Logo depois de atingir 62 mil pés, e bater o recorde para uma aeronave da sua categoria, o Airbus Perlan II estabeleceu outra marca que por algum tempo será inalcançável, o planador conseguiu atingir 76124 pés de altitude.

Esse resultado do planador destruiu recordes anteriores, como o U-2 Dragon Lady da Força Aérea dos Estados Unidos, que atingiu o máximo de 73737 pés no dia 17 de abril de 1989, sendo pilotado por Jerry Hoyt.

Agora esse título é de Jim Payne e Tim Gardner, que afirmam, o próximo passo é superar o SR-71 BlackBird, que detém o recorde de altitude de voo (85069 pés).

O curioso de todo esse recorde é que o Airbus Perlan II não é alimentado por nenhum motor, por isso chamamos ele de planador. Ao contrário, o U-2 é alimentado por um motor que gera 17.000 libras.

O único meio do Perlan são as correntes de vento criadas quando as correntes de ar ascendentes atrás das cadeias montanhosas são significativamente fortalecidas pelo vórtice polar. 

O fenômeno ocorre apenas por um breve período a cada ano, e em apenas alguns lugares da Terra. A Cordilheira dos Andes, na Argentina, e uma área em torno de El Calafate é um desses raros locais onde essas correntes de ar em ascensão podem chegar a 100000 pés ou mais.

 

Finalidade do Perlan II

A Perlan Missão II da Airbus é uma iniciativa para voar um planador sem motor até a fronteira do espaço usando os fenômenos climáticos chamados ondas estratosféricas de montanha.

Devido ao seu design sem motor, o planador Perlan 2 é uma plataforma única para a descoberta científica, e está mostrando um excelente desempenho em todos os experimentos de voo que focam nos fatores que influenciam as mudanças climáticas e nos efeitos da radiação em pilotos e aeronaves em altitudes elevadas.

Neste ano o Perlan 2 está voando com os seguintes equipamentos científicos:

  • Um experimento medindo efeitos de radiação em altas altitudes, projetado por alunos da Cazenovia Central School e Ashford School, em Connecticut. Este projeto está em coordenação com a Teachers in Space, Inc., uma organização educacional sem fins lucrativos que estimula o interesse dos estudantes em ciência, tecnologia, engenharia e matemática; 
  • Um gravador de dados de voo, desenvolvido pelo Instituto de Investigações Científicas e Técnicas para a Defesa da Argentina (CITEDEF); 
  • Um segundo gravador de dados de voo, projetado por estudantes da Universidad Tecnológica Nacional (UTN) da Argentina; 
  • Um instrumento de “clima” espacial, que mede a radiação e temperatura quando a altitude de voo é alta;
  • Um experimento intitulado “Marshmallows in Space”, desenvolvido pelo Museu de Ciência e Descoberta de Oregon para ensinar o processo científico às crianças em idade pré-escolar. 
  • Dois novos sensores ambientais, desenvolvidos pelo Projeto Perlan.

O objetivo do Projeto Perlan é tentar atingir 90 mil pés, um recorde mundial de altitude para qualquer voo de aeronave com asas, com ou sem motor.

Você pode acompanhar praticamente ao vivo as missões do Perlan II através do Twitter do projeto, Clicando Aqui.

 

Melhorias do projeto neste ano

Neste ano o Projeto Perlan está contando com um avião de reboque especial de alta altitude, do modelo Grob Egrett G520, em vez de um avião de reboque de planador convencional. Isso permitiu que a aeronave levasse o Perlan 2 até perto do início da estratosfera, facilitando o planador atingir a sua altitude máxima.

De acordo com a Airbus, as seguintes melhorias foram feitas durante o inverno no hemisfério norte:

  • Uma cápsula de fibra de carbono com um sistema inovador de pressurização de cabine passivo de alta eficiência que elimina a necessidade de se utilizar compressores pesados e que consomem muita energia.
  • Um sistema fechado de reciclagem de ar, por meio do qual o único oxigênio utilizado é aquele metabolizado pela tripulação. Este é o mais leve e mais eficiente sistema para cabines fechadas e seu desenho possui funcionalidades aproveitáveis por outras aeronaves que voam em altitudes elevadas.
  • Um sistema de bordo, localizado na cabine de controle, para “visualização de ondas” que utiliza gráficos como representação das áreas de massas de ar ascendentes e descendentes. No caso de voos comerciais, seguir linhas de ar ascendente permitiria uma subida mais rápida e economia de combustível, ao mesmo tempo que ajuda a aeronave a desviar de fenômenos perigosos como cortantes de vento e fortes correntes descendentes.