O Typhoon com a pintura Eagle Star, pilotado pelo Comandante da Lutwaffe, voa com o F-15D Baz 957, sob os comandos do Comandante da IAF. Foto: Luftwaffe.

Os comandantes das forças aéreas da Alemanha e de Israel fizeram um sobrevoo especial sobre Jerusalém no último domingo (17), marcando a abertura do exercício multinacional Blue Flag 2021. O Tenente-General Ingo Gerhartz, comandante da Luftwaffe, voou um Eurofighter Typhoon com uma pintura especial chamada “Eagle Star”, que traz as bandeiras alemã e israelense, simbolizando a parceria entre os dois países. Já o comandante da IAF, Major-General Amikam Norkin, voou em um F-15D Baz um tanto “especial” por conta de um marcante acidente ocorrido na década de 1980.

No dia 1º de Maio de 1983, durante um exercício de combate aéreo dissimilar na região de Negev, o F-15D Baz 957 do 106 Squadron, chamado Spearhead, colidiu no ar com um jato de ataque A-4N Skyhawk do 116 Squadron, Lions of The South, durante manobras de combate aéreo de curta distância (dogfight). 

Na colisão, a asa direita do F-15 foi completamente arrancada, com o jato de dois assentos perdendo o controle. O piloto do A-4 ejetou em segurança, mas os tripulantes do Baz 957, o jovem piloto Zivi Nedivi e seu experiente instrutor Yehoar Gal, permaneceram a bordo do caça que caía em espiral, sem nem saber que o mesmo havia perdido a asa. 

Contrariando Yehoar, que ordenava a ejeção, Nedivi conseguiu recuperar o controle do caça, com muita dificuldade. Rapidamente ele observou as condições da aeronave e percebeu que estava perdendo combustível pelo lado direito, o que foi confirmado no painel de instrumentos do caça, mostrando que os tanques da asa direita estavam completamente vazios. Foi justamente o vazamento de combustível que impediu que Nedivi e Yehoar percebessem que a aeronave estava voando sem uma asa inteira. 

Foto: IAF

Nedivi então tentou desacelerar a aeronave, mas esta ação fez com que o Baz 957 “monoasa” entrasse em parafuso novamente. Ele empurrou as manetes à frente, engajando a pós-combustão dos poderosos motores Pratt & Whitney F100, recuperando o controle do avião novamente. No assento traseiro, Yehoar coordenava o pouso de emergência com o controle da Base Aérea de Ramon, enquanto Nedivi focava seus esforços em levar a aeronave ao solo. 

O F-15D cruzou a cabeceira a 260 nós – o dobro da velocidade de pouso normal do F-15 -, capturando o cabo de aço na pista com o gancho de cauda usado para pousos de emergência. Contudo, o gancho arrebentou por conta da alta velocidade da aeronave, que saiu correndo na pista. O pessoal de apoio rapidamente ergueu a barreira de retenção na outra ponta da pista, mas Nedivi conseguiu parar a aeronave antes. 

Yehoar e Nedivi juntos do Baz 957. Foto: IAF.

Apenas em solo os dois pilotos puderam observar a gravidade dos danos no Baz 957. Apenas 60cm da raiz da asa direita ainda restavam na aeronave. Mais tarde, estudos dos engenheiros da McDonnell Douglas, fabricante do caça, apontaram que a fuselagem e os estabilizadores horizontais geraram sustentação suficiente para manter o avião no ar. 

O 957, que já era chamado de ‘Markia Schakim’ (Sky Blazer), foi restaurado e mais tarde usado em combate aéreo, como indicado pelas marcas de vitória pintadas no nariz da aeronave. Ele também é creditado por ter compartilhado o abate de um MiG-23 sírio em 1985. Hoje, 38 anos após o fatídico incidente, o F-15D Baz 957 segue voando no Esquadrão Spearhead, participando desse sobrevoo especial com dois Typhoons da Luftwaffe e mais um F-35i Adir da Israel. 

O Exercício Blue Flag 

O ato simbólico na forma do sobrevoo dos caças da IAF e Luftwaffe marcou o início do exercício Blue Flag, realizado anualmente em Israel, contando com a participação de vários países. Ainda no domingo, Ingo Gerhartz, junto de sua contraparte israelense, visitaram o Yad Vashem, museu do holocausto judeu em Jerusalém. Durante o voo, as aeronaves passaram pela Knesset, a Assembleia Legislativa de Israel.

O Baz 957 lidera os Typhoons alemães e o F-35I na passagem sobre o Knesset. Foto: IAF.

“O sobrevoo expressa a forte parceria e conexão entre as forças aéreas e os países, bem como o compromisso com a cooperação contínua no futuro”, disse a IDF (Forças de Defesa de Israel) em comunicado. “Ainda sentimos o sofrimento das vítimas judias da Shoah”, disse o General Ingo, usando o termo hebraico para o Holocausto. “Nossa responsabilidade não vai expirar. A chama eterna da lembrança não deve se apagar”, afirmou.

A edição de 2021 do Blue Flag deve se encerrar no dia 28 de outubro. O exercício visa fortalecer a cooperação internacional estratégica por meio do aprendizado compartilhado sobre a integração de aeronaves de quarta e quinta geração em cenários operacionais complexos. As forças participantes farão exercícios de combate ar-ar e ar-solo, lidando com ameaças de mísseis superfície-ar avançados, em uma série de cenários operacionais em território inimigo, simulados no deserto de Negev. 
 
“Estamos vivendo em uma região muito complicada e as ameaças ao Estado de Israel da Faixa de Gaza, Líbano, Síria e Irã estão apenas aumentando”, disse o Major-General Amikam Norkin. “Realizar um exercício internacional nesta realidade atual, enquanto continuamos nossas atividades operacionais abertas e encobertas em todas as frentes, é de extrema importância estratégica e tem amplo impacto sobre a Força Aérea de Israel, as FDI e o Estado de Israel. Este exercício é pioneiro em em termos de tecnologia, qualidade de treinamento e número de nações participantes. Ilustra a parceria e o forte vínculo entre as forças aéreas do país e atua como um trampolim para a cooperação regional e internacional.”
F-35I, Typhoon e F-15D
A oportunidade também marca a primeira vez que a Índia e o Reino Unido participam do exercício. Enquanto a RAF levou seus Typhoons FGR.4, a Força Aérea Indiana levou caças Dassault Mirage 2000. Este também é o maior e mais avançado exercício aéreo já realizado em Israel. 

DEIXE UMA RESPOSTA