Cockpit do CR929, apresentado no China Airshow.

O novo CR929, projetado pela joint-venture CRAIC, entre China e Rússia, poderá ter um projeto inovador para o seu segmento, de acordo com informações de Alexander Dolotovsky, chefe do departamento de pesquisa da Sukhoi Civil Aircraft (GSS) e vice-designer-chefe de aerodinâmica.

Dolotovsky ressaltou em uma entrevista para o portal RIA.ru que a nova aeronave, o CR929, pode ter um sistema de controle de voo que permita a operação por somente um piloto.

Cockpit do MC-21. Foto – Aleksey Kudenko

Ele observou que, no que diz respeito ao hardware e à prontidão legislativa, é bem possível mudar para esse conceito.

“Pelo menos estamos lançando as bases para a transição para ela com mudanças técnicas mínimas. Isso é realista até 2030. Agora, adotamos uma tendência muito séria para a robotização dos processos de controle”, disse Dolotovsky.

Segundo ele, enquanto a aeronave está sendo feita para uma tripulação de duas pessoas, outros projetos futuros incluem alterações no CR929.

“Externamente, é claro, a aeronave permanecerá a mesma. Mas o campo de informações da cabine de comando será substancialmente alterado. As alavancas de controle de uma cabine de comando desaparecerão, mas não imediatamente. Naturalmente, os meios de correção manual de voo devem permanecer por algum tempo. É simples que uma pessoa com treinamento mínimo seja capaz de controlar a aeronave”, disse um porta-voz do GSS.

Alguns jatos executivos permitem a operação single pilot, porém com uma série de restrições e exigências adicionais, como a renovação dos exames de saúde do piloto em um período mais curto.


A Rússia e a China pretendem implementar o CR929 em voos comerciais até 2025-2027. A aeronave terá uma capacidade de 250 a 300 passageiros na versão principal, e deve concorrer com o Boeing 787 e o Airbus A330neo.

A finalidade da COMAC é usar o CR929 para substituir os A330-300 nas rotas domésticas de alta demanda da China, e também em voos internacionais. Essa medida também evita que as companhias aéreas da China e da Rússia escolham o Airbus A330-900neo e o Boeing 787.

Atualmente, o custo de desenvolvimento da aeronave é estimado na faixa de 13 a 20 bilhões de dólares. A demanda é para mais de 1200 aeronaves desse modelo somente na China nos próximos 20 anos.

A parte técnica e de projeto do CR929 está sendo desenvolvida pela Rússia, que já tem experiência no setor e uma aeronave atual (MC-21) para derivar a tecnologia, enquanto a China será responsável pela fabricação e os métodos de produção.