Uma proposta conjunta da Embraer com a Boeing, para a tão discutida parceria, foi entregue nesta terça-feira ao Governo Federal para uma análise, e possível aprovação pela parte governamental, que detém ações da Embraer com poder de veto.

A proposta final, entregue pelas empresas, atende aos quesitos exigidos pelas Forças Armadas, de acordo com uma fonte ouvida pelo Jornal O Globo.

A proposta será avaliada por um conselho, composto pelo Ministério da Defesa e da Fazenda, do BNDES, proprietário das ações e também da Força Aérea Brasileira, que tem projetos em conjunto com a Embraer, como os aviões A-29 e KC-390.

Anteriormente a Boeing citou uma participação de até 20% da Embraer, mas agora há uma hipótese que outra parte precisa de pelo menos 49% de participação no negócio.

Enquanto a Boeing trabalhará em uma posição dominante, a Embraer ficará com outros direitos, que também estarão listados no contrato final, novamente citamos a necessidade deste ser aprovado pelo Governo Brasileiro.

Além da participação financeira, e de todo resultado disto para a existência da Embraer, o contrato de parceria pode oferecer os 4 mil engenheiros da Embraer como concessão à Boeing, no caso de períodos de alta demanda. De acordo com a publicação do O Globo,  Boeing não oferece uma contrapartida em relação a isso, ou seja, a Embraer não terá disponível para usar em seus projetos os engenheiros da Boeing.

No mesmo dia o Ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, disse que o contrato entre as duas empresas “precisa ser uma operação ganha ganha”, citando o fato que a Embraer não pode sair na desvantagem. Ele também citou que a Boeing pode facilitar a comercialização do KC-390, sinalizando que poderá aceitar uma possível parceria também da área de defesa.

Atualmente a Embraer atua em mercados que categoricamente a Boeing não atinge há anos, como o setor de aviões comerciais até 150 assentos, o último avião da Boeing nessa categoria foi o 717, pouco vendido perto dos E-Jets.

No setor de defesa a Embraer está na linha de concorrência com o A-29, cogitado pela Força Aérea dos EUA para substituir o A-10. Se a empresa ganhar, pelo menos 350 aviões desse tipo serão fabricados nos próximos 15 anos. A Boeing não tem nenhum avião nessa categoria.

Continuando no setor de defesa, a Boeing não fez nenhum cargueiro capaz de substituir os famosos Hercules, mas a Embraer tem o KC-390.

No setor de jatos executivos a Boeing não atua com opções de pequeno porte, que fazem frente à Bombardier, Honda e Cessna.

Por conta da complexidade dessa parceria, um possível acordo também pode incluir acesso às subsidiárias da Embraer, que produzem componentes para as aeronaves da empresa. Isso possibilitaria uma produção nacional de componentes para aviões da Boeing, bem como as inovações na produção e tecnologia dessas empresas filiadas hoje à Embraer.