Foto - China Daily/via REUTERS

A fabricante de motores russos Aviadvigatel está promovendo sua PD-35 como a escolha de motor preferida para o avião de fuselagem larga CR929, apesar de um acordo existente para um turbofan desenvolvido em conjunto para a aeronave russo-chinesa.

“Planejamos participar do projeto russo-chinês CR929 com a PD-35”, disse o diretor-gerente da Aviadvigatel, Alexander Inozemtsev, aos jornalistas em 9 de agosto.

A opção por ter um motor de fabricação russa no projeto foi estipulada desde o início, ao mesmo tempo que uma opção com motor “ocidental” poderia ajudar na comercialização futura da aeronave.

A GE e a Rolls-Royce já aplicaram para concorrer no fornecimento do novo motor do CRAIC CR929. O propulsor requerido pela fabricante deverá ter um empuxo de 65000 a 80000 lbs.

A CRAIC busca uma tecnologia semelhante ao Boeing 787, ou algo melhorado, que no momento somente a RR pode fornecer.

Esse pode ser o primeiro propulsor russo de nova geração, com essas características de potência e empuxo.

 

Andamento do projeto do CR929

Provavelmente o sistema de aviônicos será totalmente desenvolvido na Rússia, incorporando uma tecnologia que hoje já está sendo testada no MC-21.

A UAC também planeja fabricar a asa com a tecnologia que ela usa para o MC-21, com materiais compostos que não exigem a utilização de uma autoclave, simplificando o processo de produção.

A solução será uma integração pura entre as duas empresas para acelerar o processo de design e desenvolvimento da aeronave. Moscou foi escolhida como o local de um centro de engenharia em conjunto, através de uma liderança da experiente UAC. A sede do projeto fica em Xangai, onde o CR929 será montado.

Mas quase a Comac colocou a parceria a perder, o foco seria desenvolver sozinha um avião no mesmo porte do CR929, mas os governos decidiram que suas empresas estatais trabalhariam em conjunto. A Rússia também estava interessada em desenvolver um novo avião de duplo corredor, e a China precisava da experiência da UAC nesta área, visto que o SSJ100 fez um sucesso bem maior que o ARJ 21, e o novíssimo MC-21 está com o desenvolvimento mais avançado em comparação com o C919.

Apesar de ser maior, comparando a versão CR929-600 com o Airbus A330-900, o estimado é que esse avião seja apenas 1% mais pesado, devido a fuselagem com ampla aplicação de materiais compostos, e uma maior otimização de construção da aeronave.

 

Design de engenharia

O design é bastante parecido com aquele apresentado em 2017 pela CRAIC, e até lembra um pouco o Boeing 787 na parte da seção frontal.

O trem de pouso principal apresenta uma configuração com quatro rodas por lado, totalizando oito rodas, e o trem de pouso dianteiro tem duas rodas.

Anteriormente a CRAIC anunciou que o novo conceito do CR929 se aproxima do tamanho do A330-900neo, e também vai precisar de um motor ainda mais potente, com 78000 lbs de empuxo, antes a UAC estimava um motor de 71000 lbs para a aeronave.

Apesar do tamanho maior, a estimativa de autonomia permanece a mesma (para o CR929-600), de 12000 km. De acordo com a CRAIC isso é suficiente para cumprir a maioria das rotas de longa distância, incluindo os voos da Ásia para os Estados Unidos.

A família de aeronaves incluirá versões com a fuselagem esticada (CR929-700) e com a fuselagem menor (CR929-500).

A aeronave tem agora 63,25 m (208 pés) de comprimento, disse a UAC. Isso é apenas 45 cm mais curto que o A330-900neo, apesar disso a largura da fuselagem é de quase 6 metros, maior que a concorrência e equiparável ao A350, uma aeronave de categoria superior.

A finalidade da COMAC é usar o CR929 para substituir os A330-300 nas rotas domésticas de alta demanda da China, e também em voos internacionais. Essa medida também evita que as companhias aéreas da China e da Rússia escolham o Airbus A330-900neo e o Boeing 787.