Airbus A321XLR Aeronave Airbus
Foto: Airbus

Falando à autoridades da União Europeia (EU), a Airbus afirmou que motores movidos por hidrogênio não serão usados em larga escala na aviação até pelo menos 2050. A fabricante afirmou que planeja desenvolver a primeira aeronave comercial com Zero Emissões de carbono até 2035, mas não disse publicamente se a tecnologia estará pronta para o substituto do A320, que deverá ser lançado em 2030, diz a Reuters. 

Segundo um briefieng realizado para funcionários da EU em fevereiro e divulgado na última quinta-feira (10), “as aeronaves de hidrogênio com emissão zero serão focadas principalmente em aeronaves regionais e de curto alcance a partir de 2035. O que significa que as iterações atuais e futuras de turbinas a gás altamente eficientes ainda serão necessárias à medida que avançamos para 2050, especialmente para operações de longo curso.” 

A Airbus não deu detalhes sobre com a tecnologia será implementada em aeronaves de menor porte, mas diz que está estudando vários conceitos. De acordo com a Reuters, a companhia também recusou dar comentários detalhados sobre a reunião de fevereiro.

Os slides da apresentação ao gabinete do vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, foram divulgados pela InfluenceMap, um órgão de vigilância do clima liderado por investidores que disse que os obteve por meio de um pedido de liberdade de informação.

A apresentação é parte de um conjunto mais amplo de documentos emitidos pelo órgão de fiscalização, que afirmava que as companhias aéreas e os fabricantes haviam instado os legisladores a usar fundos de estímulo verdes apoiados pela UE para apoiar a aviação. 

Mesmo que as pesquisas da Airbus ainda estejam em um estágio inicial, os possíveis caminhos para a substituição do A320 já são um grande foco de debate enquanto a rival Boeing pondera como dar suporte ao concorrente 737 MAX, ao mesmo tempo em que fabricantes de motores focam na evolução dos seus produtos. 

Funcionários da indústria minimizaram a perspectiva de uma mudança para o hidrogênio para a substituição da família A320 devido ao tamanho e alcance da aeronave além da infraestrutura necessária globalmente. A Airbus diz que um A320 decola ou pousa a cada 1,6 segundos. Funcionários da fabricante também dizem que, de qualquer forma, a pesquisa vai semear tecnologia disruptiva que provavelmente terá um papel na próxima geração de aviões.

O chefe de engenharia da Airbus, Jean-Brice Dumont, disse à associação de mídia francesa AJPAE na quinta-feira que o hidrogênio era um dos vários caminhos para a descarbonização da aviação e que era muito cedo para dizer em que parte do mercado ele seria usado. “Estamos potencialmente fatiando o mercado de uma maneira diferente, mas é muito cedo para falar sobre isso”, disse ele.

Como uma etapa provisória, a Airbus e outros pediram mais uso de combustíveis de aviação sustentável (SAF) nos aviões existentes. A Airbus disse na quinta-feira que faria um teste de voo com um A320 com 100% SAF até o final deste ano, ao passo que os regulamentos atuais permitem uma mistura de 50%.

Um nicho de aeronaves menores entre 100-150 assentos, que inclui o A220 e Embraer E2, usaria energia elétrica, hidrogênio e/ou SAF a partir de 2040, enquanto apenas os regionais de 50-100 assentos estariam prontos para hidrogênio na década de 2030.

Em setembro de 2020 a Airbus apresentou três conceitos para um avião a hidrogênio entrar em serviço em 2035, incluindo um turboélice, um avião bimotor de aparência tradicional movido por motores híbridos de hidrogênio e uma aeronave de asa mista mais radical.