F-22 USAF EUA Stealth disponibilidade
Caça F-22 Raptor. Foto: USAF

Um relatório do Escritório de Contabilidade do Governo (GAO) dos EUA aponta que pelo menos oito modelos de aviões diferentes da Marinha (USN) e Força Aérea (USAF) tem apresentado baixos índices de disponibilidade de missão.

E as taxas só vem piorando desde 2015, especialmente para o F-22 da Força Aérea e o KC-130T da Marinha. A frota de F-22 apresenta 50,3% de disponibilidade, enquanto os KC-130 da Marinha e Fuzileiros Navais tem 36,5%. 

“As taxas de missão – uma métrica usada para avaliar a saúde e a prontidão de uma frota de aeronaves – e outras tendências de métricas de manutenção relacionadas pioraram desde o ano fiscal de 2015 para oito aeronaves selecionadas”, diz o relatório do GAO, publicado na última quarta-feira (15). 

 

KC-130T Marinha EUA
KC-130T dos Fuzileiros Navais. Foto: Mike Freer – Touchdown-aviation via Wikimedia.

“Embora a Força Aérea e a Marinha tenham iniciativas para enfrentar os desafios de manutenção em nível de unidade, nenhum dos serviços mitigou os riscos persistentes de sustentação de aeronaves de asa fixa.”

Segundo o portal Breaking Defense, o GAO chegou à estas conclusões depois de estudar as taxas de missão para oito frotas de aviões diferentes: os B-1B Lancer, C-5M Galaxy, KC-135 Stratotanker e F-22 Raptor da USAF, e os P-8A Poseidon, F/A-18E/F Super Hornet, C-130T e KC-130T Hércules da USN. 
O relatório foi criado em resposta a um projeto de lei da Câmara dos EUA, que orienta o GAO a avaliar as taxas de disponibilidade de missão para certas frotas desde o ano fiscal de 2015. O GAO também deve apurar como a Marinha e a Força Aérea tem trabalhado para mitigar os riscos. 
F-22 Manutenção EUA USAF
Caça stealth F-22 Raptor passando por manutenção. Foto: Bill Orndorff/USAF.

A disponibilidade (mission capable) das aeronaves é caracterizada pelo GAO como a porcentagem de tempo que uma aeronave gasta quando é capaz de “voar e realizar pelo menos uma missão”. Uma aeronave não disponível não pode voar seja por estar à espera de manutenção necessária ou se a unidade não tiver uma peça sobressalente necessária para reparar o avião.

Dessa forma, o GAO apurou que as taxas de disponibilidade para todas as oito frotas diminuíram desde 2015, com o F-22 e o KC-130T apresentando os piores índices: ambos tiveram uma queda de 16,7% na disponibilidade. As frotas de F/A-18E/F (3,9%) e KC-135 (4,1%), embora ainda em declínio, tiveram as menores mudanças nas taxas de capacidade de missão.

GAO Disponibilidade USAF USN aviões
Imagem: Escritório de Contabilidade do Governo

Apesar do Escritório reconhecer que as organizações tomaram algumas medidas para impedir o declínio dos números (como a implementação da Marinha de seu Sistema de Sustentação Naval), ele ainda descobriu que a USN e USAF não concluíram “revisões de manutenção” para frotas específicas, exigidas na Ata de Autorização de Defesa Nacional do Ano Fiscal de 2017.

Oficiais da USAF disseram ao GAO que a Força Aérea ainda não havia conduzido as revisões por conta da ambiguidade em como interpretaram inicialmente a lei, mas iniciaram as avaliações depois que o estatuto foi esclarecido em 2021. Já a Marinha diz que as revisões nos Super Hornet e P-8 serão concluídas nos anos fiscais de 2022 e 2023, respectivamente.

Boeing P-8A US Navy
P-8A da Marinha dos EUA. Foto: Boeing.

“Oficiais da Força Aérea relataram que planejam trabalhar com o acúmulo dos sistemas restantes até o final do ano fiscal de 2025”, de acordo com o relatório do GAO. “Os oficiais da Marinha relataram que esperam concluir as revisões de manutenção de 54 sistemas nos próximos 13 anos, entre agora e o ano fiscal de 2035.”

Como é costume em todos os relatórios do Escritório de Contabilidade, o órgão de vigilância fez uma série de recomendações ao Pentágono, que se concentram principalmente em ambas as Forças completando suas revisões de sustentação necessárias, bem como no desenvolvimento de planos de mitigação para conter as taxas de disponibilidade em declínio.

F/A-18F Super Hornet com bombas GBU-32 JDAM.

Respondendo pelo Departamento de Defesa, Vic Ramdass, um alto funcionário de prontidão do Pentágono, concordou amplamente com as recomendações do GAO.