Black Hawk autonomo
Voo histórico foi realizado por parceria dentre Sikorsky e DARPA. Foto: Lockheed Martin/Divulgação.

Pela primeira vez um helicóptero UH-60 Black Hawk fez um voo de forma completamente autônoma. O feito histórico foi realizado no último sábado (05) pela Sikorsky em parceria com o DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) como parte do projeto Aircrew Labor In-Cockpit Automation System (ALIAS). 

As duas organizações já trabalham no projeto há seis anos. Apesar de já terem realizados voos com o Black Hawk voando inteiramente por conta própria, esta é a primeira vez que o helicóptero voa de forma autônoma e completamente vazio. 

 “Esta capacidade permitirá que os pilotos alternem com confiança entre os modos de autonomia e pilotado em qualquer ponto de sua missão com o simples toque de um botão”, afirmou Benjamin Williamson, piloto de testes líder. 

“Isso apoiará o voo autônomo durante uma ampla gama de missões, como voo em ambientes visuais degradados (DVE) e áreas confinadas. Mais criticamente, o ALIAS será capaz de detectar e prevenir automaticamente situações perigosas que levam a acidentes, salvando vidas”, continuou o piloto. 

“O ALIAS representa um salto à frente em autonomia para uma variedade de sistemas”, disse Igor Cherepinsky, Diretor de Inovações da Sikorsky na Lockheed Martin. “Começamos com a arquitetura central e o software da tecnologia MATRIX™ da Sikorsky para projetar sistemas extensíveis e flexíveis para ALIAS que já voaram em nove aeronaves militares e comerciais diferentes. Estamos confiantes de que esta próxima geração de controles de voo aprimorados criará novas abordagens para o campo de batalha do futuro e permitirá cenários comerciais confiáveis, como a mobilidade aérea urbana”.

Há um interruptor no helicóptero chamado “interruptor 210”, disse Cherepinsky a repórteres durante uma coletiva de imprensa virtual nesta terça-feira (08). A chave indica quantos pilotos estão presentes na aeronave e pela primeira vez antes de um voo o instrumento foi zerado. 

Foto: Lockheed Martin/Divulgação.

O primeiro voo sem pilotos teve duração de 30 minutos e foi realizado na base do exército de Fort Campbell, no estado de Kentucky. A aeronave fez outro voo completamente autônomo na segunda-feira.

O Black Hawk realizou verificações pré-voo, decolou e passou por um sistema simulado de detecção e alcance de luz (LiDAR) representando o horizonte congestionado e complexo da cidade de Nova Iorque. O helicóptero respondeu de forma completamente autônoma aos arranha-céus simulados, passando por Manhattan, de acordo com Cherepinsky. Em seguida, a aeronave pousou sozinha.

Jay Macklin, piloto aposentado de Black Hawk do Exército dos EUA, diz que essa tecnologia transformacional prepara as tripulações para se destacarem em situações difíceis – ou evitá-las completamente.

“Os avanços da Sikorsky em automação e autonomia de voo serão decisivos para os aviadores e comandantes terrestres do Exército, particularmente porque o Exército procura modernizar sua frota de helicópteros com o Future Vertical Lift”, disse o militar aposentado que atualmente lidera o desenvolvimento de negócios para os programas Elevação Vertical do Futuro e Inovações da Sikorsky. 

Foto: Lockheed Martin/Divulgação.

“Esta tecnologia fornecerá aos comandantes e tripulações uma vantagem estratégica no combate a novos ambientes complexos de ameaças.”

Segundo a Lockheed Martin, proprietária da Sikorsky, a tecnologia ALIAS garante maior flexibilidade de missão, aumenta a segurança e permite que os usuários finais reimaginem como podem usar veículos aéreos nos campos de batalha atuais e futuros.

A tecnologia não se limita a um Black Hawk e atualmente está sendo incorporada em aeronaves comerciais e militares de asa fixa. A ALIAS continuará avançando na tecnologia opcionalmente pilotada com duas demonstrações de aeronaves adicionais nos próximos meses.

De acordo com o Dr. Stuart Young, Gerente do Programa DARPA ALIAS, “O potencial do ALIAS para transformar a guerra é ilimitado, quer estejamos falando de plataformas não tripuladas ou tripuladas. Ao reduzir a carga de trabalho, aumentar a segurança, possibilitar novas missões, essas demonstrações mostram o que o ALIAS tem a oferecer para a transição para nossos serviços.”