AOPA recomenda o groundeamento de todas as aeronaves movidas a AVGAS

Em seguida da notificação feita à ANAC e à SAC, no último dia 07 de julho, considerando a proliferação de evidências de problemas com a gasolina de aviação comercializada no Brasil, a AOPA Brasil recomendou hoje aos seus associados e à comunidade aeronáutica que suspenda suas operações até que providências sejam tomadas.

A AOPA Brasil está em contato permanente com a ANAC e ANP mas como ainda não há posicionamento sobre análise dos problemas e dos riscos, a AOPA Brasil recomenda que todas as operações com aeronaves movidas a gasolina sejam suspensas.

A pauta com da ANAC e ANP e AOPA Brasil, neste momento, envolvem os seguintes tópicos imediatos:

1. Apresentação dos laudos técnicos do combustível AVGAS distribuído nos últimos 90 dias (Importação e/ou Refinaria e Distribuidores)

2. Gestão da crise: para onde encaminhar amostras, prazo de analises, etc…

3. Decisão sobre a frota: “groudeamento”, ações mitigadoras e requisitos para retorno das operações

De acordo com a AOPA, há uma suspeita de adulteração na Gasolina de Aviação (AVGAS) importada pela Petrobrás.


 

Em nota a ANAC disse:

A ANAC recebeu denúncia encaminhada pela AOPA Brasil que diz respeito a possível contaminação de combustível de aviação (AVGAs), e que supostamente estaria causando degradação de componentes do sistema de abastecimento das aeronaves brasileiras.

A Agência vem acompanhando o caso atentamente, especialmente no tocante à avaliação da qualidade do combustível feita pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), que é responsável pela fiscalização da distribuição, qualidade da composição e demais atividades relacionadas ao combustível no Brasil. Essa avaliação busca compreender se há realmente indício de contaminação e qual o impacto dessa possível irregularidade.

Nesta quinta-feira (9/07) a ANAC emite um Boletim de Aeronavegabilidade aos operadores de aeronaves recomendando que, caso exista histórico ou evidências de contaminação, busquem imediatamente uma oficina de manutenção aeronáutica credenciada para uma avaliação mais detalhada. Ao receber esse tipo de caso, as oficinas de manutenção aeronáutica devem reportar tempestivamente ao Sistema de Dificuldade em Serviço (SDR) da ANAC.

Com as informações recebidas da comunidade aeronáutica e com a avaliação feita pela ANP, a ANAC poderá avaliar potenciais impactos na aviação geral. Caso seja identificado, a ANAC atuará imediatamente em prol da segurança da aviação, podendo, inclusive, recorrer a medidas cautelares e emergenciais.

 

Em nota a Petrobrás disse:

A Petrobras reforça que está ciente do problema técnico identificado pelo segmento de aeronaves de pequeno porte em relação à composição da gasolina de aviação (GAV). Ainda não há análises comprobatórias de contaminação do produto. A companhia se prontifica em colaborar e contribuir, em conjunto com a Anac, Cenipa, ANP e distribuidoras de combustível, na investigação das causas dos problemas relatados.

A companhia não é a única importadora de GAV no país. Existem outros importadores que abastecem o mercado brasileiro. Todas as cargas importadas pela Petrobras são provenientes de empresas norte-americanas, a partir do Golfo do México.

Todos os produtos comercializados pela companhia atendem plenamente aos requisitos de qualidade exigidos pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que seguem padrões internacionais. A gasolina vendida é previamente testada para garantir o atendimento às especificações do órgão regulador.

A Petrobras importa gasolina de aviação desde 2018, quando a unidade que produzia o combustível, na Refinaria Presidente Bernardes – Cubatão (RPBC), foi paralisada. A reforma da planta produtora sofreu atraso devido à interrupção das obras causada pela pandemia de Covid-19, mas a previsão é que a produção seja reiniciada em outubro de 2020.

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