A Boeing confirmou que nas próximas semanas vai lançar uma atualização para o software que controla o sistema de voo do 737 MAX.

A fabricante disse que essa atualização está sendo trabalhada desde novembro, com dados do acidente da Lion Air (Voo JT610). As causas do acidente com o 737 MAX da Ethiopian, que ocorreu neste último domingo, estão sendo analisadas no momento.

A atualização trabalha alterando duas características do sistema de voo do 737 MAX, a Boeing ressalta que esse procedimento é para “tornar uma aeronave já segura mais segura”.

A parte principal é concentrada no sistema MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System), que agora limita os comandos do computador relacionados ao profundor, anulando manobras agressivas, e melhora a leitura dos sensores, desconsiderando leituras errôneas de sensores com defeito.

A Boeing acrescentou que “o sistema não controla a aeronave em uma condição de voo normal, sem falhas, mas melhora seu comportamento em uma parte não normal do envelope operacional.”

A Boeing disse que colocou esse sistema automático pois o 737 MAX ficou mais propenso à problemas relacionados ao estol (perda de sustentação) em alto ângulo de ataque devido aos novos motores com maior carenagem e tamanho, além das alterações nas asas.

O sistema tem uma característica de evitar que a aeronave entre em uma condição de estol, que é quando o avião perde a sustentação das asas.

A nota oficial da Boeing emitida em novembro explica como o sistema funciona, e qual a reação ele causa na aeronave. Devido ao erro no sensor, que resultou em uma confusão de comandos no acidente, a Boeing também disse no documento como os pilotos devem agir para desacoplar o autocompensador do trim e retomar o controle do voo, independente de qualquer erro que esteja acontecendo.

Já nesta segunda-feira (11/03), e sobre essa nova atualização, a fabricante disse que vai atualizar manuais e procedimentos em treinamentos, os pilotos ficarão cientes do novo funcionamento do sistema MCAS, e seções em simuladores serão realizadas pelas companhias aéreas que operam com o 737 MAX.

Apesar disso, a Boeing não divulgou se anulou a ação do MCAS quando o Piloto Automático está desativado, assim como acontece no Boeing 737 NG. Em dezembro de 2018 a fabricante tinha informado que o sistema poderia voltar ao padrão anterior do 737 NG.

A Boeing se limitou a dizer que “o piloto sempre será capaz de anular o MCAS usando o trim elétrico ou manual”. Aqui vale ressaltar que não depende do sistema automático, o piloto pode comandar o compensador do profundor através de um comando elétrico no manche, que possibilita corrigir a compensação de altitude sem retirar as mãos do comando que já estava sendo realizado, aumentando a segurança durante o voo.

A FAA não realizou nenhum tipo de pressão para uma atualização imediata dos sistemas de voo do 737 MAX, de acordo com a Boeing. A correção estava sendo realizada há meses, e já passou por várias etapas de engenharia e correção de erros, uma greve geral do governo norte-americano atrapalhou a certificação da atualização pela FAA (Federal Aviation Administration), e atrasou tudo em dois meses.