA fala um pouco mais sobre o sistema:

 

Conheça mais sobre o treinamento de controladores para esse procedimento no vídeo abaixo: