Em 2015 silenciosamente a Airbus incorporava uma bateria de lítio-ion no A350, que chegou para a frota da LATAM Brasil, isto porque a fabricante europeia não queria ser alvo de problemas com a mídia, assim como a Boeing sofreu em 2013 após um erro de projeto resolver incendiar as baterias do 787 Dreamliner, a novíssima aeronave da Boeing já estava apresentando um início complicado no mercado de aviação.

Na realidade a aplicação (das baterias de lítio-ion) estava prevista no projeto do A350XWB, essas baterias substituem as de ácido-chumbo, ou níquel, dependendo da aeronave. A vantagem é clara, o lítio-ion consegue entregar muita energia em pouco tempo, assim como tem maior densidade energética, precisando de menor espaço e peso para a mesma carga, no 787 isso é essencial, os motores são acionados por força elétrica.

Essa realidade é tamanha que os primeiros testes do A350, lá em 2013, foram realizados com baterias de lítio-ion, em meio as confusões geradas pelo 787 na época. A Airbus não teve tempo para testar uma nova solução, e a EASA não conseguiu atualizar as normas de segurança, só as primeiras unidades que receberam baterias de níquel-cádmio, até a Airbus conseguir provar a segurança da tecnologia utilizada para a EASA.

Apesar de equipar uma aeronave em 2015 com essas baterias, só em 2017 a Airbus conseguiu aprovar a maturidade do projeto, depois de 5 anos testando a bateria em diversas situações de voo. Pasmem, desde 2013 não há nenhum registro de A350 pousando em emergência com perigo de fogo a bordo. A Saft, responsável pela fabricação e projeto das baterias, também relatou a mesma situação.

A Saft declarou que sua bateria de lítio-ion para a A350 é a primeira que está cumprindo a garantia do projeto, comparando com o 787. Em teste concluído recentemente a bateria do A350 apresentou uma falha, a cada 1 bilhão de horas em funcionamento. A empresa também não precisou realizar mudanças de design da bateria, deixando assim de acrescentar peso extra, como no 787.

A Airbus também planejava colocar baterias de lítio-ion no A320neo, mas voltou atrás após os problemas com o 787 no início de 2013. Se a fabricante europeia vai incorporar agora essa solução na aeronave ninguém sabe, pelo menos por enquanto.

A principal função dessas baterias é alimentar os sistemas elétricos da aeronave quando não há nenhum gerador da aeronave funcionando, e nem a GPU foi acoplada ao avião. Em situações de emergência ela ajuda no funcionamento dos computadores de bordo, quando todos os geradores elétricos da aeronave estão inoperantes (por defeito).

A bateria de lítio-ion que equipa o A350 tem cerca de 80 kg a menos, quando comparada diretamente com a bateria de níquel-cádmio, responsável por equipar as primeiras unidades do A350. Ela também fornece um menor período de substituição, pois não tem efeito memória, as baterias de Ni-Cd passam por revisão a cada 6 meses, enquanto a de Li-ion são revisadas a cada 2 anos.

 

Via – Aviation Week